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sábado, 14 de março de 2020

Presente de Aniversário



Já pensou em escrever uma carta de você hoje para o seu você de ontem? Você, com 46 anos para o seu você, com 23 anos, chegando na cidade maravilhosa para morar. E tudo isso no dia do seu aniversário?

Pois bem, esse texto é sobre isso.


Meu presente - Raul J. Franco


Olá, Raul. Então, seguiu mesmo na sua decisão de vir morar
no Rio de Janeiro, né?
E seu padrasto dizia que você não viria, pois não largaria
a sua vida de Belém.
E você veio! Isso já é uma vitória. Ah, a sua namorada Mônica veio com você.
Olha, permita-me dizer algo. A Mônica não ficará contigo pelo resto da tua vida.
Desculpa te dizer isso assim, na lata. Mas é a verdade.
Porém, não se desespere. Vocês se tornarão melhores amigos.
E terão vários momentos de diversão e troca pela vida, mesmo a distância.
Olha, vai ser louco, mas em 2 dias de Rio
você fará um teste para uma peça de teatro.
E não passará. Você ficará de bode no quarto, não querendo ver ninguém.
Mas… alguém que tava no teste te convidou para fazer um infantil.
Em 4 dias você já estava ensaiando uma peça no Rio.

Com sinceridade, nada vai ser muito fácil. Pelo contrário.
Nem vou te contar que você vai ensaiar
uma peça por nove meses e ela não vai rolar.

Ah, você vai ter duas depressões. Uma em 1998 (duríssima) e outra em 2005
(vai vai se assustar quando for se pesar e ver 56 quilos).
Mas você vai sair delas.
Em 1999, depois das primeiras crises em sua vida no Rio de Janeiro,
você vai ser contratado pela Globo (televisão -
coisa que você nunca havia pensado)
e vai estar em cartaz com uma peça que você escreveu e dirigiu
e que vai fazê-la por muito tempo no RJ. Você se sente bem. Muito bem.
E nessa época, resolve encarar a vida com cinismo.
Na verdade, essa será uma arma que você vai usar com o intuito
de proteger o teu coração tão machucado.
Nesse momento, as pessoas sentirão certa dificuldade
ao se comunicar com você.
Não saberão quando você está falando sério ou não.

Você fará muitos trabalhos. Um deles, uma peça em São João de Meriti.
E nesse período você estará sofrendo de saudade.
Na ida para São João de Meriti, você chorará muito
com a cabeça na janela do ônibus, pegando o vento nos cabelos.
E dizendo pra si mesmo: “Se eu escolhi isso pra mim, eu vou até o fim”.
E seguia limpando as lágrimas dos óculos.

Depois de superar o fim da sua relação com aquele grande amor,
você terá muitas paixões. E, sim, você será escroto com algumas pessoas
(e só depois você vai entender isso). E, em muitos momentos,
você conseguirá ser o mais doce possível e com aquele romantismo
do qual você tinha medo mas que não conseguia
pensar um relacionamento sem isso.

Você terá algumas noites de muitas bebedeiras. E você fumará muito.
Sei, é fácil pra mim te dizer isso hoje. Mas, cara, o CIGARRO
é uma das maiores besteiras da vida.
Pena que você só vai entender isso anos mais tarde.
E um dia ficará puto por ter fumado tanto.
Ficará puto com os teus pais, por serem fumantes,
e terem sido irresponsáveis ao te mandar comprar o cigarro deles
quando você era criança. Mas uma coisa em ti é de puro orgulho:
você sempre fez questão de nunca acender um cigarro perto do teu filho.
Aliás, você nunca se considerou fumante, perto das 4 carteiras
que seu pai fumava por dia.
Ah, perdoe os seus pais sempre que puder.
Eles, assim como você, não têm culpa.

Outra coisa que vai parecer chato eu te dizer.
Mas não perca os seus fins de semana
dormindo até 15, 16h. A vida é linda. O sol é uma fonte de energia incrível.
E você mora em Copacabana, porra! Você sabe quantas pessoas
gostariam de estar em seu lugar??? Um monte. Tá, infelizmente,
você só vai valorizar isso anos depois.
Por sorte, você ainda mora em Copacabana.
E pode compensar o tempo perdido.

Eu te admiro muito. Sei da tua luta. Sei das vezes que você se encolheu
na cama e disse: “Se eu morresse agora tudo ficaria mais fácil”.
E você quis morrer, quis muito. Mas pensava no sofrimento que você
traria pra sua mãe com a sua perda. E desistia da ideia.

Você, por ser introvertido, demorou um tempo
para se adaptar a Cidade Maravilhosa.
Sempre foi de poucos amigos e bem sincero em suas relações.
No fundo, você sempre foi coerente com tudo.
Nunca admitiu usar máscaras para participar do baile das hipocrisias sociais.

Ah, você será passado para trás por algumas pessoas.
Uma de Curitiba (“alô, Curitiba”), outro com nome de padre
e outro com nome de apóstolo.
E também roubarão algumas ideias suas e até nome de peça.
Você ficará puto, mas depois verá que você é uma máquina de criar
e isso só te dará pena dos ladrões.

Você terá momentos incríveis com a Luciana. E também com a Bárbara.
E outros com a Geise. E um dia, você não entenderá o sentido,
mas será extremamente grato por elas terem passado pela tua vida
e te ensinado tanto. E um dia você vai encontrar uma delas e ela vai te dar
um abraço tão especial que você dirá:
“Nossa, como a vida é legal. Afinal, sempre quis isso: paz nas relações”.

Ah, sabe o Canecão, né? Aquele lugar que tu sabias pelo show
do Cazuza e do Elymar Santos.
Pois bem, você verá diversos shows lá. E com um detalhe: todos de graça.
Mas não vou te dizer porque. Você descobrirá.
E mais… Você, um dia, irá se apresentar no Canecão. Verdade pura!

Olha, você fará muitos shows. Sim.. Mas não é show assim de cantor
(que era o seu sonho), mas shows de comédia. Isso te assusta?
É, cara, você vai fazer comédia e vai ganhar muito dinheiro.
Vai se apresentar nos lugares mais incríveis
e vai ficar 3 anos em cartaz em São Paulo.

Você, que fez o teu primeiro e-mail em 1999,
vai ser considerado um dos primeiro virais da Internet,
em um boom com um vídeo teu. Sim, isso vai acontecer.
Serão os teus 3 minutos mais bem pagos da vida.

Você pensará em desistir da carreira muitas vezes
(agora, por exemplo, acho que você está pensando nisso).
Assim como um dia irá procurar emprego
em uma Locadora de filmes na Urca.
Você fará faculdade de Artes Cênicas.
Você terminará o curso e levará anos para ir pegar o diploma
(ainda não pegou?).
Você voltará diversas vezes para Belém.
Algumas vão ser bem dolorosas.
Um grande amigo irá falecer. E depois outro.
E depois a irmã da mãe do seu filho.
E depois algumas outras pessoas importantes.
Você fará muitos poemas num quartinho.
Escreverá livros que nunca vai lançar.
Fará letras de música, roteiros, contos eróticos.
Você irá sempre escrever, pois se te tiram isso, você morre.

Ah, você com o tempo descobrirá um vício terrível. E será uma luta vencê-lo.
Mas você entenderá a fraqueza que te põe nele e eu não saberei
mesmo te dizer o que fazer para lutar contra ele.
Mas o certo que um dia você descobrirá o caminho.

Você terá um grande baque, no dia que o seu padrasto passará mal.
Serão 4 anos de hospital. Quatro anos de silêncios teus.
Quatro anos onde você será só 10 % do seu potencial.
Quatro anos onde você irá fazer trabalhos que não quer.
4 anos de muita bebedeira.
Ao mesmo tempo quatro anos em que, ironicamente,
você irá cuidar da sua saúde.
Irá mudar a sua alimentação. Irá correr e malhar na praia.
Irá tomar muito suco verde.
Irá ter felicidade nas pequenas coisas.
Só viver já era o bastante pra você.

E, sim, um dia o teu padrasto, o mesmo que duvidou que
você viria morar no Rio,
ao mesmo tempo, o cara que te “impediu’ de ir embora daqui
quando você se sentia sozinho,
sem trabalho e desmotivado, irá partir.
Você irá pensar a tua vida inteira.
Você vai decidir voltar a viver. E quando tudo parecia perdido,
você encontrará o budismo.
E sentirá o vigor do teu potencial. Então, você vai se dedicar,
vai motivar pessoas,
vai conseguir tanta coisa boa, vai vibrar de outra forma,
vai se sentir com esperança.

Um dia você não vai sentir saudade. Você não vai sentir ódio de Belém.
Um dia você vai perdoar a si mesmo. Vai entender as suas dores.
Um dia você vai se cansar muito.
E quando você menos esperar, vai se apaixonar de novo e vai ter alguém
em quem você vai se enxergar e aprender mais
sobre você observando o outro.
Vai ser uma linda experiência, uma linda história.
Que você não vai entender porque ela vai chegar ao fim.
Mas você também adquiriu uma força enorme
que te faz aceitar o rumo das coisas,
que te faz entender que cada coisa tem o seu tempo próprio
e tudo acontece quando deve acontecer.
E, sim, você entendeu a força do amor e vai seguir amando,
mesmo se não estiver com a pessoa.

Um dia, Raul, você estará no teu quarto, com a janela aberta,
será sábado e será também o teu aniversário.
Então, você entenderá porque
passou a semana chorando. Afinal serão dias que antecederão
o teu renascimento.
E você vai querer se dá um presente. E será uma carta
que você escreverá hoje
para o Raul de ontem. E vocês verão que nenhum dos dois
teve culpa em suas lutas.
Tudo é resultado de muitas conquistas. E essa carta será extraviada e
irá parar nas redes sociais onde todos vão ler. Sei, agora muitos
vão saber de vocês.
E o que você vai fazer? Limpar as lágrimas do rosto
e cantar aquela canção
dos Engenheiros do Hawaii que você tanto gosta:
“Não vim até aqui pra desistir agora”.
E, Raul, eu te entendo. Isso não é o fim. É apenas mais um recomeço.
Se eu não tiver escrito tudo, espero que tenha escrito o essencial.
Boa vida!

segunda-feira, 2 de março de 2020

Belchior e suas letras impactantes

Cada vez mais ouço Belchior e vejo a sua atemporalidade.
Suas canções se ajustam perfeitamente nas aflições desse tempo que a gente vive.
São versos certeiros que atingem nossos corações e dão um nó em nossa cabeça.

Fiz dois vídeos onde analiso algumas de suas canções. Pra ser exato, duas canções muito importantes e emblemáticas na minha vida: Alucinação e Fotografia 3x4. E logo, logo vou lançar um vídeo onde apresento um poema que fiz inspirado em uma canção de Belchior.

Aqui divido os vídeos com vocês.

FOTOGRAFIA 3X4

https://www.youtube.com/watch?v=qAbT6fV8iFc


ALUCINAÇÃO

https://www.youtube.com/watch?v=jvAckMEpLek&t=



quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Do amor

Eu, no fundo, não sei nada sobre o amor. Só sei que se ele for grande e verdadeiro haverá uma necessidade de falar deste sentimento belo e profundo. Quando duas pessoas se amaram, elas sabem que houve um momento em que as almas se encontraram. E o momento em que sua vida fez sentido ao lado da pessoa será guardado com carinho. Sentir saudade não é querer tudo de volta novamente. Mas ter respeito e carinho pelo que você viveu com uma determinada pessoa. Ser lembrado por alguém que nos amou não tem preço. É a forma que o amor encontra para persistir.


para que o amor caiba
na mão
é preciso calma
e um sopro de união
é preciso querer
e um tanto de emoção

para que o amor caiba
naquilo que é sonho
naquilo que faz a gente melhor

que o amor saiba
fazer a escolha certa
e não se perca
em ruas desertas

onde tenha amor
que a alma brilhe
e tudo suavize

para que do amor
brote mais sensações prazerosas
que ele seja verso e prosa
e faça da mão uma carícia
um afago sem hora

onde seja amor
que não tenha pressa
e que toda magia se faça
para que o sentimento não passe
e tudo seja prece

onde o amor começa
toda vida passa a fazer sentido
se é amor, estou sentindo
indo facilmente
conduzido por mãos transparentes

antes mesmo de chegar
eu já sabia que ia amar
então, fecho as mãos
e num passe de mágica
você renasce
e no amor me vejo
com outra face

nós, entre anéis e teclados dedilhados
uma nota a mais
e já nasce a canção

sim, o amor coube na palma da mão
agora cantemos
para espantar a solidão!

(textos - Raul J. Franco)

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

CARNAVAL



CARNAVAL E EU - by Raul J. Franco


Taí, duas coisas que não se misturam: eu e carnaval. É tipo um vegano em uma churrascaria. Nunca entendi muito o propósito. Sempre me sentia como um ET a cada vez que tentava curtir essa alegria alucinada como se não houvesse amanhã. Foda que sempre tem o "amanhã".
Acho que você tem que ser da folia mesmo para aproveitar. Eu, na verdade, tenho uma certa dificuldade com essas aglomerações onde as pessoas estão insanas. Carnaval pra mim é um bode, assim como Copa do Mundo. Não gosto das duas coisas. Ou seja, nesse quesito de gostar de samba e futebol como característica da alma brasileira, passei mil vezes longe. E não é porque agora estou mais velho. Acho que sempre foi assim. Ficar fantasiado, segurando uma lata de skol e cantando "alalaô, ô, ô, ô / mas que calor ôôô" definitivamente não me apetece. Acho que sou muito crítico. E se estou com a porra do calor, fico em casa na porra do ar-condicionado. Ficar cantando que tá calor não vai mudar nada. rsrs
Muitas vezes só me via forçado a ir em carnaval por conta de namoradas. E tive uma que era alucinada por carnaval. Se tivessem 3 blocos por dia, ela queria ir nos três. Vocês não imaginam como eu sofri. E foi um namoro loooongo. Ou seja, tive 7 carnavais ao lado dessa pessoa. Nossa, como era difícil pra mim esse período de carnaval. Fui muitas vezes com ela para os tais blocos. E era foda. Porque, na maioria das vezes, eu estava lá, meio que deslocado, com cara de Monalisa cagada. E não era muito justo. Porque é muito chato você ir para uma festa e a outra pessoa ficar com cara amarrada. Algumas vezes, eu conseguia fugir, quando a gente brigava. Então, eu bradava: "Então, vou poder ficar em minha casa, vendo filmes. Vai, some pro teu carnaval". E ela ia e eu ficava feliz. "Ufa, escapei dessa vez" - pensava.
Faz tempo que eu não tenho mais essa chatice de ter que ir para um bloco. O que é libertador. Afinal, é muito doloroso a gente se forçar a fazer algo sem vontade. Eu não combino com carnaval e essa é a verdade. Até já me fantasiei, tentei embarcar, mas não é minha praia.
Hoje posso dizer que estou vivendo o meu melhor carnaval dos últimos 20 anos. rsrs Um silêncio sepulcral em meu apartamento. Nada de cuícas ou surdos. E sigo trabalhando, lendo, produzindo. E feliz! Alalaô ô ô ô ô, obrigado, meu senhor ô ô ô!
Mas já me divirto ao ver fotos dos amigos fantasiados, pulando, cantando marchinhas de cem anos atrás... rsrs Isso já é o máximo da minha folia voyeur.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

PRA FRENTE COM TUDO (poema)

Pra frente, com tudo - Raul Franco

Já sei qual é a jogada.
Agora é ir pro combate.
Ler e ouvir Chico Buarque.
Aplaudir e sentir Fernanda Montenegro,
essa estonteante atriz.
Resgatar Paulo Freire
com o coração aprendiz.
Rejeitar carvalhos de intelectualidade duvidosa.
Lutar contra canhões, portando uma rosa.
Vamos ouvir Beatles e ser rock'in'roll.
Já que Alvim chegou ao fim, brindemos: tim-tim.
E vamos dar um giro na Terra redonda.
Ouvir "pirralhas" pelo mundo.
Vamos ver mais teatro e aplaudir o nosso cinema "macunaímico" que resiste, resiste, resiste.
Ah, tem Democracia em Vertigem! Tu viste?
Eu vi e torço que vença "Melhor Documentário" e que o Oscar seja entregue por Leonardo DiCaprio.
E depois esperar o silêncio dos "homens de bem".
E por fim, vamos engolir livros e mais livros. Todos e mais uns cem.
E se os tapados de agora nos perseguem, vamos nos esconder em bibliotecas.
Eles tem pavor e alergia a esse objeto cheio de coisas que liberta a mente dos que jamais serão oprimidos.
Lutemos por liberdade.
E que ela seja o comprimido
de todo nosso bem estar.
A hora é essa!
Saia do seu lugar e aprenda a bater sem machucar.
Isso, com certeza, será "impreCionante".
Então, bora impressionar?


quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Uma matéria sobre Raul Franco (publicada em 2011)

Passeando pela Internet, pesquisando algumas matérias sobre meu trabalho, encontrei esta matéria bem legal. Ela foi feita publicada no Jornal O Popular. Acho que nunca tinha lido.

https://www.opopular.com.br/noticias/magazine/perfil-1.4485










sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

O tapa do Papa na mão da chata




O TAPA DO PAPA NA MÃO DA CHATA - Raul Franco

O tapa do Papa na mão da chata
deixou muita gente indignada
“Como ele fez isso?” 
“Este Papa não é santo!
Santo é Chico Xavier”
Depois do tapa
muita gente perdeu a fé

Incrédulos condenam
o tapa do Papa na mão da chata
Fiéis estão indignados
Os mesmos que destratam pessoas
no dia a dia
Tanta gente bizarra dizendo
que desconfia deste Papa
E que vale mais O Padre Marcelo Rossi
“Este sim é humano”, alguém brada
Jorge Lafond não teria a mesma opinião
Então, pecadores e difamadores
condenam o tapa do Papa
É preciso mesmo ter alguém 
em quem se jogar pedras
Mesmo que este alguém seja o Papa
Mesmo que ele seja humano na dor

O presidente faz arminha com a mão
E muita gente o exalta
Mas o Papa não pode dar tapa
“Ele não”, protesta a beata

Agora ele não vale nada
O tapa do papa equivale a um golpe de vale tudo
E ainda veem ódio na sua expressão
Como se as pessoas nunca tivessem sentido
incômodo ao serem molestadas
de maneira bruta
Mas se a onda é ser incoerente
condena-se o tapa do Papa
como forma de ver no outro
aquilo que habita em todos:
o humano que vez ou outra aparece
mesmo que instintivamente

O que querem é a polêmica
pra ter o que falar na hora do café
Misturam rivotril com religião e pouca fé
e vomitam a hipocrisia cotidiana
juntamente com suas vidas desumanas

E quase posso ver, nas entrelinhas do discurso,
uma carta de alguém que é desse grupo
de inquisidores
Ela diria mais ou menos isso:

“Ei, Papa, você perdeu o controle
E eu te condeno
Pois assim me sinto superior,
escondendo a minha dor
Pois o senhor é o representante
de Deus na Terra
Enquanto eu sou o contraditório,
o estúpido que só berra
para chamar a atenção
Já que pouco aprendi sobre religião
Mas sei tudo sobre condenação
E te condeno sim, de todo o meu coração...
Com amor, eu, aquele que agora
se diz homem de bem

Amém”