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sábado, 24 de setembro de 2022

SOU DO NORTE, SOU FORTE, SOU RESISTÊNCIA

 


Vou dividir com vocês arte da minha história recente. A história de um nortista, artista e sonhador.
Os últimos dez anos da minha vida foram intensos e cheios de transformações. Vou pincelar algumas coisas que me vieram ontem à tona ao pensar na minha vida de 2012 pra cá.
Em 2012 eu encerrava uma temporada de sucesso em São Paulo. Meu solo Saída de Emergência chegava ao fim em terras paulistas.
Em 2013 comecei a trabalhar um material para um novo solo que se chamaria Risotril (e ainda fui a SP fazer mais um show). Poucos dias antes da estreia recebi um telefonema do meu padrasto. Lembro que eu estava finalizando a arte do meu show. Era por volta de 23h30. Ele pediu para que eu fosse até sua casa. Corri lá. E já o encontrei no chão do banheiro já sem o movimento das pernas. Ele havia tido uma trombose. Depois de uma madrugada intensa fomos ao hospital de manhã. E o diagnóstico foi confirmado: câncer de próstata em estado irreversível. Aquilo me abalou profundamente. O meu padrasto era uma pessoal de vital importância pra mim, principalmente na minha trajetória no RJ. E dessa sua ida ao hospital, que foi em setembro de 2013, ele permaneceu em uma cama até a sua partida em outubro de 2017.
Bom, muita coisa aconteceu nesse período. E digo que a sensação que me dava era que minha vida estava suspensa. Eu vivia, mas também era uma vida onde eu não estava em minha potência máxima.
Em 2014 terminei um relacionamento longo. E foi difícil pra mim. Mas nem consegui sofrer, porque achava que a situação do meu padrasto era algo mais importante do que sofrer por amor. No período da minha separação ainda fiz algo bem legal que foi participar da gravação do DVD comemorativo de 30 anos da banda Biquíni Cavadão. Ou seja, tive que me focar no trabalho. Sem tempo pra dizer: "Adeus, amor, foi bom".
Em 2015 voltei a dramaturgia, fazendo uma peça teatral chamada Talk Radio e foi algo bem legal de se fazer.
Em 2016 segui trabalhando, fazendo peças e meu show de humor. Até que no final do ano em uma apresentação no Ceará eu decidi que não queria mais fazer shows de humor (estava me sentindo um farsante). E principalmente não queria mais fazer a Pantomima do Bochecha (quadro que fez com que muita gente conhecesse meu trabalho, considerado um dos primeiros memes da Internet). E cumpri essa decisão. Sou bem firme nesse ponto. Achei que era o momento de buscar novas coisas, novos voos. Sempre tive pavor de me repetir.
Em 2017 escrevi uma cena chamada Amor em 8 Tempos e participei de vários festivais no RJ, tendo indicações em todos, como melhor texto e melhor ator. Essa cena nasceu da atmosfera que eu criei quando escrevi o livro "Enfim, Separados!" que foi lançado pela Amazon no mesmo ano. A cena, por outro lado, gerou um novo livro "Juntos para Sempre" (que lancei em 2018) e um novo show "O Amor É Um Grande Espetáculo" (que se apresentou duas vezes em Belém e uma no RJ).
Em outubro de 2017 veio a notícia dolorosa da partida do meu padrasto depois de 4 anos acamado. Ali eu disse: "agora é o momento de começar vida nova".
Em 2018 fiz uma grande revolução em minha vida. Em março me converti ao budismo. E me dediquei muito ao processo de mudança que eu queria em minha vida. E olha como a vida é louca. Terminei aquele namoro longo em 2014 e nunca mais tinha visto a pessoa. Eu a encontrei duas vezes no mesmo março onde iniciei a minha revolução pessoal. Ou seja, não existem coincidências na vida.
Eu mentalizei que queria fazer grandes trabalhos na TV e principalmente no cinema, e fiz. Fiquei ainda mais potencializado.
Em 2019 segui com minha fé e perseverança sempre em busca de desafios. E sou muito grato a muitos acontecimentos desse ano, principalmente por ter vivido uma relação bonita e leve com uma pessoa.
2020 veio com tudo e ainda era uma surpresa para todos. Mais uma vez o desejo de revolucionar. E acabei terminando uma relação um pouco antes da pandemia e saí de dois trabalhos porque minha intuição disse que não era aquilo que eu devia fazer naquele momento. Obedeço a minha intuição, afinal, eu a lustro para que ela me dê sinais.
Bom, veio a pandemia. Aí foi revolução em nível hard. Eu me dediquei a tantas coisas para me equilibrar, como Reiki, constelação familiar, thetahealing e meu daimoku potente (oração budista).
Resumidamente, eu me transformei mais ainda. Tudo meu passou a ser pra ontem mesmo. Em 2021 foi além dos meus limites. Como meu lema é "Só a vitória me interessa" eu fui um incansável soldado. Lancei 9 e-books pela Amazon. Fiz diversos projetos online, de leituras dramatizadas, cenas, mentorias, etc. Lancei dois solos "Eu, Clarice" e "O dia que Luka encontrou Camila". Tudo online. E fiz um projeto audacioso em homenagem ao Renato Russo: "Eu, Renato Russo", que acabou virando 4 partes de dois episódios cada uma. Loucura, loucura! E tudo numa velocidade estonteante. A equipe? Apenas EU. Foi extremamente cansativo, mas isso me potencializou muito.
2022 está aí. E já foram tantos ensinamentos. A volta das apresentações online, novela, série... E o principal é o que está acontecendo agora, o meu novo solo EU TINHA TUDO PRA DAR CERTO. Que nasceu em menos de um mês e é uma realidade. Graças ao convite da produtora Deise Reis.
Claro que resumi tudo. Porque a história é muito grande e cheia de detalhes. E aqui estou, grato a tudo, a cada ensinamento, a cada vitória, tropeço e recomeço.
Tudo meu é pra ontem. E só existe o agora. NMRK!
Eu precisava compartilhar isso com vocês.
Sinto-me leve e feliz.
E sim, eu dei certo!


sexta-feira, 25 de junho de 2021

Eu, Clarice - espetáculo homenagem a escritora Clarice Lispector

 



EU, CLARICE - de Raul J. Franco

SINOPSE: Em uma madrugada de pandemia, o personagem A procura um livro de Clarice Lispector: UM SOPRO DE VIDA (Pulsações) para lhe fazer companhia. O desespero começa quando ele não encontra o livro. A partir deste episódio, A começa a analisar a importância de Clarice em sua vida, bem como resgata alguns momentos em que se viu amparado pelas suas palavras. Curiosamente, Um Sopro de Vida é o livro de Clarice que foi lançado após a sua morte. Ela começou a escrevê-lo em 1974 e veio a falecer em 1977. Ponto de convergência: o personagem A nasceu em 1974. E só em 1989, ao ler O primeiro beijo & outros contos (uma coletânea de contos de Clarice), viu-se completamente alucinado por essa mulher. E sim, este é um monólogo sobre vida e o desejo de se permitir ser quem se é, sem medos.

Duração: 50 minutos

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O evento não tem patrocínio nenhum. Então, disponibilizamos diversos valores de ingressos para que o espectador escolha como colaborar.  

Após o espetáculo convidaremos todos abrirem a câmera e dividirem as suas impressões do que viram. Vamos promover este abraço virtual, já que é algo tão estranho não podermos contar com o afago presencial de todos. Mas persistimos, fazendo nossa arte!

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DE RAUL J. FRANCO:

Eu te convido a ver este espetáculo porque ele nasceu de uma maneira tão visceral, profunda e, ao mesmo tempo, espontânea. As palavras me escapuliram em plena quarentena e tive que dar vazão a isso. Era junho de 2020. Procurei e encontrei abrigo nas palavras de Clarice Lispector. E como essa escritora me deu tantas coisas importantes nessa vida, assim como um trampolim para gerar muitos entendimentos, eu quis dar a ela esse presente também e dividir com vocês uma jornada de paixão e entrega. Afinal, sempre percebi Clarice por dentro. E a vocês ofereço o meu interior justamente do meu quarto pro mundo. Estejamos despidos de medos e julgamentos para que a arte flua sem explicações racionais. O lema é: "vamos nos permitir". Sejam todxs muito bem vindxs!!!

Raul J. Franco

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Uma ideia na cabeça e um celular na mão



UMA IDEIA NA CABEÇA E UM CELULAR NA MÃO: 

O EXERCÍCIO DO OLHAR - por Raul Franco


Neste momento de pandemia tivemos que lidar com muitas coisas que não passavam pela nossa cabeça. De repente, estávamos assustados, inseguros e com medo, muito medo. Em casos extremos, pânico mesmo. Passamos a lutar pela nossa sobrevivência. Um turbilhão de emoções tomou conta de todo mundo. E com o isolamento social, a coisa ficou ainda mais intensa, principalmente internamente. Várias questões pintaram no meio do caminho: “O que faremos de nossas vidas?”, “Como conseguiremos dinheiro para pagar as contas se não saímos de casa?”, “O que posso fazer para manter a cabeça ativa e saudável?”. E, com certeza, a palavra de ordem foi: REIVENTE-SE! E isso fez muito sentido, principalmente para nós da arte. 


Antes, queriam colocar os artistas na categoria dispensáveis, sem utilidade nenhuma. E, então, veio essa loucura toda e mais do que nunca foi provado que sem arte não vivemos!!! Ela está aí para nos dá o lúdico, ajudar-nos a relaxar, a respirar algo que não seja tão pesado como a realidade que nos oprime. A arte é sim imprescindível! Se houver duas pessoas teremos essa necessidade da comunicação, de contar uma história, de emocionar. Se tivermos duas pessoas, teremos teatro, teremos arte! 


Essa explanação inicial é só para dizer com todas as forças que estamos mesmo vivendo um novo tempo, um tempo diferente. As aglomerações continuam sendo um grande problema, uma grande preocupação daqui pra frente. Imagine nós artistas que vivemos e precisamos dessas aglomerações, o nosso trabalho tem muito a ver com isso! Shows e teatro? Como podemos fazer isso de novo já que é tudo incerto? Não vai ser amanhã que todos lotarão os teatros novamente (aliás, o teatro já estava lutando com todas as forças para sobreviver e agora, mesmo com máscaras de oxigênio, ele mostra que é Highlander).  


Então, o que conseguimos ver no atual cenário? Muita gente procurando alternativas, meios de continuar fazendo arte. Muita gente pesquisando linguagens, experimentando coisas. O certo é que, se antes já vivíamos no celular, agora mesmo é que ele se tornou uma ferramenta mega-importante. Queremos boa Internet, bom aparelho, para que possamos fazer uso disso como auxílio de alguma coisa nova que pretendemos fazer e que pode ser um novo caminho pela frente. Então, teve gente que descobriu funções novas no celular que nem sonhava para que servia. E aí muita gente correu para o Zoom e outras plataformas similares para reuniões de trabalho, fazer peças e até comemorar aniversários. Fazer peças! Aí entra outra coisa que merece destaque. Algumas peças já estão se experimentando no Universo online. E muitos desses trabalhos já estão aí para serem apreciados. E aí veio a discussão em função dessa nova forma de se fazer teatro. Muitos dizem que não é teatro, que é outra coisa. E realmente não é teatro, mas também não é áudio-visual. É uma mescla de linguagens que ainda não entendemos o que é ou o que pode ser. Estamos no movimento e devemos ficar atentos a isso. Como artistas, não podemos deixar o bonde passar. Temos que nos agarrar nesses novos ventos para entender como é que vamos funcionar artísticamente. Como vamos potencializar o nosso ofício? Como vamos comunicar alguma coisa de arte para alguém do outro lado da tela? Sim, agora é a tela do celular que nos separa do público que está na plataforma do zoom, nas lives do instagram e do facebook, como também no youtube. Há uma “fome” de conteúdos artísticos que podem estar ao alcance dos dedos. Os nossos dedos correm no visor para dar conta das lives que surgem nessa nuvem comunicativa da Internet. 


Eu ando pensando muito essas formas de se fazer arte. De como continuar existindo como artista. E isso não tem me dado medo. Pelo contrário. Tem me desafiado dia após dia. Eu me forço a ter grandes ideias e a experimentar novas coisas - uso o que está ao alcance das minhas mãos para fazer o artístico que necessita sair de mim. 


Logo no início da pandemia, onde tivemos que ficar em casa, já me veio a ideia de lançar um livro de poemas pela Amazon. Coisa que eu fiz e que foi muito bem recebido pelos leitores. Depois comecei a fazer exercícios de dramaturgia, criando vídeos para um personagem que misturava a ficção com a minha vida. Assim nasceu RUBENS RAUL CAIO DA SILVA. Fiz três vídeos que variavam sobre este tema. Depois lancei um projeto de leituras dramatizadas online, o Curta a Cena, onde eu apresento textos meus e de uma parceira, a Carmen Filgueiras, em lives no Instagram. E foi e continua sendo muito interessante nos exercitarmos nesse sentido. Porque não só escrevemos o texto, como pensamos na sua concepção e na construção dos personagens que nós mesmos vamos fazer. É um super-trabalho. E que já rendeu frutos: duas coletâneas de textos foram lançadas na Amazon. E, no meio disso, ainda consegui participar do meu coletivo CLUBE DA CENA que se lançou em uma nova forma de fazer esquetes através de lives no Instagram, contando com a interação do público. Ficamos em cartaz de segunda a sexta durante dois meses, produzindo cenas. E eu ainda era o responsável por editar as lives e lançá-las no YouTube. 


O objetivo aqui, partindo dessas minhas realizações, é propor reflexões e diálogos sobre o que podemos ainda fazer. Então, muita gente já sentiu na pele e na marra a necessidade de reinvenção. Quem nunca tinha feito live, teve que saber como se faz isso. E não só live para fazer cenas, apresentar uma performance, mas lives para dar aula, fazer reuniões e outras coisas. A preocupação agora é se a bateria do celular está bem carregada, se há uma boa conexão e qual lugar é melhor para que o sinal fique mais estável. Sim, é um novo esforço, uma nova tensão. Um novo olhar para isso tudo que estamos vivendo.


Aí agora entra a abstração do título que usei para este texto. UMA IDEIA NA CABEÇA E UM CELULAR NA MÃO: O EXERCÍCIO DO OLHAR. Eu tenho visto muitas coisas artísticas online. Recentemente vi bons trabalhos que me instigaram e me levaram a profundas reflexões e ao exercício do fazer também. Já que quando vejo alguém realizando algo, penso: “Se a pessoa fez é possível que eu consiga fazer”. Vi um trabalho dirigido por um amigo meu, o Ivan Sugahara, que era na quina da sala dele. O espetáculo se chama NO INTERIOR. E é Uma pesquisa sobre a questão do isolamento, onde a atriz Danielle Oliveira trabalha movimentos interessantíssimos nesse espaço. E tinha uma luz que criava uma sombra especial na parede que dava uma ambientação muito propícia ao que a atriz discutia. E também ouvíamos sons gravados da voz que faz a narração praticamente toda do que acontece nesse espaço cênico. Estou falando muito en passant aqui para dar conta de tudo que eu quero e preciso falar. Vou prosseguir, qualquer coisa retomo este viés aqui lançado. 


Vi trabalhos com processos dos artistas sendo divididos conosco. O que foi o caso do Coletivo Complexo Duplo, do Felipe Vidal, que está em pesquisa em cima do álbum Dois, da Legião Urbana, que foi lançado em 1986. O primeiro episódio foi lançado no YouTube e acompanhamos coisas do processo que já estavam gravadas e que foram divididas ali conosco no momento em que ocorria a live. Isso também foi o que aconteceu no trabalho do Ivan com a Danielle que foi um encontro no Zoom onde eles davam um link do Youtube para vermos o espetáculo NO INTERIOR, que foi gravado em plano sequência, isto é, não tem cortes. E o Ivan até se arrisca a chamar este trabalho de “peça-metragem”, ou seja, acenando para a possibilidade de se cunhar um termo que dê conta desse novo movimento. O que digo aqui - procurando dar ênfase neste momento - é que não se trata de uma execução em tempo real (e talvez é isso que determina o que é ou o que não é teatro? Mas mesmo se a performance for executada ao vivo não teremos pessoas assistindo no mesmo espaço… Então, isso não pode ser um ato teatral? Questões, questões…). 


Agora um trabalho que me deixou profundamente tocado e inspirado, foi o trabalho do ator Marrat Descartes, que se chama PEÇA. Vi por acaso a divulgação em um link patrocinado no Instagram e resolvi conferir porque estou cada vez mais voltado para saber sobre esses trabalhos feitos de uma forma pulsante e com a necessidade de comunicar algo. E o trabalho de Marrat é incrível. Fora que, de cara, ainda ficamos sem saber o que está sendo ao vivo mesmo e o que foi gravado. Porque poderia ser uma pegadinha isso de dizer que é ao vivo quando, na verdade, já foi gravado e está passando em uma live. (Isso não é engraçado e curioso? - um gravado passando numa live?!) Mas, quase tudo que o Marrat faz em sua peça PEÇA é ao vivo. Algumas inserções de vídeos acontecem, e, vale dizer, de uma maneira como todos nós fazemos, já que o desktop é mostrado e a seta vai e clica no vídeo que vai passar na hora. E o trabalho é potente, vigoroso, porque é uma mescla de acontecimentos da própria vida do Marrat com coisas ficcionais ou reflexões do tempo em que vivemos. Não quero falar mais para não dar spoiler, caso vocês consigam ver a peça que, literalmente, chama-se PEÇA, que é a designação de uma obra a ser apresentada como também o ato de pedir: PEÇA. Interessante! 


Ainda tinha algumas outras referências para citar de coisas que ando vendo. Mas o que importa aqui é ser mexido por tudo isso e nos provocar diante desta iminência de realizar algo neste tempo repleto de incertezas. Por isso, digo: se temos uma ideia na cabeça, é só pegar o celular e pensar em como executar esta ideia. Daí o destaque para o exercício do olhar. Por exemplo, agora que fomos obrigados a ficar em isolamento social, as nossas casas, pra quem faz arte, viraram locações. Cada espaço pode ser um local a ser explorado, já que tivemos tempo para olhar para isso com calma. Eu tive a sorte de me mudar em dezembro do ano passado (GLÓRIA, GLÓRIA!!!). Então, como me obriguei ao isolamento a partir do dia 14 de março, pude passear pelo ap novo, já que ele ainda é “virgem” para mim, e descobri-lo por inteiro. E pude fazer algumas filmagens aqui através do celular. Aliás, é a primeira vez na vida em que uso o celular para fazer todos os processos da etapa de criação. Filmo, edito e lanço para o mundo os meus vídeos através do celular. Isso me fez ganhar tempo em muitas coisas. Porque antes eu até gravava com o celular. Mas na hora de editar era pelo computador, assim como postar nas redes sociais. Hoje faço tudo pelo celular. 


Então, comecei a provocar o meu olhar cinematográfico. Fiz alguns trabalhos que já são em cima desse olhar mais apurado. Assim nasceram os vídeos: Das Plantas, Saudade sobre tela, Você é especial e o último: LIVE OU MORTE? E em cada um fui sofisticando alguma coisa. Fui exigindo uma melhora em termos de captação, iluminação, gravação do áudio e interpretação. Afinal, são vídeos de um homem só. Eu escrevo, eu interpreto, eu posiciono o celular, ajeito os refletores, penso nas locações, etc. Ou seja, é um imenso movimento. Tenho criado ondas enormes aqui na minha casa.


Fora o meu trabalho também de pantomima que faço há 13 anos. Só que aí é só (?) ensaiar os movimentos, os gestos em cima da música e depois vê onde vou gravar e posicionar o celular de modo que capte o que quero mostrar. Nesse trabalho de produção de vídeo-performance, já é um exercício de corte cinematográfico, de pensar na narrativa que vou usar. De fazer storyboard, de experimentar como fazer alguma coisa, pensando se vai ser possível. Ou seja, tudo em casa! Isso, com certeza, esse tempo me deu a oportunidade de experimentar.  


Brinquei há pouco tempo, perguntando em um stories o que as pessoas tinham aprendido de novo nesta quarentena? Eu digo que não aprendi muita coisa nova, porém, eu aprimorei e aperfeiçoei várias coisas que eu já sabia. E ainda estou aprimorando. E tudo começou quando eu quis criar e filmar coisas, pensando em editais que estavam surgindo e também festivais. Mandei alguns vídeos para essas oportunidades. Dois deles já participaram de festivais. E o negócio é continuar fazendo. Porque o exercício do pensar e refletir sobre linguagens, formas de execução de um trabalho novo, pode nos fazer descobrir ainda mais o nosso potencial para coisas que não imaginávamos que poderíamos fazer. E é isso que devemos ter como regra da nossa conduta como artistas: SEMPRE NOS REINVENTAR! Porque se você estava se preparando há muito tempo, agora é hora de pôr em prática tudo aquilo que você vinha acumulando e só faltava espaço e oportunidade para fazer e acontecer. A HORA É AGORA! A HORA É JÁ! CRIE E SE RECRIE DENTRO DISSO TUDO QUE É NOVIDADE! Você pode ver que há muito ainda por fazer! E melhor! E diferente! Mão na massa!!! 


P.S.: Com certeza no tempo de leitura desse texto, 239 dancinhas novas foram criadas no TikTok e também 332 reels foram criados para o instagram. Então, corra e realize o seu propósito. 


sexta-feira, 8 de maio de 2020

AMAZON / YOUTUBE



DESABAFO/AJUDA

Como artista, em grande parte, somos autônomos. Precisamos estar em filmagens, gravações, etc. E agora está impossível isso devido a questão do isolamento necessário para não se propagar o vírus. Então, não podemos também fazer nossos shows, eventos, etc. Ou seja, vamos buscando formas de sobreviver nesse tempo tão difícil para todos.
Aí, de cara, fui para os meus “ambientes” online onde funciono e posso dar prosseguimento a minha arte. Mais do que nunca estou ativo em meu canal do Youtube, onde, de vez em quando, eu recebo uma graninha (por isso, a constante divulgação dos vídeos via whatsapp, messenger, e-mail, etc). E também fiquei mais ativo na Amazon, através dos meus livros. Recentemente lancei dois e-books: Poemas para se ler na quarentena (volume 1) e Poemas para se ler na quarentena (volume 2). Para minha surpresa, o Volume 1, em cinco dias, alcançou a marca de 739 downloads. E, conferindo o meu gráfico, vi que em um mês tive 1787 leituras pelo Kindle. Uau! Fiquei muito feliz.
Agora vamos a parte chata.
Recentemente ganhei um dinheiro do YouTube. Aí você se sente mais motivado, quer divulgar mais o canal, etc. Inclusive, recentemente, bati a minha meta, que era ter 4000 inscritos no canal. Mais feliz fiquei. Só que algumas coisas começaram a acontecer. Então, um vídeo meu que alcança, por exemplo, em um dia 200 views, quando confiro no dia seguinte eu o vejo com 189 views. Como pode? Ou seja, o YouTube “come” visualizações? Parece que eles dizem: “Recebeu um dinheiro nosso, né? Acha que vai ser fácil? Agora vamos complicar”. Eita!
Agora vamos a Amazon. E eu feliz com o sucesso de ver meus livros circulando, inclusive, outros e-books estão sendo baixados. Aí, você pensa: “Que bom, agora vai”. Mas recebo um e-mail da #Amazon que diz: “Olá, durante nossa análise, encontramos conteúdo em seu livro disponibilizado por outro autor/editora. Precisamos que você confirme seus direitos de publicação antes que o livro seja disponibilizado na Amazon”. Detalhe: esse livro foi lançado pela Amazon em 2017. É o “Enfim, separados!”. Nunca houve problema nenhum. E também nunca teve tantos downloads, até porque o meu foco era no livro físico. E o livro é meu e não foi lançado por editora nenhuma. É autopublicação. Ele foi, no máximo, colocado também em outra plataforma que é o Clube de Autores, que disponibiliza em diversos locais na Internet. Aí a Amazon me pede possíveis documentos da editora que me faça ter os direitos de publicar em outro local, etc, etc, etc. E não tem editora nenhuma. O livro é MEU! Estranho é que nunca tive problema nenhum esses anos todos. E agora que começo a vender por lá, aparece-me isso! Estranho mesmo! Mandei e-mail para Amazon e até agora não obtive resposta. Observação: o e-book continua à venda, mas não consigo alterar nenhum detalhe dele. E agora vi que o Poemas para se ler na quarentena também está meio que indisponível para alterar detalhes. Que situação!
Bom, o que acontece é que não são esses obstáculos que vão me parar. Vou prosseguir obviamente.
Então, vou bombardear isso tudo até escancarar novas portas. E o que peço a vocês: Quem ainda não se inscreveu em meu canal do youtube, por favor se inscreva. Vamos mostrar ao youtube quem é que manda aqui.
Segue link (batemos 4035 inscritos). É bem fácil. Só clicar em inscrever-se.


E aqui está o link para o meu e-book POEMAS PARA SE LER NA QUARENTENA



segunda-feira, 27 de abril de 2020

Minha Quarentena de Antena Ligada - Raul Franco



Nesta quarentena resolvi fazer algo diferente... (risos). É verdade. Virei quase uma Luísa Marilac da quarentena, querendo revolucionar. Um processo interessante e delicado em pleno estado de alerta mundial. Segura aí, que vem a explicação.

Eu já estava em um processo muito intenso de autoconhecimento, buscando meditação, mindfulness, thetahealing e yoga. Uma verdadeira salada para realizar uma grande transformação em minha vida. Não queria pouca coisa, queria o algo maior. Aí veio o Corona Vírus lá da China pra dizer: “Olha, tô chegando, melhor vocês se esconderem. Senão, bau bau...”. Sim, ele disse bau-bau ou alguma coisa em chinês que eu não entendi direito. No entanto, ficou claro que o bicho ia pegar. Então, pensei: “Calma, pára, respira, reflete e não pira”, meu mantra de salvação. Comecei a ver que eu já estava fazendo algo profundo por mim. Eu já estava fugindo de muita coisa pra dentro de mim. Então, com esse episódio, acabei vendo que não era o fim, mas a chance de me desafiar cada vez mais. Ou seja, eu não estaria mais só procurando estar dentro de mim. Mas estar dentro de mim dentro da minha casa.

E tudo se deu em uma data simbólica. Sexta-feira 13! Saí à noite (mal eu sabia que seria a última que eu daria as caras em festas) para comemorar o meu aniversário, que foi dia 14/03. Então, eu estava na rua para celebrar o início de um novo ciclo. Beijos, abraços, apertos de mãos (os últimos desses dias). E agora viria a clausura. Ok, tudo bem, afinal sou peixes. Basta eu pensar que realmente estarei no meu aquário particular. Huuum, melhor dar uma aquecida na água, porque dizem que calor não é o forte deste Corona aí. Tem que pensar em tudo, não dá pra vacilar.

Estando no aquário, agora eu teria que organizar as tarefas. Por incrível que pareça, nunca me vi tão organizado. Com hora para acordar, para produzir, para meditar, orar e bater panela (ainda temos isso em plena quarentena).

Como tudo coincidiu com este meu momento especial de autoconhecimento, eu acabei mesmo pensando que a lembrança que eu quero ter dessa quarentena (e que não tenham outras) é de um momento de escolha. Como se, em um momento difícil, não só para o Brasil, mas para o mundo, eu tivesse resolvido fazer um grande processo de cura. Então, mais a frente, quero olhar pra trás, depois que tudo estiver resolvido e as pessoas estiverem em paz e melhores, e sem Corona Vírus, e poder dizer: “Olha, naquele momento de quarentena, eu quis revolucionar a mim. E, curiosamente, a própria situação em si revolucionou as pessoas. Não seremos jamais os mesmos daquele momento. Porém, ele foi realmente importante para que algo em nós definitivamente mudasse”.

Em suma, afirmo que esta quarentena definitivamente não está sendo um problema. Está sendo uma missão! Que vençamos, então!

sábado, 16 de setembro de 2017

Momentos do Amor em 8 tempos no festival de cenas curtas Niterói em Cena









Cena: AMOR EM 8 TEMPOS
Texto: Raul Franco
Direção: Carmen Frenzel
Com: Raul Franco e Gizzela Mascarenhas.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A Arte em Mim - Por Raul Franco


Sempre brinquei, dizendo que se eu fosse só ator já teria desistido há muito tempo. Não desmerecendo o trabalho do ator, pelo contrário. Mas entendendo a trajetória árdua e as dificuldades da carreira. 

O prazer de ser ator é algo que não consigo explicar em palavras. E tenho muito carinho por esse trabalho. Tanto que me dedico a ele há mais de duas décadas. É claro que depois que vim morar no RJ - e lá se vão 17 anos - a dedicação passou a ser total. Eu, paraense nato, que já fazia teatro em Belém desde 1984, quando encenei o Saci Pererê no meu colégio, vim para a Cidade Maravilhosa buscar espaço onde eu pudesse mostrar a minha arte.

Logo que cheguei por aqui, o objetivo era poder estudar, aprender técnicas, me aprimorar. Não queria que meu trabalho de ator fosse apenas intuitivo. Uma carreira não pode se enfiar apenas nisso. E eu queria poder ver todas as peças que estavam em cartaz. Para ver o que estavam fazendo, aprender com o olhar. Minha sede de espectador era enorme. E tive a sorte de em 4 dias de Cidade Maravilhosa estar ensaiando um infantil com uma galera jovem. 

Pois bem, isso é o começo, ou melhor, quase o começo de tudo. Então, retomo o frase que falei no início do texto: "se eu fosse só ator já teria desistido há muito tempo". Aí entra minhas outras funções. Porque sempre pensei na arte como forma de me expressar, dizer o que eu estava sentindo. Minha ligação com meu ofício vem de uma necessidade absurda de comunicação. Aí entra o autor. Porque sempre escrevi meus textos. O primeiro poema veio com 11 anos. Depois veio a adaptação de textos lidos em sala de aula para o teatro. E não parei mais. 

Agora um parêntesis importantíssimo. Quero contar algo que fiz. Eu já roubei. Sim, roubei. Mas não me condenem. Eu era criança. Sei que foi um ato inocente. E preciso desabafar aqui. Uma vez fui a uma livraria com a minha mãe. Não sei se o ano era 1984 ou 1985. Eu devia ter 10/11 anos. caminhando com ela, passei por uma sessão de livros infantis. E tinha um livro que era uma fábula. E uma coisa que achei curiosa é que vinha junto desse livro uma versão em formato de livrinho com a mesma história. Eu tirei do plástico. E não resisti. Aquilo me convidava para um roubo. Era tentador. Sei que, de repente, eu poderia pedir para minha mãe comprar, mas aquilo tinha cara de brinde. Coloquei no bolso e saímos da livraria. 

Eu li o livro. E melhor ainda, gostei tanto da história que resolvi fazer uma peça. Não lembro bem o nome do livro. Mas contava a história de um rei que não tinha orelha. Eu reuni os meus amigos do colégio. Começamos a ensaiar. E um dia, quando a peça estava pronta, eu pedi para a professora para apresentar no finalzinho da aula. Coisa que depois passei a fazer com frequência. Meia hora final da aula era reservada para as minhas peças. E assim comecei a criar. 

Ufa, depois desse desabafo, que eu espero que vocês tenham me perdoado, prossigo na minha história.

O trabalho do autor sempre foi forte na minha vida. Comecei brincando de adaptar para o teatro os textos que eu achava legal. Na faculdade foi a mesma coisa (eu me formei em Ciências Sociais). E escrever pra mim é quase como uma função vital: respirar. Nunca me vi sem escrever. E isso complementa bastante o meu trabalho de ator.

Algumas vezes que foi difícl viver como ator, o autor me ajudava a sobreviver. No meu segundo ano de RJ consegui montar o meu primeiro texto para os cariocas verem. Tratava-se do Casal Consumo - que sempre digo que foi o texto que me ensinou a escrever para teatro, porque ele tem várias versões e sempre eu estava modificando alguma coisa. Era escrever e experimentar em cena. Comecei a fazer a peça em 1998 e só fui parar de fazer em 2005. Em 2013 ela ganhou nova versão em SP, com o nome de Amor, Brigas e Novela das 8.

E além do trabalho de autor, ajudando no trabalho do ator, tem o meu trabalho de diretor. E essa trinca pra mim sempre foi fundamental, me ajudando a ver a arte de uma maneira global. Em Belém eu já dirigia minhas coisas desde o tempo do colégio. Na Faculdade de Ciências Sociais prossegui. E no Rio, no meu segundo ano, eu já estava dirigindo o Casal Consumo. E sempre procurei conciliar essas 3 funções. E com o trabalho de diretor, eu aprendo muito em relação a atuação. Ou seja, é uma forma de eu olhar para o ofício do ator, estando em outro plano.

E para arrematar isso tudo, vem o que eu aprendi de produção. Afinal, para montar minhas próprias coisas, tive que meter a mão na massa e aprender a produzir na marra. Muitas vezes foi necessário produzir para continuar trabalhando. Porque nunca fui o tipo de ator que espera um telefonema de alguém, oferecendo trabalho. Sempre pensava naquilo que eu queria fazer e corria atrás. E assim segui na carreira.

Muita coisa, né? Isso porque estou falando de modo resumido. Mas vocês viram que acabei circulando em muitas funções para dar prosseguimento ao meu trabalho no campo da arte. Como ator, produtor, diretor e autor. É claro que em vários momentos, fiquei mais em uma função. Uma época eu dirigia mais, em outra, atuava mais. Escrevendo e produzindo sempre. Quando eu estava mais dirigindo, alguém me ligava para chamar para um trabalho de ator e dizia: "Vem cá, Raul, você ainda atua ou só dirige agora?" E eu sempre achava a pergunta boba, porque pra mim era impossível pensar em não atuar. Faz parte da minha vida. Não é uma aventura. 

Agora pra complicar um pouco ou até dar mais elementos para a discussão da minha arte, a partir de 2005 eu enveredei para o trabalho da comédia e potencializei o comediante que havia dentro de mim. Comecei a fazer shows de humor, que é completamente diferente de uma peça de teatro. Montei minha própria companhia, Os Fanfarrões, e não parei mais. E até como comediante, não tenho uma linha única de trabalho. Faço stand up comedy, personagens e pantomimas. E o humor físico se tornou uma marca do meu trabalho. E tudo isso vira a loucura que eu sou. Porque penso em piadas o tempo todo. Penso em músicas engraçadas. Penso em gestos que posso fazer em determinadas cenas. E isso me instiga e alimenta. 

Gosto muito do que eu faço. E não consigo me ver, fazendo apenas uma coisa. Gosto dessa pluralidade da arte. Porque tem a ver com a minha personalidade também. Às vezes, eu mesmo me pergunto se sou mais ator ou comediante. Porque outra coisa que é peculiar no meu trabalho é que faço comédia e também faço drama. E acredito que circulo bem entre esses dois gêneros. O que é raro. E sempre procurei também fazer as duas coisas. para não perder a veia de cada um dos gêneros. 

Em 2014 vão estrear alguns novos textos meus. Dirigidos por outras pessoas. Eu devo dirigir uma nova peça. Devo, em breve, circular com o meu show Risotril. E quero matar a saudade de estar no teatro, fazendo uma peça como ator. E sei que vou conseguir. Minha alma tem sede.

Mas é isso! Como diria Renato Russo, busque informação sempre. Se você é artista, procure saber sobre tudo. Leia bastante. Porque livros devem nos instigar e nos ensinar outros mundos. Cultura nunca é demais. E, obviamente, tenha um pouco de sorte. Abraços!

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

De volta!!!

Espanando a poeira e o mofo do blog.

E afinal, alguém ainda lê blog com textos? Ou uma imagem fala mais ainda?

Quando criei o primeiro blog, a ideia era postar os meus textos, como forma de guardá-los em um lugar seguro. Depois, acabei perdendo o primeiro blog porque fiquei sem postar um tempo e era um blog que passou a ser só para assinantes depois, não sei, não lembro. rsrs

Este me deu muitas alegrias. E achei que seria legal retomá-lo só para ele não ficar tão abandonado.

E hoje estou fazendo esta retomada.

E posto algo que, para bons entendedores, será claríssimo.

*.*



Pra mim a base do ator é e sempre será o teatro. Ele te dá grandiosas ferramentas para exercício do ofício.

Por isso acho bem estranho quando um jovem ator de TV vai dar entrevista e diz que não gosta de teatro, que ele não o apetece.

Então, o essencial do ator ele não curte. 

Isso pra mim não tem sentido!

Acho que sou bem purista! E defendo o que acho que é fundamental para o nosso trabalho.

*.*

Volto em breve, galera!!!


sexta-feira, 26 de abril de 2013

Notas sobre um processo criativo!!!


CRIAR 

o ato da criação envolve sofrimento. mas você tem que partir pra cima e ter o domínio das coisas.

é cansativo. desgasta. mas é como se morrêssemos por algo maior. morrêssemos em prol da arte...


O CURTA


Uma breve história sobre algo que estou fazendo

Muito feliz de ver como as coisas vão acontecendo. Um dia, em um bar, eu disse para a Adressa Koetz: "A gente vai filmar alguma coisa junto". E batemos com as mãos. 

Raul Franco e Adressa Koetz
E quando eu faço um pacto com alguém, eu cumpro.

Uma vez também, fiz um trabalho com o Aldo Perrotta e pensei: "Gostei desse cara. Quero fazer outra coisa com ele". Um cara talentosíssimo, boa pessoa e divertidíssimo!

E o Alair Ferreira foi um cara que conheci em um trabalho que eu fazia. Depois montamos um quadro do Menudo que era engraçadão. rsrs Coisa de loucos.

E tem a minha namorada também: Bárbara Campos, de quem sou fã. Ela vive de fotos, fotos, fotos. rsrs Pensei: ela tem que explorar isso de outra forma. Pensar em fotografia de cinema, sei lá. E quando você namora muito tempo alguém, você tem que ter outros projetos com a pessoa para não cair na rotina. rsrs E a gente sempre inventa alguma coisa. Ela me alimenta de todas as formas. E aguenta o meu mau humor nas horas em que estou tenso. 


Raul Franco e Bárbara Campos
O que sei é que nesses seis dias de filmagens loucas a gente vai pensando em tantas coisas. Vai transformando o olhar, vai aprendendo, principalmente da forma que foi. Eu com o meu diário, pensando em coisas. Dormindo tarde, pensando no filme. Reescrevendo cenas, pensando em novas. Sem parar em nenhum momento.

E as coisas são difíceis. O bom é quando temos amigos que vão estar junto contigo no sonho. E vão acreditar no que você propõe. E no meio do caminho sempre tem algo que vai dar errado. E o bom é quando as coisas se acertam por si só. Como, por exemplo, a entrada do Alair no filme. Um outro amigo meu ia fazer. Mas não pode no dia que marcamos a filmagem. Estávamos sem ator. E, de repente, no dia de uma outra filmagem, encontro o Alair e falo do filme. Ele se empolga e diz: "Gostei desse personagem". Pronto, não deu outra. Foi ele quem fez.


Aldo Perrota
Com o Aldo foi a mesma coisa. Eu tinha falado com um amigo e ele também não pode. Logo pensei no Aldo. E eu sabia que as cenas que ele faria, uma delas o começo do filme, seria a última coisa que iríamos fazer. Eu queria assim. Queria trabalhar a construção do personagem Ana, da Adressa. E ela se jogou de cabeça. Com certeza, foi algo que foi se construindo muito mais por esforço dela. E eu fiquei feliz, muito feliz de ter escolhido a pessoa certa. 

Tem também a cantora Yanna que a Adressa falou que podia fazer ou propor alguma coisa musical para o filme. Mandei o roteiro e algumas montagens brutas do filme para ela ter uma ideia. Ela não me retornou. Pensei: "Não gostou". Aí em um outro dia, almoçando com Adressa e Bárbara, falo com Yanna e ela diz que só depois viu que meu e-mail estava no spam. Coisas internéticas! rsrs Mas no papo senti uma energia muito boa e vi que algo podia fluir.

O filme tem outras duas músicas que eu não podia abrir mão. O filme nasceu das imagens que elas me passavam. // Não conseguimos nos encontrar com Yanna. Mas a Adressa me deu um CD dela. E eu fui ouvir, já pensando na pessoa astral com quem falei ao telefone, torcendo para gostar das músicas. E adorei o CD. Uma das músicas acabou meio que virando o tema do filme. Conselho: ouçam essa cantora. 




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Virei a noite trabalhando. Estou esgotado. E ao mesmo tempo embasbacado com a cena que fizemos ontem. De uma delicadeza e de um humor sem igual. E conseguimos o resultado. Quase que ela fica fora da montagem do filme que fiz ontem Afinal, o filme já estava enorme e ainda faltando cenas que não filmei. Mas como sou teimoso, lá pelas 5h resolvi montar tudo de novo. Eu queria ver se eu conseguia comunicar o que eu pensei quando escrevi o roteiro. Fiz o trabalho. E tombei no sofá. Ainda não vi como ficou. Espero gostar quando eu for ver! rsrs

Com certeza, isso pode não ser a melhor coisa que farei. Mas por hoje foi o melhor que eu tinha a fazer. (E já quero novos dias de filmagem. Quero almoçar, falando de cinema. Quero ver filmes com a galera).

E digo: façam o que vocês pensam. Tenham amigos e sonhem junto. Vão em frente! Alguma coisa boa pode acontecer.

Essa é a minha vida. Esse é o meu filme. rsrsrs

Em breve!


Bárbara Campos, Raul Franco, Adressa Koetz e Alair Ferreira

Depois de um mês eu ressurjo...

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Quando eu viajo, fazendo shows, sem parar, sempre me surgem uns insights no meio do caminho...

Esse me veio dentro de um avião de São Paulo para o Rio de janeiro.

E acho que é algo muito claro que me veio de primeira. Durante um tempo fiquei com esse escrito rodando pela minha casa. Só agora passei para o computador. Espero que curtam.
QUEM DISSE QUE SERIA FÁCIL?
(escrito dentro de um avião)

Às vezes, eu olho pra trás e vejo escritos do meu diário inexistente.
Às vezes, eu me olho no espelho e penso: "Nossa, você envelheceu, hein?"
Às vezes, penso se ainda há tempo de prosseguir no sonho. 
Penso nas coisas que eu queria fazer antes dos 40. Penso nos 30 que já se foram. Penso no meu filho repetindo o que eu já fiz.
Tento, como tento buscar o sabor da primeira vez. Se não tiver o sabor exato, pelo menos algo que se aproxime.
Quando ficamos velhos, acho que os medos aumentam. De uns tempos pra cá, percebi alguns medos em mim. Nunca tive medo de morrer. Hoje tenho.
Sinto tanto temor pela aproximação da minha morte. Mas controlo o temor para que ele não atrofie os músculos da audácia.
Às vezes, eu me olho no espelho e digo: " Você se empenhou muito nisso. É só questão de tempo!"
Às vezes, não penso em nada. Tento relaxar do medo de não darem certo os planos.
Às vezes, me comovo com uma criança que corre e tropeça e cai no chão e chora e a mãe corre também para socorrê-la. 
Se eu cair agora, quem vai me socorrer?
Então, eu sonho!
Afinal, quem disse que seria fácil?

*Raul Franco 2/09/2012