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segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

As Redes Socias de cada dia!

As Redes Sociais são uma grande febre. Muitas vezes parece aproximar, em outras afasta completamente. Lembro de quando vi o impacto que as redes sociais causam em nossas vidas. Foi quando comemorei meu niver em uma boate e fiz uma chamada no Orkut. Isso era em 2006, se não me engano. Apareceu gente que eu nem sabia quem era. E vinham até mim e diziam: "Oi, eu sou a fulana de tal... tua amiga no Orkut". Eu já achava esquisito essa coisa de todo mundo virar "amigo" de repente, só por te adicionar em alguma rede. Ainda mais para um cara tão desconfiado como eu rsrs Bom, depois vieram coisas mais bizarras. Como alguém me cobrando porque eu não a seguia. Em uma festa que fui uma vez, encontrei uma conhecida que veio até mim e disse: "Eu curto tudo seu e você não curte nada meu". Nem sei o que eu disse. Sei que depois ela parou de me seguir.... rsrs E tenho amigos, pessoas que eu considero, que não me seguem. E está tudo certo. A coisa que eu acho é que para se usar redes sociais você tem que estar em dia com a sua saúde mental... rsrs Porque senão a sua carência irá aflorar de um jeito assustador... Você ficará paranóico... tentando decifrar coisas através dos posts de algumas pessoas. Ou então comparando o teu bastidor com o palco de alguém. Por isso entendo muito bem quando alguém se retira do "jogo". Isso aqui é brabo, minha gente! Parece Parque de Diversão, mas muitas vezes não é. Às vezes, é Casa do Terror mesmo... Aqui já fui paquerado, ofendido, amado, exaltado, desprezado, criticado, julgado... E está tudo certo! Tem gente que acha que isso aqui é a vida e sofre quando a sua expectativa é frustrada... Tem gente que nem quer fazer parte disso... eu aplaudo! Gosto de usar redes sociais, divulgar o meu trabalho, trocar ideias. Em algumas vezes aparece alguém que fica fascinado por mim e curte, sei lá, 40 coisas minhas em um único momento. rsrs Isso também é assustador. Acho que tem um quê de psicopatia. Digo isso porque fui cobrado recentemente de não ir em um determinado lugar, porque, afinal de contas, fui em outro... acreditam? Pois é, pois é... Estamos o tempo todo "vigiados". Todo mundo sabe o que você está fazendo. Todo mundo vê o que você posta. A pessoas apenas escolhem com o que vão interagir. Mas elas estão vendo tudo. É ou não é? --- Como isso bate pra você? (Raul Franco)

sábado, 24 de setembro de 2022

SOU DO NORTE, SOU FORTE, SOU RESISTÊNCIA

 


Vou dividir com vocês arte da minha história recente. A história de um nortista, artista e sonhador.
Os últimos dez anos da minha vida foram intensos e cheios de transformações. Vou pincelar algumas coisas que me vieram ontem à tona ao pensar na minha vida de 2012 pra cá.
Em 2012 eu encerrava uma temporada de sucesso em São Paulo. Meu solo Saída de Emergência chegava ao fim em terras paulistas.
Em 2013 comecei a trabalhar um material para um novo solo que se chamaria Risotril (e ainda fui a SP fazer mais um show). Poucos dias antes da estreia recebi um telefonema do meu padrasto. Lembro que eu estava finalizando a arte do meu show. Era por volta de 23h30. Ele pediu para que eu fosse até sua casa. Corri lá. E já o encontrei no chão do banheiro já sem o movimento das pernas. Ele havia tido uma trombose. Depois de uma madrugada intensa fomos ao hospital de manhã. E o diagnóstico foi confirmado: câncer de próstata em estado irreversível. Aquilo me abalou profundamente. O meu padrasto era uma pessoal de vital importância pra mim, principalmente na minha trajetória no RJ. E dessa sua ida ao hospital, que foi em setembro de 2013, ele permaneceu em uma cama até a sua partida em outubro de 2017.
Bom, muita coisa aconteceu nesse período. E digo que a sensação que me dava era que minha vida estava suspensa. Eu vivia, mas também era uma vida onde eu não estava em minha potência máxima.
Em 2014 terminei um relacionamento longo. E foi difícil pra mim. Mas nem consegui sofrer, porque achava que a situação do meu padrasto era algo mais importante do que sofrer por amor. No período da minha separação ainda fiz algo bem legal que foi participar da gravação do DVD comemorativo de 30 anos da banda Biquíni Cavadão. Ou seja, tive que me focar no trabalho. Sem tempo pra dizer: "Adeus, amor, foi bom".
Em 2015 voltei a dramaturgia, fazendo uma peça teatral chamada Talk Radio e foi algo bem legal de se fazer.
Em 2016 segui trabalhando, fazendo peças e meu show de humor. Até que no final do ano em uma apresentação no Ceará eu decidi que não queria mais fazer shows de humor (estava me sentindo um farsante). E principalmente não queria mais fazer a Pantomima do Bochecha (quadro que fez com que muita gente conhecesse meu trabalho, considerado um dos primeiros memes da Internet). E cumpri essa decisão. Sou bem firme nesse ponto. Achei que era o momento de buscar novas coisas, novos voos. Sempre tive pavor de me repetir.
Em 2017 escrevi uma cena chamada Amor em 8 Tempos e participei de vários festivais no RJ, tendo indicações em todos, como melhor texto e melhor ator. Essa cena nasceu da atmosfera que eu criei quando escrevi o livro "Enfim, Separados!" que foi lançado pela Amazon no mesmo ano. A cena, por outro lado, gerou um novo livro "Juntos para Sempre" (que lancei em 2018) e um novo show "O Amor É Um Grande Espetáculo" (que se apresentou duas vezes em Belém e uma no RJ).
Em outubro de 2017 veio a notícia dolorosa da partida do meu padrasto depois de 4 anos acamado. Ali eu disse: "agora é o momento de começar vida nova".
Em 2018 fiz uma grande revolução em minha vida. Em março me converti ao budismo. E me dediquei muito ao processo de mudança que eu queria em minha vida. E olha como a vida é louca. Terminei aquele namoro longo em 2014 e nunca mais tinha visto a pessoa. Eu a encontrei duas vezes no mesmo março onde iniciei a minha revolução pessoal. Ou seja, não existem coincidências na vida.
Eu mentalizei que queria fazer grandes trabalhos na TV e principalmente no cinema, e fiz. Fiquei ainda mais potencializado.
Em 2019 segui com minha fé e perseverança sempre em busca de desafios. E sou muito grato a muitos acontecimentos desse ano, principalmente por ter vivido uma relação bonita e leve com uma pessoa.
2020 veio com tudo e ainda era uma surpresa para todos. Mais uma vez o desejo de revolucionar. E acabei terminando uma relação um pouco antes da pandemia e saí de dois trabalhos porque minha intuição disse que não era aquilo que eu devia fazer naquele momento. Obedeço a minha intuição, afinal, eu a lustro para que ela me dê sinais.
Bom, veio a pandemia. Aí foi revolução em nível hard. Eu me dediquei a tantas coisas para me equilibrar, como Reiki, constelação familiar, thetahealing e meu daimoku potente (oração budista).
Resumidamente, eu me transformei mais ainda. Tudo meu passou a ser pra ontem mesmo. Em 2021 foi além dos meus limites. Como meu lema é "Só a vitória me interessa" eu fui um incansável soldado. Lancei 9 e-books pela Amazon. Fiz diversos projetos online, de leituras dramatizadas, cenas, mentorias, etc. Lancei dois solos "Eu, Clarice" e "O dia que Luka encontrou Camila". Tudo online. E fiz um projeto audacioso em homenagem ao Renato Russo: "Eu, Renato Russo", que acabou virando 4 partes de dois episódios cada uma. Loucura, loucura! E tudo numa velocidade estonteante. A equipe? Apenas EU. Foi extremamente cansativo, mas isso me potencializou muito.
2022 está aí. E já foram tantos ensinamentos. A volta das apresentações online, novela, série... E o principal é o que está acontecendo agora, o meu novo solo EU TINHA TUDO PRA DAR CERTO. Que nasceu em menos de um mês e é uma realidade. Graças ao convite da produtora Deise Reis.
Claro que resumi tudo. Porque a história é muito grande e cheia de detalhes. E aqui estou, grato a tudo, a cada ensinamento, a cada vitória, tropeço e recomeço.
Tudo meu é pra ontem. E só existe o agora. NMRK!
Eu precisava compartilhar isso com vocês.
Sinto-me leve e feliz.
E sim, eu dei certo!


quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Eu tinha tudo pra dar certo

 




Eu Tinha Tudo pra Dar Certo é o novo solo de comédia do ator Raul J. Franco, considerado um dos primeiros memes da Internet com o vídeo Karaokê Para Surdo e Mudo. No solo, Raul passa a carreira a limpo e, com muito bom humor, encena situações engraçadas que aconteceram em sua vida, como a amizade com uma capa da Playboy em seu primeiro ano do RJ, os primeiros programas de auditório e a participação em programas de humor. Raul ainda lembra os ídolos da infância e desmistifica o que seria o sucesso. Como ele mesmo diz, o solo tem comédia, tem um espírito coach e uma pegada de palestra TEDx. É ver pra crer. Teatro Fashion Mall. Temporada no mês de setembro. Domingos, 20h. Texto, direção e atuação de Raul J. Franco. Produção: Deise Reis. Clique no link abaixo para adquirir o seu ingresso a 25 reais. 

terça-feira, 9 de agosto de 2022

Caetano Veloso - 80 anos

 Caetano Veloso marcou a minha vida. Serviu de inspiração para muitas coisas, inclusive, para o meu primeiro personagem em um espetáculo de comédia. Nesses 80 anos desse baiano adorável, fiz dois vídeos em sua homenagem, contando um pouco da minha história particular com a obra de Caetano.


Seguem os vídeos.


PARTE 1



PARTE 2








sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Jô Soares nos deixou!!!

 


Acordei e já li a notícia da partida de Jô Soares. Era a notícia que eu mais temia. Tristíssimo. Nossa, tanta coisa pra falar sobre o Jô! Uma das minhas grandes referências de humor para mim. Ele e Chico Anysio. Tanto que nessa foto aí, estou imitando um dos seus personagens, o Reizinho, que eu amava, dentre tantos outros. Jô fez história e deixou a sua marca. Depois de anos consagrado como grande humorista, fazendo diversos programas de humor, como "Veja o Gordo" e "Viva o Gordo", ele estreia um talk show no SBT: "Jô Soares 11 e meia", programa este que foi rejeitado pela Globo, diga-se de passagem. O programa estreou em 1988. Eu tinha 14 anos. E não perdia um programa sequer, que, se não me engano, no começo era de terça a sexta. Depois passou a ser de segunda a sexta. Este programa ficou 11 anos no ar no SBT. E lembro de acompanhar assiduamente. No começo do programa, como era bem tarde e eu tinha escola no dia seguinte, sempre ia sonado para a aula (risos). Mas ia me sentindo mais inteligente por ter assistido tantas entrevistas boas, marcantes. As que lembro agora e que foram inesquecíveis, foi a com a Camile Paglia (acho que ela foi a primeira pessoa a deixar o Jô mais calado do que o habitual - rsrsrs), Legião Urbana, Cazuza, Lobão (que foi diversas vezes) e Paulinho Moska. E, às vezes, você não dava nada para a entrevista e o Jô fazia aquela entrevista render. Ah, como não lembrar da primeira vez do Zeca Pagodinho no programa. Uma entrevista para se gargalhar do início ao fim. Verdade seja dita, Jô foi um dos maiores entrevistadores de Talk Show deste país. Era uma outra época. Jô abriu a porta para que tantos outros artistas fizessem este estilo de programa. O que sei é que desde os 14 anos eu sonhava em dar entrevista para o Jô. Ensaiava quase todo dia. Então, em 2008, eu vivia um momento bem especial na minha carreira e pintou essa chance. Cheguei a dar a entrevista por telefone (a prévia, como eles falam). Tudo certo. Mas... minha entrevista foi cancelada de última hora, na semana que ia rolar. Lógico que fiquei arrasado. Como eu estava trabalhando muito, foquei nisso pra não ficar mais triste. Não rolou. Não era pra ser. Ficou um daqueles sonhos frustrados. E hoje apenas essa saudade infinita e todo aprendizado que tive com o Jô Soares. Gratidão por tudo!




sexta-feira, 25 de junho de 2021

Eu, Clarice - espetáculo homenagem a escritora Clarice Lispector

 



EU, CLARICE - de Raul J. Franco

SINOPSE: Em uma madrugada de pandemia, o personagem A procura um livro de Clarice Lispector: UM SOPRO DE VIDA (Pulsações) para lhe fazer companhia. O desespero começa quando ele não encontra o livro. A partir deste episódio, A começa a analisar a importância de Clarice em sua vida, bem como resgata alguns momentos em que se viu amparado pelas suas palavras. Curiosamente, Um Sopro de Vida é o livro de Clarice que foi lançado após a sua morte. Ela começou a escrevê-lo em 1974 e veio a falecer em 1977. Ponto de convergência: o personagem A nasceu em 1974. E só em 1989, ao ler O primeiro beijo & outros contos (uma coletânea de contos de Clarice), viu-se completamente alucinado por essa mulher. E sim, este é um monólogo sobre vida e o desejo de se permitir ser quem se é, sem medos.

Duração: 50 minutos

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O evento não tem patrocínio nenhum. Então, disponibilizamos diversos valores de ingressos para que o espectador escolha como colaborar.  

Após o espetáculo convidaremos todos abrirem a câmera e dividirem as suas impressões do que viram. Vamos promover este abraço virtual, já que é algo tão estranho não podermos contar com o afago presencial de todos. Mas persistimos, fazendo nossa arte!

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DE RAUL J. FRANCO:

Eu te convido a ver este espetáculo porque ele nasceu de uma maneira tão visceral, profunda e, ao mesmo tempo, espontânea. As palavras me escapuliram em plena quarentena e tive que dar vazão a isso. Era junho de 2020. Procurei e encontrei abrigo nas palavras de Clarice Lispector. E como essa escritora me deu tantas coisas importantes nessa vida, assim como um trampolim para gerar muitos entendimentos, eu quis dar a ela esse presente também e dividir com vocês uma jornada de paixão e entrega. Afinal, sempre percebi Clarice por dentro. E a vocês ofereço o meu interior justamente do meu quarto pro mundo. Estejamos despidos de medos e julgamentos para que a arte flua sem explicações racionais. O lema é: "vamos nos permitir". Sejam todxs muito bem vindxs!!!

Raul J. Franco

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

+ ou - ISSO - Poemas do voo e da queda

 


RELEASE DO MEU NOVO LIVRO

ou  - Isso (poemas sobre o voo e a queda). 


Antes da quarentena eu pensava em fazer o terceiro livro da minha

Trilogia do Amor.

Eu estava escrevendo aos poucos os contos que estariam no livro.

Mas, a partir de março de 2020, tudo mudou.

Veio o medo e muitas incertezas.

Obrigatoriamente, deveríamos ficar em casa.

Então, um dia me veio um insight

de organizar um livro de poemas para lançar na Amazon.

E fiz. Criei o "Poemas para se ler na quarentena"

e o disponibilizei na plataforma.

Para minha surpresa, em cinco dias, teve 739 downloads do livro digital.

Muitas pessoas vieram a mim, comentando o livro.

Detalhe: o primeiro livro que lancei na vida foi um livro de poemas.

Sempre escrevi poemas, mas já não pensava

em fazer um livro para compartilhar

esses poemas. Isso me veio mesmo na quarentena.

Então, por conta do sucesso do primeiro livro lançado,

fiz o segundo: Poemas para se ler na quarentena Volume 2.

E desde março, eu passei a escrever compulsivamente,

como se realmente não houvesse amanhã (risos).

E a ideia era poder lançar muito mais coisas.

Passei a organizar uns poemas, pensando na trajetória da minha vida.

Um livro que desse conta das minhas alegrias e dores.

E isso me veio mais forte quando fiz uma Constelação Familiar online.

Algo muito profundo e revelador.

Os assuntos logo pipocaram na minha cabeça.

Peguei um caderno e estabeleci uns tópicos e saí escrevendo.

Quando a coisa foi ganhando forma, entendi que eu não escrevi o livro,

foi ele que me escreveu. 


Nos momentos em que eu sentava para criar algo,

logo me vinham muitas lágrimas.

Foram dias intensos. Eu escolhia momentos para vir esta catarse.

E me jogava nela, sem receio e sem pensar em pára-quedas

ou redes de proteção.

Simplesmente me jogava. Queria entender até onde ia todo esse processo.

E quando olhei os poemas que selecionei para este livro

que eu ainda não sabia o que era, vi que eu estava falando

claramente da minha vida, dos meus pais, do meu passado, do amor…

Fiz um exercício de resgate de muitas coisas.

Foi mesmo um livro feito com lágrimas e reencontros.

Eu fui lá onde a ferida doía para libertá-la.

Curiosamente, vieram-me imagens de montanhas, índios, fogueiras.

Eu não entendia o fluxo disso mas deixava vir e, ao escrever,

foi quase como se eu estivesse psicografando.

E quando eu terminava este processo, realmente

vinha uma sensação de esvaziamento.

E eu me jogava no sofá e ficava olhando o teto. 


E, de cara, pensei: qual seria a razão disso tudo? o que me motivou?

o que eu pretendo com isso? Logo tive a certeza de que escrever

já foi o mais importante do processo todo, independente

do que isso viria a se tornar.

E foi a minha versão dos fatos…

Os fatos da minha vida, única coisa que me pertence profundamente

e não é de mais ninguém. Algumas pessoas dividiram coisas comigo

ao longo da minhas existência, mas não tem conhecimento

do todo que eu vivi.

Podem ter uma vaga ideia. No entanto, o todo pertence a mim. 


Então, como foi tão profunda e tão dolorosa algumas passagens,

eu já sonhava que muitas pessoas pudessem ler este livro

que me foi tão importante fazê-lo.

Tanto que, imediatamente, pensei no título: “Para quando eu me for”.

Parecia algo bem sério e quase como um legado.

E, afinal, também tinha a ver com essa coisa da brevidade

que nos veio tão forte e tão óbvia a partir das mortes

por conta de um novo vírus.

E isso me fez pensar também na década de oitenta e na Aids.

Por isso eu me voltei para Cazuza e toda a sua urgência em função

da sua condição de soropositivo.

Eu me fiz urgente. Eu me desafiei de todas as formas.

E esse livro só foi possível levando em conta a minha maturidade.

É um resgate importante, primordial, que promoveu

a reconstrução de um ser,

o meu ser em particular. 

Foi preciso silêncio e o esvaziamento necessário

para se começar a auto-investigação.

Então, eu me espremi para (re) nascer em versos.

E eu falo da minha vida de forma que possa servir a alguém

que se identifique com os processos.

Porque é um livro que fala da família, da mãe, do pai, dos avós.

Um livro em que olho as minhas raízes e entendo o movimento

que me levou pelas minhas caminhadas.

Em resumo, é + ou - isso. O título do livro que já fala por si

- substituindo a ideia inicial

de “Para quando eu me for”.

E fiz questão de usar os símbolos “+” e o “-”,

pensando nas polaridades de uma pilha.

A carga negativa e positiva. Uma verdadeira metáfora da vida.

E o subtítulo também nasceu de forma bem apropriada:

Poemas do voo e da queda.

Então, ficou “+ ou - isso - (Poemas do voo e da queda)”,

de autoria desta pessoa que vos escreve.

Agora estou leve, muito leve, depois de lançar este livro ao mundo.

Espero que chegue a alguém,

porque sinto como se fosse a garrafa de um náufrago jogada ao mar.

Pode demorar a chegar, mas vai chegar a alguém.

Agradeço a quem, por ventura, o livro chegar.

É uma parte importante da minha pessoa. Com toda certeza! 


Link para baixar o e-book





terça-feira, 4 de agosto de 2020

Uma ideia na cabeça e um celular na mão



UMA IDEIA NA CABEÇA E UM CELULAR NA MÃO: 

O EXERCÍCIO DO OLHAR - por Raul Franco


Neste momento de pandemia tivemos que lidar com muitas coisas que não passavam pela nossa cabeça. De repente, estávamos assustados, inseguros e com medo, muito medo. Em casos extremos, pânico mesmo. Passamos a lutar pela nossa sobrevivência. Um turbilhão de emoções tomou conta de todo mundo. E com o isolamento social, a coisa ficou ainda mais intensa, principalmente internamente. Várias questões pintaram no meio do caminho: “O que faremos de nossas vidas?”, “Como conseguiremos dinheiro para pagar as contas se não saímos de casa?”, “O que posso fazer para manter a cabeça ativa e saudável?”. E, com certeza, a palavra de ordem foi: REIVENTE-SE! E isso fez muito sentido, principalmente para nós da arte. 


Antes, queriam colocar os artistas na categoria dispensáveis, sem utilidade nenhuma. E, então, veio essa loucura toda e mais do que nunca foi provado que sem arte não vivemos!!! Ela está aí para nos dá o lúdico, ajudar-nos a relaxar, a respirar algo que não seja tão pesado como a realidade que nos oprime. A arte é sim imprescindível! Se houver duas pessoas teremos essa necessidade da comunicação, de contar uma história, de emocionar. Se tivermos duas pessoas, teremos teatro, teremos arte! 


Essa explanação inicial é só para dizer com todas as forças que estamos mesmo vivendo um novo tempo, um tempo diferente. As aglomerações continuam sendo um grande problema, uma grande preocupação daqui pra frente. Imagine nós artistas que vivemos e precisamos dessas aglomerações, o nosso trabalho tem muito a ver com isso! Shows e teatro? Como podemos fazer isso de novo já que é tudo incerto? Não vai ser amanhã que todos lotarão os teatros novamente (aliás, o teatro já estava lutando com todas as forças para sobreviver e agora, mesmo com máscaras de oxigênio, ele mostra que é Highlander).  


Então, o que conseguimos ver no atual cenário? Muita gente procurando alternativas, meios de continuar fazendo arte. Muita gente pesquisando linguagens, experimentando coisas. O certo é que, se antes já vivíamos no celular, agora mesmo é que ele se tornou uma ferramenta mega-importante. Queremos boa Internet, bom aparelho, para que possamos fazer uso disso como auxílio de alguma coisa nova que pretendemos fazer e que pode ser um novo caminho pela frente. Então, teve gente que descobriu funções novas no celular que nem sonhava para que servia. E aí muita gente correu para o Zoom e outras plataformas similares para reuniões de trabalho, fazer peças e até comemorar aniversários. Fazer peças! Aí entra outra coisa que merece destaque. Algumas peças já estão se experimentando no Universo online. E muitos desses trabalhos já estão aí para serem apreciados. E aí veio a discussão em função dessa nova forma de se fazer teatro. Muitos dizem que não é teatro, que é outra coisa. E realmente não é teatro, mas também não é áudio-visual. É uma mescla de linguagens que ainda não entendemos o que é ou o que pode ser. Estamos no movimento e devemos ficar atentos a isso. Como artistas, não podemos deixar o bonde passar. Temos que nos agarrar nesses novos ventos para entender como é que vamos funcionar artísticamente. Como vamos potencializar o nosso ofício? Como vamos comunicar alguma coisa de arte para alguém do outro lado da tela? Sim, agora é a tela do celular que nos separa do público que está na plataforma do zoom, nas lives do instagram e do facebook, como também no youtube. Há uma “fome” de conteúdos artísticos que podem estar ao alcance dos dedos. Os nossos dedos correm no visor para dar conta das lives que surgem nessa nuvem comunicativa da Internet. 


Eu ando pensando muito essas formas de se fazer arte. De como continuar existindo como artista. E isso não tem me dado medo. Pelo contrário. Tem me desafiado dia após dia. Eu me forço a ter grandes ideias e a experimentar novas coisas - uso o que está ao alcance das minhas mãos para fazer o artístico que necessita sair de mim. 


Logo no início da pandemia, onde tivemos que ficar em casa, já me veio a ideia de lançar um livro de poemas pela Amazon. Coisa que eu fiz e que foi muito bem recebido pelos leitores. Depois comecei a fazer exercícios de dramaturgia, criando vídeos para um personagem que misturava a ficção com a minha vida. Assim nasceu RUBENS RAUL CAIO DA SILVA. Fiz três vídeos que variavam sobre este tema. Depois lancei um projeto de leituras dramatizadas online, o Curta a Cena, onde eu apresento textos meus e de uma parceira, a Carmen Filgueiras, em lives no Instagram. E foi e continua sendo muito interessante nos exercitarmos nesse sentido. Porque não só escrevemos o texto, como pensamos na sua concepção e na construção dos personagens que nós mesmos vamos fazer. É um super-trabalho. E que já rendeu frutos: duas coletâneas de textos foram lançadas na Amazon. E, no meio disso, ainda consegui participar do meu coletivo CLUBE DA CENA que se lançou em uma nova forma de fazer esquetes através de lives no Instagram, contando com a interação do público. Ficamos em cartaz de segunda a sexta durante dois meses, produzindo cenas. E eu ainda era o responsável por editar as lives e lançá-las no YouTube. 


O objetivo aqui, partindo dessas minhas realizações, é propor reflexões e diálogos sobre o que podemos ainda fazer. Então, muita gente já sentiu na pele e na marra a necessidade de reinvenção. Quem nunca tinha feito live, teve que saber como se faz isso. E não só live para fazer cenas, apresentar uma performance, mas lives para dar aula, fazer reuniões e outras coisas. A preocupação agora é se a bateria do celular está bem carregada, se há uma boa conexão e qual lugar é melhor para que o sinal fique mais estável. Sim, é um novo esforço, uma nova tensão. Um novo olhar para isso tudo que estamos vivendo.


Aí agora entra a abstração do título que usei para este texto. UMA IDEIA NA CABEÇA E UM CELULAR NA MÃO: O EXERCÍCIO DO OLHAR. Eu tenho visto muitas coisas artísticas online. Recentemente vi bons trabalhos que me instigaram e me levaram a profundas reflexões e ao exercício do fazer também. Já que quando vejo alguém realizando algo, penso: “Se a pessoa fez é possível que eu consiga fazer”. Vi um trabalho dirigido por um amigo meu, o Ivan Sugahara, que era na quina da sala dele. O espetáculo se chama NO INTERIOR. E é Uma pesquisa sobre a questão do isolamento, onde a atriz Danielle Oliveira trabalha movimentos interessantíssimos nesse espaço. E tinha uma luz que criava uma sombra especial na parede que dava uma ambientação muito propícia ao que a atriz discutia. E também ouvíamos sons gravados da voz que faz a narração praticamente toda do que acontece nesse espaço cênico. Estou falando muito en passant aqui para dar conta de tudo que eu quero e preciso falar. Vou prosseguir, qualquer coisa retomo este viés aqui lançado. 


Vi trabalhos com processos dos artistas sendo divididos conosco. O que foi o caso do Coletivo Complexo Duplo, do Felipe Vidal, que está em pesquisa em cima do álbum Dois, da Legião Urbana, que foi lançado em 1986. O primeiro episódio foi lançado no YouTube e acompanhamos coisas do processo que já estavam gravadas e que foram divididas ali conosco no momento em que ocorria a live. Isso também foi o que aconteceu no trabalho do Ivan com a Danielle que foi um encontro no Zoom onde eles davam um link do Youtube para vermos o espetáculo NO INTERIOR, que foi gravado em plano sequência, isto é, não tem cortes. E o Ivan até se arrisca a chamar este trabalho de “peça-metragem”, ou seja, acenando para a possibilidade de se cunhar um termo que dê conta desse novo movimento. O que digo aqui - procurando dar ênfase neste momento - é que não se trata de uma execução em tempo real (e talvez é isso que determina o que é ou o que não é teatro? Mas mesmo se a performance for executada ao vivo não teremos pessoas assistindo no mesmo espaço… Então, isso não pode ser um ato teatral? Questões, questões…). 


Agora um trabalho que me deixou profundamente tocado e inspirado, foi o trabalho do ator Marrat Descartes, que se chama PEÇA. Vi por acaso a divulgação em um link patrocinado no Instagram e resolvi conferir porque estou cada vez mais voltado para saber sobre esses trabalhos feitos de uma forma pulsante e com a necessidade de comunicar algo. E o trabalho de Marrat é incrível. Fora que, de cara, ainda ficamos sem saber o que está sendo ao vivo mesmo e o que foi gravado. Porque poderia ser uma pegadinha isso de dizer que é ao vivo quando, na verdade, já foi gravado e está passando em uma live. (Isso não é engraçado e curioso? - um gravado passando numa live?!) Mas, quase tudo que o Marrat faz em sua peça PEÇA é ao vivo. Algumas inserções de vídeos acontecem, e, vale dizer, de uma maneira como todos nós fazemos, já que o desktop é mostrado e a seta vai e clica no vídeo que vai passar na hora. E o trabalho é potente, vigoroso, porque é uma mescla de acontecimentos da própria vida do Marrat com coisas ficcionais ou reflexões do tempo em que vivemos. Não quero falar mais para não dar spoiler, caso vocês consigam ver a peça que, literalmente, chama-se PEÇA, que é a designação de uma obra a ser apresentada como também o ato de pedir: PEÇA. Interessante! 


Ainda tinha algumas outras referências para citar de coisas que ando vendo. Mas o que importa aqui é ser mexido por tudo isso e nos provocar diante desta iminência de realizar algo neste tempo repleto de incertezas. Por isso, digo: se temos uma ideia na cabeça, é só pegar o celular e pensar em como executar esta ideia. Daí o destaque para o exercício do olhar. Por exemplo, agora que fomos obrigados a ficar em isolamento social, as nossas casas, pra quem faz arte, viraram locações. Cada espaço pode ser um local a ser explorado, já que tivemos tempo para olhar para isso com calma. Eu tive a sorte de me mudar em dezembro do ano passado (GLÓRIA, GLÓRIA!!!). Então, como me obriguei ao isolamento a partir do dia 14 de março, pude passear pelo ap novo, já que ele ainda é “virgem” para mim, e descobri-lo por inteiro. E pude fazer algumas filmagens aqui através do celular. Aliás, é a primeira vez na vida em que uso o celular para fazer todos os processos da etapa de criação. Filmo, edito e lanço para o mundo os meus vídeos através do celular. Isso me fez ganhar tempo em muitas coisas. Porque antes eu até gravava com o celular. Mas na hora de editar era pelo computador, assim como postar nas redes sociais. Hoje faço tudo pelo celular. 


Então, comecei a provocar o meu olhar cinematográfico. Fiz alguns trabalhos que já são em cima desse olhar mais apurado. Assim nasceram os vídeos: Das Plantas, Saudade sobre tela, Você é especial e o último: LIVE OU MORTE? E em cada um fui sofisticando alguma coisa. Fui exigindo uma melhora em termos de captação, iluminação, gravação do áudio e interpretação. Afinal, são vídeos de um homem só. Eu escrevo, eu interpreto, eu posiciono o celular, ajeito os refletores, penso nas locações, etc. Ou seja, é um imenso movimento. Tenho criado ondas enormes aqui na minha casa.


Fora o meu trabalho também de pantomima que faço há 13 anos. Só que aí é só (?) ensaiar os movimentos, os gestos em cima da música e depois vê onde vou gravar e posicionar o celular de modo que capte o que quero mostrar. Nesse trabalho de produção de vídeo-performance, já é um exercício de corte cinematográfico, de pensar na narrativa que vou usar. De fazer storyboard, de experimentar como fazer alguma coisa, pensando se vai ser possível. Ou seja, tudo em casa! Isso, com certeza, esse tempo me deu a oportunidade de experimentar.  


Brinquei há pouco tempo, perguntando em um stories o que as pessoas tinham aprendido de novo nesta quarentena? Eu digo que não aprendi muita coisa nova, porém, eu aprimorei e aperfeiçoei várias coisas que eu já sabia. E ainda estou aprimorando. E tudo começou quando eu quis criar e filmar coisas, pensando em editais que estavam surgindo e também festivais. Mandei alguns vídeos para essas oportunidades. Dois deles já participaram de festivais. E o negócio é continuar fazendo. Porque o exercício do pensar e refletir sobre linguagens, formas de execução de um trabalho novo, pode nos fazer descobrir ainda mais o nosso potencial para coisas que não imaginávamos que poderíamos fazer. E é isso que devemos ter como regra da nossa conduta como artistas: SEMPRE NOS REINVENTAR! Porque se você estava se preparando há muito tempo, agora é hora de pôr em prática tudo aquilo que você vinha acumulando e só faltava espaço e oportunidade para fazer e acontecer. A HORA É AGORA! A HORA É JÁ! CRIE E SE RECRIE DENTRO DISSO TUDO QUE É NOVIDADE! Você pode ver que há muito ainda por fazer! E melhor! E diferente! Mão na massa!!! 


P.S.: Com certeza no tempo de leitura desse texto, 239 dancinhas novas foram criadas no TikTok e também 332 reels foram criados para o instagram. Então, corra e realize o seu propósito. 


sexta-feira, 8 de maio de 2020

AMAZON / YOUTUBE



DESABAFO/AJUDA

Como artista, em grande parte, somos autônomos. Precisamos estar em filmagens, gravações, etc. E agora está impossível isso devido a questão do isolamento necessário para não se propagar o vírus. Então, não podemos também fazer nossos shows, eventos, etc. Ou seja, vamos buscando formas de sobreviver nesse tempo tão difícil para todos.
Aí, de cara, fui para os meus “ambientes” online onde funciono e posso dar prosseguimento a minha arte. Mais do que nunca estou ativo em meu canal do Youtube, onde, de vez em quando, eu recebo uma graninha (por isso, a constante divulgação dos vídeos via whatsapp, messenger, e-mail, etc). E também fiquei mais ativo na Amazon, através dos meus livros. Recentemente lancei dois e-books: Poemas para se ler na quarentena (volume 1) e Poemas para se ler na quarentena (volume 2). Para minha surpresa, o Volume 1, em cinco dias, alcançou a marca de 739 downloads. E, conferindo o meu gráfico, vi que em um mês tive 1787 leituras pelo Kindle. Uau! Fiquei muito feliz.
Agora vamos a parte chata.
Recentemente ganhei um dinheiro do YouTube. Aí você se sente mais motivado, quer divulgar mais o canal, etc. Inclusive, recentemente, bati a minha meta, que era ter 4000 inscritos no canal. Mais feliz fiquei. Só que algumas coisas começaram a acontecer. Então, um vídeo meu que alcança, por exemplo, em um dia 200 views, quando confiro no dia seguinte eu o vejo com 189 views. Como pode? Ou seja, o YouTube “come” visualizações? Parece que eles dizem: “Recebeu um dinheiro nosso, né? Acha que vai ser fácil? Agora vamos complicar”. Eita!
Agora vamos a Amazon. E eu feliz com o sucesso de ver meus livros circulando, inclusive, outros e-books estão sendo baixados. Aí, você pensa: “Que bom, agora vai”. Mas recebo um e-mail da #Amazon que diz: “Olá, durante nossa análise, encontramos conteúdo em seu livro disponibilizado por outro autor/editora. Precisamos que você confirme seus direitos de publicação antes que o livro seja disponibilizado na Amazon”. Detalhe: esse livro foi lançado pela Amazon em 2017. É o “Enfim, separados!”. Nunca houve problema nenhum. E também nunca teve tantos downloads, até porque o meu foco era no livro físico. E o livro é meu e não foi lançado por editora nenhuma. É autopublicação. Ele foi, no máximo, colocado também em outra plataforma que é o Clube de Autores, que disponibiliza em diversos locais na Internet. Aí a Amazon me pede possíveis documentos da editora que me faça ter os direitos de publicar em outro local, etc, etc, etc. E não tem editora nenhuma. O livro é MEU! Estranho é que nunca tive problema nenhum esses anos todos. E agora que começo a vender por lá, aparece-me isso! Estranho mesmo! Mandei e-mail para Amazon e até agora não obtive resposta. Observação: o e-book continua à venda, mas não consigo alterar nenhum detalhe dele. E agora vi que o Poemas para se ler na quarentena também está meio que indisponível para alterar detalhes. Que situação!
Bom, o que acontece é que não são esses obstáculos que vão me parar. Vou prosseguir obviamente.
Então, vou bombardear isso tudo até escancarar novas portas. E o que peço a vocês: Quem ainda não se inscreveu em meu canal do youtube, por favor se inscreva. Vamos mostrar ao youtube quem é que manda aqui.
Segue link (batemos 4035 inscritos). É bem fácil. Só clicar em inscrever-se.


E aqui está o link para o meu e-book POEMAS PARA SE LER NA QUARENTENA



terça-feira, 5 de maio de 2020

Poema sobre tantos acontecimentos neste começo de maio



Uma carta e os óculos escuros - Raul J. Franco

A carta sobre a mesa
O bilhete último
buscando leveza
Os óculos escuros: uma maneira de esconder os olhos
pra não ver que a humanidade tropeça
Fingir que está tudo bem
é compactuar com as mentiras
vendidas em redes sociais
E perguntaram o que habita a minha cabeça
Agora, com o peso nos ombros,
o cansaço do mundo,
o fastio do Brasil,
não saberia responder
Mas ontem eu tinha borboletas na cabeça
Voos certos, sem pressa
Sonhos prontos para virarem realidade hoje
No entanto, a vida é sempre um drible,
uma surpresa na esquina
Aldir já nos dizia da esperança equilibrista
E eu lembrei do Brasil de ontem
de coturno e traje verde oliva
E hoje ainda vejo a ignorância ganhar as ruas
com trompetes de insensatez
Desumanizamos tudo
Agredimos tanto
E agora a estúpida certeza
de que falhamos como espécie
Sugamos tanto a natureza
que agora ela cobra as ofensas
E há um desencarne absurdo e absoluto
a cada dia
Muita gente dizendo adeus pra esse Brasil
que descarrilha em discursos de ódio
e falta de empatia
E eu luto, luto, luto
E peço arrego com essa poesia
Agora enquanto escrevo
alguém xinga pela rua
E eu, sem forças, sigo estatelado no sofá
O mundo parou
e eu já desci
esperando o próximo trem
que nos salve!


segunda-feira, 27 de abril de 2020

Minha Quarentena de Antena Ligada - Raul Franco



Nesta quarentena resolvi fazer algo diferente... (risos). É verdade. Virei quase uma Luísa Marilac da quarentena, querendo revolucionar. Um processo interessante e delicado em pleno estado de alerta mundial. Segura aí, que vem a explicação.

Eu já estava em um processo muito intenso de autoconhecimento, buscando meditação, mindfulness, thetahealing e yoga. Uma verdadeira salada para realizar uma grande transformação em minha vida. Não queria pouca coisa, queria o algo maior. Aí veio o Corona Vírus lá da China pra dizer: “Olha, tô chegando, melhor vocês se esconderem. Senão, bau bau...”. Sim, ele disse bau-bau ou alguma coisa em chinês que eu não entendi direito. No entanto, ficou claro que o bicho ia pegar. Então, pensei: “Calma, pára, respira, reflete e não pira”, meu mantra de salvação. Comecei a ver que eu já estava fazendo algo profundo por mim. Eu já estava fugindo de muita coisa pra dentro de mim. Então, com esse episódio, acabei vendo que não era o fim, mas a chance de me desafiar cada vez mais. Ou seja, eu não estaria mais só procurando estar dentro de mim. Mas estar dentro de mim dentro da minha casa.

E tudo se deu em uma data simbólica. Sexta-feira 13! Saí à noite (mal eu sabia que seria a última que eu daria as caras em festas) para comemorar o meu aniversário, que foi dia 14/03. Então, eu estava na rua para celebrar o início de um novo ciclo. Beijos, abraços, apertos de mãos (os últimos desses dias). E agora viria a clausura. Ok, tudo bem, afinal sou peixes. Basta eu pensar que realmente estarei no meu aquário particular. Huuum, melhor dar uma aquecida na água, porque dizem que calor não é o forte deste Corona aí. Tem que pensar em tudo, não dá pra vacilar.

Estando no aquário, agora eu teria que organizar as tarefas. Por incrível que pareça, nunca me vi tão organizado. Com hora para acordar, para produzir, para meditar, orar e bater panela (ainda temos isso em plena quarentena).

Como tudo coincidiu com este meu momento especial de autoconhecimento, eu acabei mesmo pensando que a lembrança que eu quero ter dessa quarentena (e que não tenham outras) é de um momento de escolha. Como se, em um momento difícil, não só para o Brasil, mas para o mundo, eu tivesse resolvido fazer um grande processo de cura. Então, mais a frente, quero olhar pra trás, depois que tudo estiver resolvido e as pessoas estiverem em paz e melhores, e sem Corona Vírus, e poder dizer: “Olha, naquele momento de quarentena, eu quis revolucionar a mim. E, curiosamente, a própria situação em si revolucionou as pessoas. Não seremos jamais os mesmos daquele momento. Porém, ele foi realmente importante para que algo em nós definitivamente mudasse”.

Em suma, afirmo que esta quarentena definitivamente não está sendo um problema. Está sendo uma missão! Que vençamos, então!