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segunda-feira, 9 de setembro de 2024

O poeta está vivo! Viva Cazuza!

 

Na segunda-feira, dia 2/09, em um evento fechado no Rio de Janeiro, teve o lançamento do box do Cazuza, composto por dois livros: "Meu Lance é Poesia", que inclui 238 poemas de Cazuza, sendo 27 inéditos encontrados no acervo tão bem cuidado de sua mãe, Lucinha Araújo, e "Protegi teu nome por amor", que é uma fotobiografia com mais de 700 imagens. Muitos artistas compareceram ao lançamento, como Gilberto Gil, Elymar Santos, Léo Jaime, a cantora Joana e o ator Daniel Oliveira, que interpretou Cazuza no cinema. Paulo Ricardo fez um Pocket Show onde apresentou algumas versões para as canções de Cazuza, que ele lançou em um EP, em 2018. 


E no dia 5/09, teve o lançamento para o público em geral na Livraria da Travessa, no Leblon. Estavam lá para autografar as obras, o escritor e poeta Ramon Nunes Mello, que é o organizador do acervo e que, durante um ano, debruçou-se sobre o vasto material de Cazuza; e Lucinha Araújo, a mãe do nosso poeta do rock. Foi uma noite especial e eu pude conferir o resultado deste trabalho muito interessante que ajuda a manter viva a obra do Cazuza. O box é uma realização da editora WMF. 

Dia 9/09 foi a vez de São Paulo receber o lançamento da obra na Bienal do Livro, no Salão das Ideias. 
























sexta-feira, 1 de setembro de 2017


A VOLTA DOS TRIBALISTAS - por Raul Franco

Eu esperei a volta dos Tribalistas, sentando em frente a TV, igualmente como fiz em 2002. E, se não me engano, o especial de 15 anos atrás foi bem mais tarde e eu estava lá, acompanhando tudo. Ambos na Globo. 

Em 2002, de cara, vi sucesso naquela música Já sei namorar - coisa que realmente aconteceu: a música arrebentou e todo mundo sabia de cor e cantava ininterruptamente.

Lembro que o disco de estreia foi bastante criticado: uns diziam que era um golpe de marketing, outros diziam que o som deles estava engessado em um formato, como se fosse música pensada para fazer sucesso muito mais do que pensada com o coração, coisas assim. O certo é que o disco também foi um fenômeno e ninguém passou indiferente a ele. Uns, por outro lado, amavam e achavam as canções "gracinhas", "graciosas", "lindinhas". Eu, como fã do trio, gravei o especial de 2002 em um VHS (olha como faz tempo!) e ouvia um CD pirata que minha ex-namorada havia comprado. E mais tarde, cheguei a fazer uma pantomima da música Velha infância. 

Mas, 15 anos depois, o que os Tribalistas trazem de novo? Hum, bem difícil essa questão. Em tempo de pouco inventividade e ousadia na música popular brasileira (eu odeio este termo), os Tribalistas poderiam ser um sopro de esperança. No entanto, eu me senti em 2002, ouvindo mais do mesmo. Podem dizer: "Mas é o estilo deles". Só que se passaram 15 anos (!), um mundo de coisas aconteceu, transformações no mundo em todos os sentidos, evoluções tecnológicas e tal. E sei que eles podem mais. Ou podiam mais (será que a criatividade se esgotou?).

Definitivamente, os Tribalistas não são os salvadores da música popular brasileira - tem coisa ainda que soa bem mais interessante e com "tesão". Falo tesão, porque ao ouvir todas as faixas, senti um certo "gozar de pau mole", como fala Lobão. Nenhuma música me inebriou e me deu um certo regozijo essencial que me despertaria de algum sono profundo. Algumas achei interessante o som e a estrutura, como Diáspora (a melhor do disco). E a dos "peixinhos" achei bonitinha. 

Posso falar dos Tribalistas, ou melhor, sinto-me a vontade quanto a isso, porque sempre fui fã do Arnaldo Antunes, principalmente; de comprar os discos, ir a shows. Até o último CD, Já é, eu comprei (o que é algo bem estranho hoje em dia: comprar CD). E Marisa Monte sempre me encheu os ouvidos. O seu disco Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-rosa e Carvão é um disco incrivelmente belo. E o Carlinhos Brown sempre o respeitei como músico. Volta e meia, os 3 se encontravam em parceiras para outros artistas, inclusive. São responsáveis por grandes hits.

Mas, voltemos a noite de ontem. Ao ouvir tudo, pensei que as canções do novo trabalho caberiam tranquilamente no primeiro e único disco do grupo, apesar de serem menos criativas, na minha opinião. E a quantidade de músicas também é menor do que o disco de estreia - de repente eles suaram muito pra chegar a esse número de canções para compro um disco e um especial para a Globo. A coisa é tão "mais do mesmo" que em um dado momento Marisa Monte diz: "Falta inventar uma palavra. No primeiro inventamos algumas". Eles ficam criando e Arnalda manda: "Tribalivre". E eles fecham com a palavra! Ou seja, nem eles escondem que é repetir uma fórmula mesmo. É algo mercadológico mesmo. É pra soar igual mesmo. Talvez, não seja música feita com o coração, mas música feita para o cifrão (rsrs). 

O que sei é que os três já funcionaram muito melhor em suas carreiras individuais. E deve ser isso, chegou um momento da vida que eles pensaram: "Vamos fazer um barulhinho bom de novo (alusão a um disco de Marisa), o Brown bate umas coisas aí, a gente escreve, Arnaldo declama algo no meio e a gente fatura". 

Os tempos são outros. Mas os Tribalistas foram congelados, descongelaram este ano e eles fizeram um novo disco, igualzinho. 

Você acha que tá ruim? Pode ficar pior, hein? Pato Fu vem aí com Música de Brinquedo 2! Com certeza, repetindo a fórmula que já deu certo (?) no outro disco que fizeram. Nada de novo no front!