Publicidade

Mostrando postagens com marcador poema raul franco sim teatro são paulo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poema raul franco sim teatro são paulo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Eu digo SIM


Uma vez estava em São Paulo para me apresentar num programa de TV.
E já que se tratava de um momento importante eu me vi na maior adrenalina. E são nesses momentos que vemos a nossa vida toda passar como num flash em nossa cabeça. Ainda no hotel, pensei na minha trajetória como artista e logo peguei um papel - daqueles que vem no bloco com a logo do hotel - e rabisquei alguma coisa. E como é de costume: sempre penso em tudo com uma certa positividade, por isso achei que poderia dar o nome a esse texto de SIM. Porque é muito bom quando ouvimos a palavra sim, simbolizando a permissão, a porta aberta para que avancemos com nossos sonhos. Então, divido com vocês esse poema... Afinal, como diz uma canção do Charlie Brown JR: "A vida já me derrubou / a vida já me deu abrigo".


SIM - Raul Franco

Saí do Norte

Tentando a sorte

De levar minh’arte

Pra qualquer parte

Do Brasil


Aterrissei no Rio de Janeiro

Sem dinheiro

Mas com vontade

De tudo conquistar


Fazendo uma figuração ali

E uma peça acolá

Vendendo o meu livro

De bar em bar

Recitando versos dispersos

Na noite da boemia

Com as pernas cansadas

E a barriga vazia

Mas sem tempo de desistir

Ou voltar atrás

Transformando em sopro

Toda tempestade sagaz


Sou artista brasileiro

Com a proteção do Cristo Redentor

Assim me fiz ator

Brilhando no palco

Correndo pro abraço

Depois do salto

Sem rede de proteção

Sentindo no coração

O peso da sobrevivência


De vez em quando fiquei triste

A cada porta fechada

Mas minha mão é dura

E se fecha também

Pra socar o vazio

Tecendo a vontade de ir além

Remando nesse Rio

Que não pertence a ninguém

Nem a mim, nem a ti


Então, parto de Copa

A São João de Meriti

E traço a minha rota

Com a necessidade de existir


E existo

Com a bênção da minha mãe

Que sempre torceu por mim

Porque ela sabia que um dia

O meu martírio chegaria ao fim

Pois pra cada 38 nãos

Tem que vir um SIM