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quarta-feira, 23 de setembro de 2020
Meus livros de amor
quarta-feira, 16 de setembro de 2020
+ ou - ISSO - Poemas do voo e da queda
Antes da quarentena eu pensava em fazer o terceiro livro da minha
Trilogia do Amor.
Eu estava escrevendo aos poucos os contos que estariam no livro.
Mas, a partir de março de 2020, tudo mudou.
Veio o medo e muitas incertezas.
Obrigatoriamente, deveríamos ficar em casa.
Então, um dia me veio um insight
de organizar um livro de poemas para lançar na Amazon.
E fiz. Criei o "Poemas para se ler na quarentena"
e o disponibilizei na plataforma.
Para minha surpresa, em cinco dias, teve 739 downloads do livro digital.
Muitas pessoas vieram a mim, comentando o livro.
Detalhe: o primeiro livro que lancei na vida foi um livro de poemas.
Sempre escrevi poemas, mas já não pensava
em fazer um livro para compartilhar
esses poemas. Isso me veio mesmo na quarentena.
Então, por conta do sucesso do primeiro livro lançado,
fiz o segundo: Poemas para se ler na quarentena Volume 2.
E desde março, eu passei a escrever compulsivamente,
como se realmente não houvesse amanhã (risos).
E a ideia era poder lançar muito mais coisas.
Passei a organizar uns poemas, pensando na trajetória da minha vida.
Um livro que desse conta das minhas alegrias e dores.
E isso me veio mais forte quando fiz uma Constelação Familiar online.
Algo muito profundo e revelador.
Os assuntos logo pipocaram na minha cabeça.
Peguei um caderno e estabeleci uns tópicos e saí escrevendo.
Quando a coisa foi ganhando forma, entendi que eu não escrevi o livro,
foi ele que me escreveu.
Nos momentos em que eu sentava para criar algo,
logo me vinham muitas lágrimas.
Foram dias intensos. Eu escolhia momentos para vir esta catarse.
E me jogava nela, sem receio e sem pensar em pára-quedas
ou redes de proteção.
Simplesmente me jogava. Queria entender até onde ia todo esse processo.
E quando olhei os poemas que selecionei para este livro
que eu ainda não sabia o que era, vi que eu estava falando
claramente da minha vida, dos meus pais, do meu passado, do amor…
Fiz um exercício de resgate de muitas coisas.
Foi mesmo um livro feito com lágrimas e reencontros.
Eu fui lá onde a ferida doía para libertá-la.
Curiosamente, vieram-me imagens de montanhas, índios, fogueiras.
Eu não entendia o fluxo disso mas deixava vir e, ao escrever,
foi quase como se eu estivesse psicografando.
E quando eu terminava este processo, realmente
vinha uma sensação de esvaziamento.
E eu me jogava no sofá e ficava olhando o teto.
E, de cara, pensei: qual seria a razão disso tudo? o que me motivou?
o que eu pretendo com isso? Logo tive a certeza de que escrever
já foi o mais importante do processo todo, independente
do que isso viria a se tornar.
E foi a minha versão dos fatos…
Os fatos da minha vida, única coisa que me pertence profundamente
e não é de mais ninguém. Algumas pessoas dividiram coisas comigo
ao longo da minhas existência, mas não tem conhecimento
do todo que eu vivi.
Podem ter uma vaga ideia. No entanto, o todo pertence a mim.
Então, como foi tão profunda e tão dolorosa algumas passagens,
eu já sonhava que muitas pessoas pudessem ler este livro
que me foi tão importante fazê-lo.
Tanto que, imediatamente, pensei no título: “Para quando eu me for”.
Parecia algo bem sério e quase como um legado.
E, afinal, também tinha a ver com essa coisa da brevidade
que nos veio tão forte e tão óbvia a partir das mortes
por conta de um novo vírus.
E isso me fez pensar também na década de oitenta e na Aids.
Por isso eu me voltei para Cazuza e toda a sua urgência em função
da sua condição de soropositivo.
Eu me fiz urgente. Eu me desafiei de todas as formas.
E esse livro só foi possível levando em conta a minha maturidade.
É um resgate importante, primordial, que promoveu
a reconstrução de um ser,
o meu ser em particular.
Foi preciso silêncio e o esvaziamento necessário
para se começar a auto-investigação.
Então, eu me espremi para (re) nascer em versos.
E eu falo da minha vida de forma que possa servir a alguém
que se identifique com os processos.
Porque é um livro que fala da família, da mãe, do pai, dos avós.
Um livro em que olho as minhas raízes e entendo o movimento
que me levou pelas minhas caminhadas.
Em resumo, é + ou - isso. O título do livro que já fala por si
- substituindo a ideia inicial
de “Para quando eu me for”.
E fiz questão de usar os símbolos “+” e o “-”,
pensando nas polaridades de uma pilha.
A carga negativa e positiva. Uma verdadeira metáfora da vida.
E o subtítulo também nasceu de forma bem apropriada:
Poemas do voo e da queda.
Então, ficou “+ ou - isso - (Poemas do voo e da queda)”,
de autoria desta pessoa que vos escreve.
Agora estou leve, muito leve, depois de lançar este livro ao mundo.
Espero que chegue a alguém,
porque sinto como se fosse a garrafa de um náufrago jogada ao mar.
Pode demorar a chegar, mas vai chegar a alguém.
Agradeço a quem, por ventura, o livro chegar.
É uma parte importante da minha pessoa. Com toda certeza!
sexta-feira, 26 de abril de 2013
CRIAR
o ato da criação envolve sofrimento. mas você tem que partir pra cima e ter o domínio das coisas.
é cansativo. desgasta. mas é como se morrêssemos por algo maior. morrêssemos em prol da arte...
O CURTA
Uma breve história sobre algo que estou fazendo
Muito feliz de ver como as coisas vão acontecendo. Um dia, em um bar, eu disse para a Adressa Koetz: "A gente vai filmar alguma coisa junto". E batemos com as mãos.
| Raul Franco e Adressa Koetz |
Uma vez também, fiz um trabalho com o Aldo Perrotta e pensei: "Gostei desse cara. Quero fazer outra coisa com ele". Um cara talentosíssimo, boa pessoa e divertidíssimo!
E o Alair Ferreira foi um cara que conheci em um trabalho que eu fazia. Depois montamos um quadro do Menudo que era engraçadão. rsrs Coisa de loucos.
E tem a minha namorada também: Bárbara Campos, de quem sou fã. Ela vive de fotos, fotos, fotos. rsrs Pensei: ela tem que explorar isso de outra forma. Pensar em fotografia de cinema, sei lá. E quando você namora muito tempo alguém, você tem que ter outros projetos com a pessoa para não cair na rotina. rsrs E a gente sempre inventa alguma coisa. Ela me alimenta de todas as formas. E aguenta o meu mau humor nas horas em que estou tenso.
| Raul Franco e Bárbara Campos |
E as coisas são difíceis. O bom é quando temos amigos que vão estar junto contigo no sonho. E vão acreditar no que você propõe. E no meio do caminho sempre tem algo que vai dar errado. E o bom é quando as coisas se acertam por si só. Como, por exemplo, a entrada do Alair no filme. Um outro amigo meu ia fazer. Mas não pode no dia que marcamos a filmagem. Estávamos sem ator. E, de repente, no dia de uma outra filmagem, encontro o Alair e falo do filme. Ele se empolga e diz: "Gostei desse personagem". Pronto, não deu outra. Foi ele quem fez.
| Aldo Perrota |
Tem também a cantora Yanna que a Adressa falou que podia fazer ou propor alguma coisa musical para o filme. Mandei o roteiro e algumas montagens brutas do filme para ela ter uma ideia. Ela não me retornou. Pensei: "Não gostou". Aí em um outro dia, almoçando com Adressa e Bárbara, falo com Yanna e ela diz que só depois viu que meu e-mail estava no spam. Coisas internéticas! rsrs Mas no papo senti uma energia muito boa e vi que algo podia fluir.
O filme tem outras duas músicas que eu não podia abrir mão. O filme nasceu das imagens que elas me passavam. // Não conseguimos nos encontrar com Yanna. Mas a Adressa me deu um CD dela. E eu fui ouvir, já pensando na pessoa astral com quem falei ao telefone, torcendo para gostar das músicas. E adorei o CD. Uma das músicas acabou meio que virando o tema do filme. Conselho: ouçam essa cantora.
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Virei a noite trabalhando. Estou esgotado. E ao mesmo tempo embasbacado com a cena que fizemos ontem. De uma delicadeza e de um humor sem igual. E conseguimos o resultado. Quase que ela fica fora da montagem do filme que fiz ontem Afinal, o filme já estava enorme e ainda faltando cenas que não filmei. Mas como sou teimoso, lá pelas 5h resolvi montar tudo de novo. Eu queria ver se eu conseguia comunicar o que eu pensei quando escrevi o roteiro. Fiz o trabalho. E tombei no sofá. Ainda não vi como ficou. Espero gostar quando eu for ver! rsrs
Com certeza, isso pode não ser a melhor coisa que farei. Mas por hoje foi o melhor que eu tinha a fazer. (E já quero novos dias de filmagem. Quero almoçar, falando de cinema. Quero ver filmes com a galera).
E digo: façam o que vocês pensam. Tenham amigos e sonhem junto. Vão em frente! Alguma coisa boa pode acontecer.
Essa é a minha vida. Esse é o meu filme. rsrsrs
Em breve!
| Bárbara Campos, Raul Franco, Adressa Koetz e Alair Ferreira |



