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quarta-feira, 16 de setembro de 2020

+ ou - ISSO - Poemas do voo e da queda

 


RELEASE DO MEU NOVO LIVRO

ou  - Isso (poemas sobre o voo e a queda). 


Antes da quarentena eu pensava em fazer o terceiro livro da minha

Trilogia do Amor.

Eu estava escrevendo aos poucos os contos que estariam no livro.

Mas, a partir de março de 2020, tudo mudou.

Veio o medo e muitas incertezas.

Obrigatoriamente, deveríamos ficar em casa.

Então, um dia me veio um insight

de organizar um livro de poemas para lançar na Amazon.

E fiz. Criei o "Poemas para se ler na quarentena"

e o disponibilizei na plataforma.

Para minha surpresa, em cinco dias, teve 739 downloads do livro digital.

Muitas pessoas vieram a mim, comentando o livro.

Detalhe: o primeiro livro que lancei na vida foi um livro de poemas.

Sempre escrevi poemas, mas já não pensava

em fazer um livro para compartilhar

esses poemas. Isso me veio mesmo na quarentena.

Então, por conta do sucesso do primeiro livro lançado,

fiz o segundo: Poemas para se ler na quarentena Volume 2.

E desde março, eu passei a escrever compulsivamente,

como se realmente não houvesse amanhã (risos).

E a ideia era poder lançar muito mais coisas.

Passei a organizar uns poemas, pensando na trajetória da minha vida.

Um livro que desse conta das minhas alegrias e dores.

E isso me veio mais forte quando fiz uma Constelação Familiar online.

Algo muito profundo e revelador.

Os assuntos logo pipocaram na minha cabeça.

Peguei um caderno e estabeleci uns tópicos e saí escrevendo.

Quando a coisa foi ganhando forma, entendi que eu não escrevi o livro,

foi ele que me escreveu. 


Nos momentos em que eu sentava para criar algo,

logo me vinham muitas lágrimas.

Foram dias intensos. Eu escolhia momentos para vir esta catarse.

E me jogava nela, sem receio e sem pensar em pára-quedas

ou redes de proteção.

Simplesmente me jogava. Queria entender até onde ia todo esse processo.

E quando olhei os poemas que selecionei para este livro

que eu ainda não sabia o que era, vi que eu estava falando

claramente da minha vida, dos meus pais, do meu passado, do amor…

Fiz um exercício de resgate de muitas coisas.

Foi mesmo um livro feito com lágrimas e reencontros.

Eu fui lá onde a ferida doía para libertá-la.

Curiosamente, vieram-me imagens de montanhas, índios, fogueiras.

Eu não entendia o fluxo disso mas deixava vir e, ao escrever,

foi quase como se eu estivesse psicografando.

E quando eu terminava este processo, realmente

vinha uma sensação de esvaziamento.

E eu me jogava no sofá e ficava olhando o teto. 


E, de cara, pensei: qual seria a razão disso tudo? o que me motivou?

o que eu pretendo com isso? Logo tive a certeza de que escrever

já foi o mais importante do processo todo, independente

do que isso viria a se tornar.

E foi a minha versão dos fatos…

Os fatos da minha vida, única coisa que me pertence profundamente

e não é de mais ninguém. Algumas pessoas dividiram coisas comigo

ao longo da minhas existência, mas não tem conhecimento

do todo que eu vivi.

Podem ter uma vaga ideia. No entanto, o todo pertence a mim. 


Então, como foi tão profunda e tão dolorosa algumas passagens,

eu já sonhava que muitas pessoas pudessem ler este livro

que me foi tão importante fazê-lo.

Tanto que, imediatamente, pensei no título: “Para quando eu me for”.

Parecia algo bem sério e quase como um legado.

E, afinal, também tinha a ver com essa coisa da brevidade

que nos veio tão forte e tão óbvia a partir das mortes

por conta de um novo vírus.

E isso me fez pensar também na década de oitenta e na Aids.

Por isso eu me voltei para Cazuza e toda a sua urgência em função

da sua condição de soropositivo.

Eu me fiz urgente. Eu me desafiei de todas as formas.

E esse livro só foi possível levando em conta a minha maturidade.

É um resgate importante, primordial, que promoveu

a reconstrução de um ser,

o meu ser em particular. 

Foi preciso silêncio e o esvaziamento necessário

para se começar a auto-investigação.

Então, eu me espremi para (re) nascer em versos.

E eu falo da minha vida de forma que possa servir a alguém

que se identifique com os processos.

Porque é um livro que fala da família, da mãe, do pai, dos avós.

Um livro em que olho as minhas raízes e entendo o movimento

que me levou pelas minhas caminhadas.

Em resumo, é + ou - isso. O título do livro que já fala por si

- substituindo a ideia inicial

de “Para quando eu me for”.

E fiz questão de usar os símbolos “+” e o “-”,

pensando nas polaridades de uma pilha.

A carga negativa e positiva. Uma verdadeira metáfora da vida.

E o subtítulo também nasceu de forma bem apropriada:

Poemas do voo e da queda.

Então, ficou “+ ou - isso - (Poemas do voo e da queda)”,

de autoria desta pessoa que vos escreve.

Agora estou leve, muito leve, depois de lançar este livro ao mundo.

Espero que chegue a alguém,

porque sinto como se fosse a garrafa de um náufrago jogada ao mar.

Pode demorar a chegar, mas vai chegar a alguém.

Agradeço a quem, por ventura, o livro chegar.

É uma parte importante da minha pessoa. Com toda certeza! 


Link para baixar o e-book





segunda-feira, 27 de abril de 2020

Minha Quarentena de Antena Ligada - Raul Franco



Nesta quarentena resolvi fazer algo diferente... (risos). É verdade. Virei quase uma Luísa Marilac da quarentena, querendo revolucionar. Um processo interessante e delicado em pleno estado de alerta mundial. Segura aí, que vem a explicação.

Eu já estava em um processo muito intenso de autoconhecimento, buscando meditação, mindfulness, thetahealing e yoga. Uma verdadeira salada para realizar uma grande transformação em minha vida. Não queria pouca coisa, queria o algo maior. Aí veio o Corona Vírus lá da China pra dizer: “Olha, tô chegando, melhor vocês se esconderem. Senão, bau bau...”. Sim, ele disse bau-bau ou alguma coisa em chinês que eu não entendi direito. No entanto, ficou claro que o bicho ia pegar. Então, pensei: “Calma, pára, respira, reflete e não pira”, meu mantra de salvação. Comecei a ver que eu já estava fazendo algo profundo por mim. Eu já estava fugindo de muita coisa pra dentro de mim. Então, com esse episódio, acabei vendo que não era o fim, mas a chance de me desafiar cada vez mais. Ou seja, eu não estaria mais só procurando estar dentro de mim. Mas estar dentro de mim dentro da minha casa.

E tudo se deu em uma data simbólica. Sexta-feira 13! Saí à noite (mal eu sabia que seria a última que eu daria as caras em festas) para comemorar o meu aniversário, que foi dia 14/03. Então, eu estava na rua para celebrar o início de um novo ciclo. Beijos, abraços, apertos de mãos (os últimos desses dias). E agora viria a clausura. Ok, tudo bem, afinal sou peixes. Basta eu pensar que realmente estarei no meu aquário particular. Huuum, melhor dar uma aquecida na água, porque dizem que calor não é o forte deste Corona aí. Tem que pensar em tudo, não dá pra vacilar.

Estando no aquário, agora eu teria que organizar as tarefas. Por incrível que pareça, nunca me vi tão organizado. Com hora para acordar, para produzir, para meditar, orar e bater panela (ainda temos isso em plena quarentena).

Como tudo coincidiu com este meu momento especial de autoconhecimento, eu acabei mesmo pensando que a lembrança que eu quero ter dessa quarentena (e que não tenham outras) é de um momento de escolha. Como se, em um momento difícil, não só para o Brasil, mas para o mundo, eu tivesse resolvido fazer um grande processo de cura. Então, mais a frente, quero olhar pra trás, depois que tudo estiver resolvido e as pessoas estiverem em paz e melhores, e sem Corona Vírus, e poder dizer: “Olha, naquele momento de quarentena, eu quis revolucionar a mim. E, curiosamente, a própria situação em si revolucionou as pessoas. Não seremos jamais os mesmos daquele momento. Porém, ele foi realmente importante para que algo em nós definitivamente mudasse”.

Em suma, afirmo que esta quarentena definitivamente não está sendo um problema. Está sendo uma missão! Que vençamos, então!