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segunda-feira, 13 de junho de 2022

EPIFANIAS DE CAIO

 


Epifanias de Caio - Raul J. Franco


EU SANGRO E NÃO É DE HOJE…

ACORDO. FAÇO UM ACORDO COM A MORTE. 

Agora vejo fragmentos de poemas antigos pipocarem na minha cabeça…

Madrugada de frio corroendo a alma. Eu estou todo embrulhado como um bebê de alguma família latina que a mãe carrega nas costas. Seria uma criança boliviana? ou chilena…? Na verdade, acho que me sinto como outra criança. Uma criança esquimó. (não me cobrem coerência a essa altura do fato - rsrs) Sim, porque dizem que a criança esquimó é um ser evoluído, uma reencarnação de um antepassado… Acho que isso tem a ver com tudo que penso agora… 

Eu acordo meio que parecendo estar com febre… uma febre louca, uma febre terçã? (minha cabeça está em uma euforia de ideias e vejo informações se movimentarem de um lado para outro, como agora, lembrando a canção Águas de Março). 

Reluto em sair da cama. Tento entender o que houve. E me vem o choro… um choro que me rasga… um grito doído mas necessário… começo a ver frases inteiras brilhando na minha testa como os anúncios florescentes das placas de Saída de Emergência. 

Choro mais. Penso na minha mãe. Queria abraçá-la e chorar muito (ela não entenderia nada). Queria chorar e pedir desculpas por tudo, até pelas coisas que nem sei se cometi. 

Você pode não estar entendendo nada. Poucos entendem esse furor que bate… eu entendo bem. Fazia tempo que ele não vinha. E muitos dias tenho ficado em silêncio, procurando alguma epifania que me salve no meio da cozinha.

Sei… esse texto vai ficar grande. Poucos embarcarão, afinal, a vida tornou-se tão dinâmica e vazia, como uma dancinha de TikTok. 

Bom, eu pulei da cama e chorei mais, muito… as frases começam a brotar mais forte, pedindo-me para registrá-las. Corro… tenho medo de perder isso que traduz tanta coisa em mim. 

Explico: tenho mania de ler mais de 4 livros ao mesmo tempo. Gosto de sair de um pro outro. E agora com o meu kindle, a coisa de pular de um livro pra outro ficou mais fácil. E lá eu já tenho muitos livros e tenho mesmo que correr para lê-los. Tenho - obviamente - muita Clarice Lispector e muito Caio Fernando Abreu. Nem estava nos meus planos ler um Caio agora, por exemplo, até porque pensei que já tinha lido quase tudo. Foi aí que cheguei em Pequenas Epifanias. Quando fui ler, vi que eram crônicas que ele escreveu pro jornal Estado de São Paulo. Juro que passei uma vida pensando que o livro era uma reunião de contos de todos os seus livros. Não sei de onde tirei essa ideia. A edição que tenho é de 2014.

Antes, preciso explicar algo… Tentarei ser breve. Eu passei a saber quem era Caio, assistindo a uma entrevista na TV. Não sei se o ano era 1994 ou 1995. O que sei é que fiquei hipnotizado por aquele cara de fala forte, precisa, o sotaque gaúcho. Como gostei, segui vendo a entrevista. Em um dado momento, percebi que ele falava que era soropositivo e dizia como enfrentava isso e que a sua vida, então, passou a ser uma despedida. Aquilo me deixou extremamente assustado, porque a AIDS ainda era uma coisa aterrorizante. Muita gente já tinha morrido em decorrência do vírus. Morriam sem nem mesmo assumir a soropositividade, já que este assunto era rodeado de preconceito. E eu estava diante de um cara que falava com uma calma e um certo ar de resiliência. Essa entrevista me marcou muito. Guardei o seu nome: CAIO FERNANDO ABREU.

Uma vez eu estava em uma reunião de teatro em Belém em fevereiro de 1996 e recebi um texto xerocado com algo do Caio. Se não me engano o título era Nem uma gota a mais. E era um texto que havia circulado por uma entidade de apoio a pessoas portadoras de HIV (que acho que o nome era ParaVida - e nesse mesmo ano eu iria me apresentar lá). Logo depois soube da partida do Caio, no dia 25 de fevereiro de 96. Também me chegou um novo texto dele chamado Carta para além dos muros. Eu pensei: preciso urgente conhecer melhor a obra deste cara. 

Aí vem a coincidência da vida. Certo dia eu estava no quarto de minha mãe em Belém do Pará e vi em sua cama o livro “Morangos Mofados”, de Caio. Uma aluna havia dado de presente de aniversário para minha mãe (22/05/1996 - minha mãe estava fazendo 45 anos). Eu pirei. Disse: "Mãe, eu vi esse cara, ele é genial! Deixa eu ler esse livro, por favor, por favor”. Pedi de uma maneira eufórica e insistente. Qual mãe resiste a isso?

Com o livro em mãos, passei madrugadas intensas com o Caio no meu quarto. Cara, eu me vi atravessado por cada imagem, cada frase, cada metáfora, cada mergulho do Caio. Eu lia e me acabava de chorar. E aquilo começava a existir dentro de mim como pessoas reais. Cada conto era um amigo, conversando comigo. Agora vejo as imagens dos contos em mim, ainda hoje, aos 48 anos. Eu senti com o caio o que senti com Clarice aos 15 anos. E mal eu sabia o quanto essas duas pessoas iriam me influenciar e me fazer compreender a vida de uma forma grandiosa.

Ainda estou no ano de 1996. Eu, um garoto de 22 anos, prestes a terminar o curso de ciências sociais. Eu era monitor de Antropologia e criei um projeto, junto com a minha professora Ivone Correa, que se chamava O TEATRO E A ANTROPOLOGIA, onde eu criaria espetáculos teatrais com temáticas antropológicas. Em outubro, escrevi algo que nascia de uma mistura louca de Caio Fernando Abreu e alguns poetas que eu estava lendo no Caderno Mais!, da Folha de São Paulo, que minha mãe brilhantemente assinou para termos um jornal interessante em casa. Esses cadernos também me revolucionaram. Eu estava com a mente borbulhando. E a temática que eu abordaria no trabalho seria a homossexualidade. Foi quando recorri a poetas gays e ídolos meus, também gays, como Cazuza, Renato Russo e Freddie Mercury. Fiz uma imensa salada e dei o nome de OS VAMPIROS USAM SMOKING. Nossa, como eu me empolguei com esse trabalho! Um detalhe muito importante: Renato Russo - que era citado na peça que também tinha as suas canções - faleceu enquanto estávamos em processo de ensaio do projeto. Renato se foi no dia 11/10/1996. Uma sexta. Cancelei o ensaio e me acabei de chorar no quarto. Mas, enfim, o trabalho estreou e foi uma das coisas mais impactantes que fiz no hall de entrada da minha faculdade, com muitas pessoas em volta assistindo. 

Ali era a primeira influência direta de Caio em minha vida. O modo que eu criava os meus diálogos mudou. Passei a trabalhar mais cada conto, criando atmosferas incríveis. Obrigado, Caio!

Mas vamos agora falar de Pequenas Epifanias. Quando vi que eram crônicas, pensei que seria algo mais leve, não tão impactante. E segui lendo. De cara, achei bem interessante ver citações de Caio de coisas relacionadas aos anos 90. Um outro momento, uma outra forma de viver e de perceber a realidade. Legal também porque vejo Caio citando Renato Russo, Adriana Calcanhotto, Hilda Hilst e outras figuras tão importantes que eu também acompanhava nos anos 90. Então, tenho certeza mesmo que esse cara existiu (risos). Porque, às vezes, parece que ele só existe em mim, é um espectro que me visita vezemquando.  

Segui lendo e fui viajando novamente no Universo do Caio. Parecia que ele estava ali na minha frente, em um diálogo muito intenso. E as crônicas dessa edição vem datadas e vão até dezembro de 1995. Caio fala de AIDS, de solidão, de suicídio, de medo, de um trem que pode pegá-lo a qualquer momento (logo lembrei de uma canção de Raul Seixas, O trem das 7. Coincidentemente uma canção do ano que eu nasci, 1974). 

Resolvi terminar o livro nesta madrugada. E ainda tinha vindo de uma peça teatral que fui ver: “Que mundo deixaremos para Keith?”. Um peça que fala sobre escola, educação e os atores passeiam pelas suas memórias que batem muito com as minhas. Uma profunda viagem pelos anos 80. E tem uma fala que se repete de não deixarmos a nossa criança morrer na vida adulta. Isso é algo tão impactante para mim e que revi profundamente em meus processos de cura. Então, eu me pus a pensar no Raul menino. Onde ele se foi? Em que rua se perdeu? Pensei no Caio criança também. Aquele momento que nada sabemos da vida e temos tantos sonhos, tantas euforias. É bom saber que tivemos infância, como Arnaldo Antunes fala em uma canção. 

Nas últimas crônicas que li o Caio fala muito do frio de agosto em Porto Alegre. Muitas crônicas dissertam sobre isso. E eu completamente empacotado, embaixo de dois edredons, com luva. Eu mudava a página do kindle com o nariz. Como disse, parecia que eu estava com uma febre. Uma corrente de profunda energia percorria o meu corpo que tremia. Segui lendo de forma veemente cada crônica. Ameaçava terminar uma e dormir para terminar o livro assim que acordasse. Mas decidi mesmo ler até o final. E olha que coisa louca: Caio fala muito sobre o vírus da AIDS e eu penso em nosso tempo, no Covid. Nesse medo que ainda apavora. Eu aqui em pleno 2022, vivendo essa atmosfera de incertezas. Como eu sabia que o Caio iria morrer em fevereiro de 1996 (sim, eu li o livro acompanhando a vida do Caio pelas crônicas, como se tudo estivesse acontecendo naquele instante)...., então eu queria mudar, inocentemente, o fim dessa história… queria parar o tempo e salvar o Caio. Na peça que vi antes de chegar em casa para ler, “Que mundo deixaremos para Keith?”, tem um momento que fala disso, sobre um episódio, se não me engano, da série Além da Imaginação, onde um garoto tem essa possibilidade de parar o tempo. Já pensou? 

Mas meu herói Caio Fernando Abreu realmente morreu. E absurdamente vejo o quanto ele ainda exerce um fascínio sobre mim. O quanto ele me percorre, uma corrente de energia mesmo que me fez saltar da cama às 7h30 (eu que tinha ido dormir às 6h30). Agora me vejo calmo. Ainda pensando no tempo que passa, na vida que passou. Quis gritar… este texto me ajudou. As lágrimas me pediam: “escreva, escreva…”. E na semana que passou ainda teve aniversário da minha irmã. 50 anos! Em seu rosto vejo o tempo que passou. Em mim procuro as rugas dos 48 anos. O tempo passou… Agora sinto que acordei, como se  estivesse suspenso… olhando uma vida que ainda quero regar. Obrigado, Caio! Obrigado, vida!






quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Meus livros de amor

 


AMOR, AMOR
Links:
Histórias de amor para se ler na quarentena:

Muito feliz em saber que novos leitores estão procurando o livro “Enfim, separados!” na Amazon. E este livro foi o começo de muita coisa boa. Eu tive a ideia de escrevê-lo em 2015 quando encontrei um arquivo de 1998 no meu HD Externo chamado “Livro do Amor”. E quando comecei a ler as coisas que estavam no arquivo eu me encontrei com um Raul de lá detrás, que tinha um outro olhar sobre a vida, o amor. E achei bacana me encontrar com essas coisas que já pareciam tão antigas. Aí me debrucei sobre a memória das minhas separações. E comecei a organizar os escritos, a dar uma forma. E, por conseguinte, acabei escrevendo coisas novas. E depois de alguns meses eu finalizei o livro. Ao ler o resultado, chorei copiosamente. Depois abandonei este arquivo porque não tinha ideia se lançaria ou não isso. E eis que chega o ano de 2017. Mais uma vez tive vontade de pegar este arquivo que agora era um livro pronto. Daí tomei a iniciativa de bancar essa ideia e lançar o livro. Estudei a plataforma Amazon e fiz o livro por lá mesmo. Comprando os exemplares dos EUA e revendendo para os meus leitores. Ainda bem que tive leitores com interesse por esta obra. FIz uma campanha de financiamento coletivo e consegui viabilizar mais uma tiragem do livro. Dei um importante passo mesmo. Em 2018 pensei em dar prosseguimento a essas coisas de amor, como se eu seguisse uma linha que ligasse tudo o que eu estava escrevendo. Então, em pleno mês de março, mês do meu aniversário, eu iniciei um processo de cura transformador. Bateu uma insônia braba e acabei escrevendo duas histórias intensas em duas madrugadas. Uma nasceu de um sonho e veio pronta e até me deu o título do livro que eu ainda não sabia que estava escrevendo: “JUNTOS PARA SEMPRE”. Então, entendi que isso poderia significar uma trilogia do amor, iniciada com o “Enfim, separados!”. E o Juntos seguiu a sua trajetória particular. E dessa vez estudei ainda mais sobre autopublicação e acabei o lançando através de um gráfica de SP. O que tornou a tiragem do livro mais viável. E mais uma vez fiz campanha de financiamento. Fiquei feliz de ver tantos amigos e fãs do meu trabalho apoiando. Até dezembro de 2018 segui em plena divulgação do livro, comemorando com um novo solo “O amor é um grande espetáculo”. Em 2019 pensei em finalizar a trilogia com o terceiro livro que seria o mais engraçado de todos. Já estava selecionando os textos. Mas acabei me envolvendo com outros trabalhos que exigiram muito de mim. Aí iniciou 2020 e eu disse: “vou lançar o terceiro livro este ano” (já tinha até feito um esboço da capa com uma fotos maravilhosas do Tiago Xavier). Daí veio pandemia e mudou todos os planos. Mas como continuo tendo muitas ideias, pensei em continuar produzindo e lançando coisas novas. E assim o fiz, disponibilizando novos e-books na Amazon. E tive cada surpresa boa. Um desses e-books poderia até ser o terceiro livro da Trilogia, que é o caso de “Histórias de amor para se ler na quarentena”. Como me pus a avaliar as coisas que produzi nos últimos tempos, a ideia deste livro era reunir alguns contos do “Enfim, separados!”, outros do “Juntos para Sempre” e também parte do que seria o terceiro livro realmente. Mas não quis queimar cartucho à toa. Então, olha a coisa curiosa agora: quando eu estava lendo o arquivo que gerou o Enfim, tive que descartar algumas coisas. Não dava pra incluir tudo. Então, devo ter tirado uns 12 ou 15 textos. E alguns desses textos falavam de um amor especial que passou pela minha vida. Os textos ficaram guardados no meu Google drive. Aí em pleno momento desta pandemia, em uma sexta qualquer, este amor veio ao meu encontro. E foi lindo. Conversamos sobre tudo que vivemos ali em meados dos anos 90. E sentimos fortes emoções ao lembrar. E ela tinha guardado as minhas cartas esse tempo todo. Ela fotografou algumas e me mandou. Então, inevitavelmente, eu acabei escrevendo uma bela história que vi que poderia encabeçar o novo livro que eu queria lançar em junho, mês dos namorados. Com essa história pronta, resgatei parte dos textos que eu havia tirado do Enfim e que tinha tudo a ver com a nova história, com esse reencontro maravilhoso com essa pessoa especial. Foi só reunir tudo e ver um novo livro pronto. Tudo foi profundamente intenso e acho que por isso tocou tantas pessoas que leram este e-book. E agora, motivado em nível hard, prometi a mim mesmo que vou lançar um e-book por mês até dezembro. Então, aguardem que vem muita coisa boa por aí.


segunda-feira, 2 de julho de 2018

Campanha de Financiamento Coletivo




JUNTOS PARA SEMPRE - O SEGUNDO LIVRO DA TRILOGIA DO AMOR

Em tempos obscuros, apostar em cultura ainda é a melhor arma! Investir em livros é como abrir a mente para o sonho, para a reflexão. Por isso, depois de fazer o lançamento no ano passado do primeiro livro da Trilogia do Amor, "Enfim, separados!", tomei fôlego para investir em um novo projeto que nasceu dessa vontade de contar mais uma história de amor de um modo especial: através de fragmentos, e, sob olhar atento do leitor, os fragmentos serão uma espécie de mosaico emocional. Assim naceu o "Juntos para sempre", o segundo livro desta trilogia. E é também parte de um processo criativo da minha nova peça que pretendo lançar também neste ano de 2018.
E por que coloborar com este projeto? É uma forma de incentivar essa produção literária que pede passagem e pretende dar ao leitor esses momentos de esperança, de contato com o lúdico e com sentimentos tão vitais ao ser humano. Estou convidando  o leitor a conhecer a minha literatura e, em especial, conhecer os protagonistas que norteiam esta história: o escritor Caio e a fotógrafa Clarice.
O livro teve um lançamento em maio em Belém e foi muito bem recebido por todos. Esta campanha visa poder dar continuidade a divulgação do livro para que mais pessoas possam ter acesso a ele, que é uma autopublicação, onde o autor é responsável por cada etapa do projeto. 
Colabore! Temos diversos valores (escolha também o valor que você deseja investir no projeto) e você pode ter em mãos o "Juntos para sermpre" somente ou acompanhado do "Enfim, separados!". Seja parceiro nesta campanha! 
Conto com vocês!


Vídeo da campanha

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Como ter o seu próprio livro? Como se autopublicar?



Quando a gente começa a escrever, obviamente, logo a gente pensa em reunir tudo em um livro e lançá-lo para que, assim, o leitor tenha acesso a sua obra.

Li uma vez algo curioso, que dizia que quando a pessoa pensa em escrever um livro, ela, imediatamente, pensa em um romance, mas ela acha bem complicado. Aí ela parte pro conto, pensando que pode dar conta (olha o trocadilho infame!). Por fim, ela vai para o poema, acreditando ser o gênero mais fácil - o que é um ledo engano. O poema é um dos gêneros mais difíceis, é o poder da síntese de ideias e emoções.

Escrever é antes de mais nada, cortar palavras - já dizia Drummond. E antes de pensar em ter um estilo, comece por ter estilho nenhum - isso quem disse, se não me engano, foi Vinícius de Moraes.

O que importa mesmo é que escrever é um exercício diário. Quando mais você escreve, mais você vai entendendo o seu processo, a sua forma de ver o mundo. E escrever pode ser tudo, algo como uma terapia também. A escrita tem esse poder libertador - é como lançar no papel tudo que nos habita e muitas vezes nem nos damos conta.

Eu lancei o meu primeiro livro aos 22 anos. Era um livro de poemas, intitulado Cicatrizes, e reunia basicamente o que eu havia escrito nos últimos 4 anos, enquanto eu frequentava o curso de Ciências Sociais. Mas, antes mesmo, eu havia feito um livro todo na máquina de escrever, a que eu dei o nome de Acumulações de Perturbações Poéticas - e tinha uns cortes, umas colagens, umas coisas escritas com canetinha. E, de posse deste livro, foi a primeira vez que fui conversar com uma amiga da minha mãe que era era uma consultora de uma editora. Ela lançava livros direto e me deu boas dicas. Eu devia ter uns 19 anos. Logo depois, aos 20, minha mãe comprou um computador da IBM, um moderno 486 (isso no ano de 1994). Quando comecei a produzir no computador, fiquei louco. Aquilo já tinha cara de arte final. Deu-me um entusiasmo profundo. Tanto que em 1995, fiz um livro inteiro no Paintbrush - porque também dava pra criar uns desenhinhos - que se chamou Indecências. Também de poemas. E eu imprimi, cortei no formato que eu queria e fui até um lugar para encadernar. Fiz uma porção. Aquilo era uma reinvenção dos poetas marginais da década de 70, que faziam os seus livros no mimeógrafo e vendiam em bares. Eu fiz os meus assim e vendi para muitos colegas e parentes. Foi uma experiência boa, que me ajudou a circular a minha obra.

Depois comecei a escrever para o jornal da minha Universidade - UNAMA, em Belém do Pará -, muitos poemas, crônicas e artigos. E vi o resultado do que achavam, através de feedbacks bem interessantes pelos corredores da Universidade - uma época sem redes sociais ainda. Eu era abordado ali e recebi muitos comentários e troca de ideias fantásticas.

Então, pra encerrar o meu tempo na Universidade, recorri a mesma para conseguir patrocínio para o meu livro, Cicatrizes. E consegui. Ele foi lançado lindamente em um dezembro de 1996 (e terá uma reedição em breve, comemorativa de 20 anos).

Depois disso, muita coisa mudou. Eu vim morar no Rio de Janeiro. Investi na minha carreira de ator. Continuei escrevendo como nunca. Cheguei a fazer mais dois livros, um de poemas e outros de crônicas, mas não cheguei a lança-los. Porque também eu já escrevia minhas peças teatrais e tinha uma resposta imediata, já que elas eram levadas ao palco. Assim foi com Casal Consumo; Todo mundo amplia a paranoia que cria; Sexo grátis, amor a combinar; Quando o amor é um pastel de carne para corações vegetarianos e Crônicas do amor mal amado, dentre outras.

Fiz também muito stand up, escrevendo os meus próprios textos e roteiros pra TV, youtube e cinema.

Só em 2015, retomando um dos arquivos do meu computador, vi que tinha uma ideia de livro interessante nele. Comecei a mexer novamente naquilo e nasceu o Enfim, separados - tudo a ver também, porque eu havia acabado de me separar. Poderia me amparar na literatura também, como forma de dar um respiro n'alma.

Pesquisei, então, diversas formas de publicar. Cheguei até a Amazon, uma plataforma bem interessante. E pensei em um livro digital. Por isso, estudei como era o mercado de livros digitais no Brasil, os famosos e-Books. E achei que poderia ser algo interessante. Lancei alguns contos por lá, como teste. Mas ainda não sabia direito como funcionava a plataforma.

Só neste ano que fui retomar tudo e ver mesmo como lançaria o livro. Aí volto a Amazon e vejo que tem também como se fazer o livro físico - só que este é só em plataformas do Japão, EUA, França, e outros países. No Brasil ainda não tem. Então, formatei o livro inteiro, criando o sumário, a diagramação, escolhendo as fotos que o ilustrariam, fazendo capa. Segui, assim, o processo ideológico do autor que se autopublica - uma nova tendência.

Deixei o livro lá na Amazon pra ver o que acontecia. Fiz algumas promoções por lá, divulguei nas redes sociais. Isso por volta de julho. Até que vi que 51 pessoas haviam baixado o livro digital. Isso me deixou feliz, mesmo querendo ver o lance do livro físico, porque parece que o digital você não tem muito aquele contato tão precioso que se tem com um livro físico.

Mas aí, vem o melhor. Uma amiga dos Estados Unidos acessou o site da Amazon de lá e comprou o livro físico. E fez um vídeo onde me mostrou o seu marido folheando o livro, com a legenda: "Não é foto não, hein? É o livro em mãos". Aí deu aquela emoção. Ver que o livro realmente existia.

Eu já tinha um show de humor marcado em Belém do Pará para começo de agosto. E como postei nas redes sociais sobre o novo livro, além de ter feito algumas lives, as pessoas começavam a me perguntar por ele. Então, resolvi fazer uma pequena tiragem para levar para Belém e vender por lá. Foi aí que encomendei 30 livros apenas. E os vendi no show. Todos! Foi bem legal. Deu uma certa injeção de ânimo. Ainda pude dar uma entrevista em um programa local, Sem Censura Pará, e falei sobre os processos da autopublicação, bem como o financiamento coletivo para conseguir viabilizar sonhos que poderiam morrer nas gavetas. Saíram duas matérias incríveis em jornais de grande circulação, além de diversas notas.

Ou seja, o livro é uma realidade. Quem quiser conversar mais sobre isso, sobre como se autopublicar, tirar dúvidas, dar sugestões, este é meu e-mail : raulfranconeto@gmail.com.

E também fiz uma campanha de financiamento coletivo que está há vinte dias do fim, como forma de viabilizar mais uma tiragem do livro, e ainda vou estudar novas propostas.

Link para a campanha - https://www.kickante.com.br/campanhas/livro-enfim-separados-de-raul-franco

Colabore, participe, compartilhe, VIABILIZE SONHOS.

Obrigado, Raul Franco.

domingo, 23 de julho de 2017


O ator e escritor paraense Raul Franco
lança o livro Enfim, separados!

O ator e escritor paraense Raul Franco, que mora no Rio de Janeiro há 20 anos, está lançando um novo livro de contos e crônicas, Enfim, separados!  
Ainda em Belém, lançou o livro de poemas Cicatrizes, em 1996. E depois de anos se dedicando ao teatro, não só como ator e diretor, mas também como dramaturgo, tendo escrito peças de sucesso, como Casal Consumo, Crônicas do Amor Mal Amado e Sexo Grátis, Amor a Combinar, só agora Raul decidiu criar uma nova obra que refletisse, inclusive, a sua produção literária das últimas duas décadas.
Assim nasceu Enfim, separados! Um livro que reúne uma produção intensa, com textos de 1994 até 2016. Todos eles voltados para o assunto que mais o fascina: o amor. Apesar do título, o livro não é uma tese ou exclusivamente um tratado sobre separação. Mas um passeio emocional, poético, sensível, por todas as etapas do amor, desde o encontro, a ausência, a expectativa, a celebração, até o momento da separação, e o ciclo amoroso voltando a se repetir novamente.
O livro se divide em três partes. Na primeira, Raul apresenta crônicas em primeira pessoa, narrando episódios da busca e vivência do amor. Na segunda, temos contos com histórias vividas por diversos casais, que enfrentam o cotidiano ou sucumbem a ele, mas sempre movidos pelo amor. E na terceira e última parte, textos que falam da nossa fase atual, repleta de aplicativos de relacionamentos e redes sociais. Raul faz, então, uma bem-humorada reflexão sobre como o amor pode sobreviver nesses tempos de excessivas dispersões internéticas.
Para lançar o livro, Raul escolheu um caminho diferente para ele e que, talvez, represente uma nova tendência do mercado editorial: através da plataforma da Amazon. Algo viável, seguindo a ideia de se auto-publicar e alcançar um enorme número de leitores através da Internet.
O livro inteiro foi concebido por ele, desde a capa/contracapa, passando pela diagramação do livro e escolha das fotos que o ilustram. E está disponível em dois formatos: o digital (e-book) e o físico. Sendo que, por conta da plataforma ainda ser recente no Brasil, pela Amazon brasileira só é possível encontrar o livro digital. O físico é encontrado em outras lojas virtuais da Amazon, como a dos EUA, França, Espanha, Itália e Japão. Basta acessar o site e fazer uma pesquisa pelo nome do livro ou nome do autor que se chegará a ele.
Em breve, para os demais interessados, o artista fará uma campanha de financiamento coletivo com o intuito de tornar muito mais viável a aquisição da obra. Será no estilo crowdfunding, onde o público contribuirá com uma quantia escolhida, entre as sugeridas, tendo direito a recompensas interessantes, como o livro sendo entregue diretamente em domicílio, agradecimentos especiais na página pessoal do artista e do livro, textos exclusivos por e-mail e muito mais. Não deixe de acompanhar. Maiores informações, acesse a página no facebook do Enfim, separados.

Para facilitar, acessem o link do livro digital: