
Respondendo aos comentários sobre o post “Um pouco de teatro”
Pensei em apenas responder aos comentários, mas acredito que acabarei escrevendo demais e ficará pequeno no espaço destinado a isso.
Olha, que bom que você veio até aqui e pode expressar a sua opinião. Que, pelo que vejo, é a da Ísís, né? Antes de mais nada, quero dizer que não tenho nada contra você, pelo contrário. Assisti alguns capítulos da novela Beleza Pura e gostava da sua atuação. Só comentei o que você falou no programa Altas Horas que, ao meu ver, do modo que foi expresso, foi uma visão equivocada. Tanto que peguei o trecho em que você fala sobre Grotowski e o comentei, até para ver que não estou falando sobre algo infundado.
Só acho que nós brasileiros não estamos muito acostumados ao debate. Se você expressou a sua visão num programa de boa audiência – que, diga-se de passagem, adoro – também outras pessoas terão direito a falarem sobre alguma coisa que você falou ou qualquer outra pessoa. Por isso, vivemos numa democracia. E fiz uso disso para também opinar.
Como você mesmo disse, muitos ali não leram livros teatrais e muito menos são atores. Por isso, você poderia elucidar o assunto e clarificar um pouquinho esse autor. Por que, então, qual é o sentido de você falar algo se não vão captar? Como passou batido o nome “Grotowski”. Mas não para mim que estudei isso.
Claro que posso ter expressado minha idéia, ironizando um pouco o que você disse no programa. Afinal, no meu trabalho o humor é muito forte. E, talvez, eu possa ter carregado nas tintas. Mas a essência da minha opinião continua a mesma sobre o que ouvi de você acerca do teatro pobre – a analogia entre um teatro sem recursos e o teatro pobre proferido por Grotowski.
Agora, não precisa se ofender. É só um debate entre idéias. E, claro, vi que você citou Em Busca do Teatro Pobre e colocou o nome do Peter Brook. Vale ressaltar que Brook apenas escreveu o prefácio.
E outra: não vou me zangar com nada. No fundo, posso ter vestido esse personagem O OBSERVADOR e, como já disse, ter carregado nas tintas ao me expressar sobre trecho da sua entrevista no Altas Horas. Mas, acredito, que no fundo é inspiração no Antônio Abujamra e o seu programa Provocações (outro programa que amo).
Só não entendi uma parte: “escreva sobre pessoas que você conhece profundamente”. Esse conhecer profundamente se refere a você ou ao Grotowski? Não escrevi sobre você. Escrevi sobre o que você falou. Até porque não a conheço mesmo. Sobre Grotowski já escrevi um pouco e apliquei algumas das suas premissas quando fiz Uni-Rio (curso de Artes Cênicas).
Enfim, como já disse: a essência do que está no pensamento desse blog e do meu vídeo no youtube continua a mesma. E logo mais devo fazer um segundo vídeo do O OBSERVADOR, comentando o filme Cinderela Baiana, de Carla Perez. Olha, que coisa legal: se ela se zangar, também poderá vir ao meu blogger reclamar e assim vamos exercitando o ato de debater – tão raro em nossa sociedade.
Pra você observar também o modo como costumamos comentar com humor os acontecimentos está também expresso nos vídeos do Sátira News, que estou fazendo ao lado das atrizes Cristiana Pompeo e Cristina Fagundes. Se puder, veja também no youtube.
Agora vamos a segunda parte.
Comentário do LINDO:
Rapaz, mais uma vez vou ressaltar uma coisa. Nós, brasileiros, não estamos mesmo acostumado ao debate. Quer dizer que rebater uma visão que se acha equivocada é estar num “momento de vida difícil”. Desculpe-me, mas esse pensamento é muito pequeno, mediano. Então, o antropólogo Roberto DaMatta (de quem sou profundo admirador) que vive questionando os valores da sociedade e defendendo opiniões baseadas em suas obras e visão apurada do mundo vive um eterno “momento de vida difícil”, é isso? O diretor teatral Gerald Thomaz, então, é um infeliz? Pelo-amor-de-Deus. Cabe a você querer debater ou então se recolher.
Como sempre fui levado a questionar as coisas e expor minhas opiniões, principalmente em função de ter feito um curso de Ciências Sóciais que, por essência, já traz em si a visão crítica e analítica da sociedade, leva-me a ter uma postura assim.
Para mim, a televisão sempre foi um veículo que me alimentou muito. E gosto bastante de programas de debates e de entrevistas. E se eu estivesse lá no programa Altas Horas, conseqüentemente poderia ter exposto a minha opinião a respeito disso. E debateríamos lá. Afinal, no próprio programa tem o momento de protestar, onde, por exemplo, a cantora de base do programa Leilah Moreno comentou que esse espaço de protesto poderia ser usado para coisas mais interessantes. Adorei quando a vi falando sobre isso, já que muitos jovens usam o espaço para falar do namorado, etc e tal.
Olha, se ser chato é poder expressar o que pensamos, baseado nas coisas que aprendemos e apreendemos, quero ser chato por muito tempo. Assim como uma vez o próprio Arnaldo Antunes – artista, até certo ponto, popular - veio a público defender às críticas feitas aos irmãos Campos (criadores da Poesia Concreta), sobre a acusação de eles fazerem uma poesia vazia de lirismo, somente prevalecendo a técnica. Ele se expressou e adorei ver a sua opinião sobre isso, afinal, abriu um leque de possibilidades de se debater sobre o tema.
Já pensou se eu vou a público e começo a falar sobre os meus “achismos” sobre Freud e Jung, acreditando que nenhum psicanalista estará me observando, seria uma catástrofe. Todos temos todo direito de falarmos o que quisermos. E também estaremos dando o direito de sermos retrucados e criticados. Faz parte da vida e do nosso crescimento. Não tenho nenhum problema quanto a isso.
E, por sinal, escrever sobre isso me deixa feliz. Pior seria se eu aceitasse tudo numa boa sem questionamento algum.
E, no mais, posso dizer: estou bem feliz, meu caro Lindo. E não sou mesmo nenhum “SABE TUDO”, como nossa querida ÍSIS falou. Apenas me dou o direito de debater sobre aquilo que aprendi e defendo.
E por fim, muito axé para vocês. E saúde, que é o mais importante. Até para termos fôlego para nos expressarmos.
E uma coisa é muito boa: agora todos estão nos observando. Nunca pensei que um simples vídeo suscitasse tantas coisas. Que bom!