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sábado, 23 de setembro de 2017

O BOM E VELHO TITÃS - por Raul Franco


Titãs entrou no palco do RIR e mandou ver. Mostrou que música de qualidade não envelhece e que o nosso bom e velho rock'n'roll continua mais vivo do que nunca.
Apenas três remanescentes da formação original: Sérgio Brito, Tony Belloto e Branco Melo. E a aquisição de Beto Lee nas guitarras foi um acerto - o cara manda muito e é muito gente boa. O baterista Mário Fabre está de parabéns, agora mais integrado com a banda, garantindo as pegadas geniais que são a marca dos Titãs. Destaque para a sua marcação em Bichos Escrotos, dando um up a mais na música.
Claro que vou sempre sentir saudade de Arnaldo, Miklos, Nando e Fromer. Mas o repertório dos Titãs é imbatível. E quando eles apostam na pegada rock, não tem pra ninguém. O instrumental está ótimo e as letras continuam incrivelmente atuais.
Ainda mostraram 3 músicas no evento do atual trabalho que deve ser lançado ano que vem - ÓPERA ROCK. As 3 muito boas. Destaco ME ESTUPREM, com uma letra irônica e forte sobre um assunto tão sério e atual. E músicas novas são muito importantes para uma banda seguir em frente e não ficar apenas atrelada ao passado - mesmo os Titãs tendo um passado esplêndido, uma trajetória incrível.
Hoje Titãs representou e muito a geração do Brock Anos 80.
Viva Titãs!

sábado, 16 de setembro de 2017

Momentos do Amor em 8 tempos no festival de cenas curtas Niterói em Cena









Cena: AMOR EM 8 TEMPOS
Texto: Raul Franco
Direção: Carmen Frenzel
Com: Raul Franco e Gizzela Mascarenhas.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

"OS MILITARES COLOCARAM ORDEM NO PAÍS"



Colocaram sim. E mataram uma galerinha. Mas o que é matar uma galerinha, né? O que é afundar o país num obscurantismo, né? Era legal eles decidirem o que você deveria ler e ouvir. Você vivia a mercê das decisões dos militares, com uma linda liberdade vigiada. E tudo isso, amigos, era pra nossa segurança. Os militares nos carregavam no colo e, acredito, muitas vezes nos davam de mamar. Era tanto zelo que me arrepia só de pensar.

Ah, tem aquelas histórias todas, de depoimentos de ex-torturadas no filme de Lúcia Murat: Que bom te ver viva. Que eu devo ter visto umas 5 vezes nos meus 15 anos. Talvez, sei lá, talvez... por isso, por ver mulheres emocionadas, chorando, falando o quanto tremiam diante de uma lagartixa; não que elas fossem virar um jacaré, mas, pelo simples fato, de que os torturadores esfregavam o bichinho em suas vaginas. Coisa leve, né? Mas isso tudo era pra nossa segurança!

Com o AI-5 eles tiveram toda a legitimação para justificar as suas atrocidades. Era lindo! Batiam na sua casa e te pegavam pelo braço, sem ter direito a defesa e te levavam para prestar depoimento e, muitas vezes, sumiam com você, mas sempre defendendo a ordem e os bons costumes. E quando eu digo sumiam, é tipo, sumir mesmo, do mapa, inclusive. Saca Eliza Samudio? Isso mesmo.

O país devia ser uma maravilha de 1964 a 1985. Tanto que não sei porque a Alice não se mudou pra cá.

Aconteciam coisas bacanas: tipo, o pai do Marcelo Rubens Paiva ser morto. O filho da Zuzu Angel também. Ela mesmo morreu em condições controversas - ah, uma morte a mais, uma morte a menos, vai fazer diferença? O jornalista Herzog foi morto e ainda tentaram simular um suicídio, inclusive, colocando um canudinho em seu pênis porque armaram um cenário de enforcamento - ou seja, a galera era criativa também. Diversos artistas e outras personalidades foram obrigadas a saírem do país, como Caetano, Gil, Betinho, dentre centenas. Músicas foram proibidas. Arranharam, por exemplo, duas faixas de um disco da Blitz, porque as canções foram vetadas, já que "eles" supunham que aquilo não poderia ser ouvido (apenas alguns acontecimentos desse país de uma época maravilhosa). Ah, quem sabe se houver Ditadura de novo, você será proibida de ler aquele livrinho erótico no cair da madrugada. Porque se eles cismarem que você se excita com isso, você estará criando um problema para a sociedade.

Mas, segundo Zezé di Camargo, na sua sapiência de pensador sertanejo, o militarismo deve voltar para reorganizar tudo e devolver de volta um país "DECENTE" (será que mulheres poderão usar minissaia?).
Querem armas e canhões, com amor e carinho.

Em breve, acredito, depois de fechamento de Universidades (acho que estudar hoje em dia, virou um ato comunista) vão pedir a queima de livros em praça pública.

Pensar pra quê? Vamos voltar a um mundo preconizado por Orson Orwell, no livro 1984... Ah, desculpa, é um livro. Pode ser muito perigoso ler hoje em dia!

Ah, deixem-me eu me apresentar. Eu me chamo, Raul Franco, e peço que queimem este texto depois de ler (ou denunciem; de preferência, alegando alguma coisa religiosa, isso tem um poder incrível e pode surtir efeito). 

OBS.: Este texto contém altas doses de cinismo moderado. Algumas mentes podem não captar o caráter abstrato de algumas metáforas.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

TRISTE RETRATO DO PAÍS - RAUL FRANCO



Uma universidade no Rio quase fechando as portas.
Empresas tradicionais, com anos de existência, fechando as portas.
Um buraco gigantesco no meio da sensatez de quem nos governa.
Tanto roubo, tanta cara de pau, tanto rabo preso; tanta gente conivente com as falcatruas.
Prendem e soltam. Delatores premiados ainda usufruem de regalias.
Quebraram o país com pauladas de sem vergonhice.
Estrangularam a justiça.
Compraram silêncios.

Quadrilhas de colarinhos brancos tomando champanhe e caviar, vendo o povo ralar e se estrepar e ainda morrer por falta de atendimento médico nas filas de hospitais públicos.
No momento, nada funciona no País. E vem o vampiro-golpista dizer que o Brasil voltou a crescer.
Usurparam nosso país.

E tudo que queríamos era um transporte público funcionando, saúde, educação, saneamento, cultura, comida.

Não queríamos estar afundados na lama por conta de quem deveria, no mínimo, honrar os compromissos com a população que foi responsável pela eleição destes bandidos.
Palhaços de todos os jeitos nos governam, figuras execráveis como Wladimir Costa, que ainda mancha o nome da minha terra Natal. Um sujeito que, na cara dura, diz que o mandato é dele e ele faz o que quiser com ele. Ou seja, danem-se os idiotas que votaram nele.
Dane-se quem acreditou num país melhor. Dane-se quem é honesto no país. Dane-se quem vai ter que ser escravo a vida toda, porque tudo agora não faz sentido, todas as conquistas sociais vão pro ralo. Nosso bom senso vai pro ralo.

Quem ganha nesta guerra diária?

Como você se sente ao ver as notícias? Ao ver malas e malas, caixas e caixas de dinheiro roubado, escondidos em um apartamento? Ao ver o helicóptero repleto de pó que não pertence a ninguém?

Mentiras continuam sendo ditas na TV, na Internet, nas reuniões de cúpula, nas transações ocultas. Mandam matar e pessoas realmente morreram em situações, no mínimo, duvidosas.

"Primeiro a gente tira a Dilma, depois a gente tira o resto".

"Tem que mudar o governo para estancar essa sangria".

E como estamos? Como você está?

É duro ter que acordar todo dia, buscando acreditar que o nosso país ainda vai dar certo. Não quero que o país melhore pra mim, mas pra todos de modo geral. Pessoas que ralam, são honestas, que compram em mil prestações aquele presente especial que vai dar pro filho no Natal, que contam os trocados pra poder comprar uma lata de leite no supermercado, pessoas que comemoram quando tem um aumento de 15 reais no salário.

51 milhões apreendidos!!! E o governo vem e tira, veja bem, TIRA dez reais do salário mínimo. Ontem comprei uma lata de leite que foi dez reais. Dez reais não faz diferença pra quem roubou 51 milhões. Mas, pra quem tem fome, dez reais compra um pão, compra um leite, compra um biscoito. Roubam 51 milhões e roubam dez reais do bolso do trabalhador. Roubam e roubaram enquanto não puderam / não podem mais.

A coisa está no nível tão louco que, quando um cara rouba 200 mil, dizem: "Ah, foi pouquinho". Quase como "Nem prende esse que nem vale a pena".

Roubou o que seja, a quantia que for, mas que seja preso, que apodreça na cadeia.

Ande pelo país que você vai ver a quantidade de gente dormindo na rua. Ande e veja a quantidade de pedintes. Ande e veja a violência. É todo dia: morte, assaltos a mão armada, sequestros, esquemas novos para furtos e muito mais. Se o respeito não vem de cima, o que o cara, que está em sua casa, sem trabalho, com fome, os filhos sem escola, deve esperar???

Desculpem, mas dói isso tudo. Dói absurdamente dentro de mim. Às vezes, temos que ser muito fortes para continuar, persistir e não se entregar.

Não é por nada, mas se pegarmos o índice de suicídio nos últimos tempos no país, provavelmente deve ter aumentado. É muito duro ter que ver o rumo dos acontecimentos e não sofrer. Mais do que nuca estamos buscando FORÇAS pra viver neste país!

QUEREMOS / QUERO voltar acreditar!

Justiça neste país ainda teremos? Justiça social também?

Salvem o Brasil!

sexta-feira, 1 de setembro de 2017


A VOLTA DOS TRIBALISTAS - por Raul Franco

Eu esperei a volta dos Tribalistas, sentando em frente a TV, igualmente como fiz em 2002. E, se não me engano, o especial de 15 anos atrás foi bem mais tarde e eu estava lá, acompanhando tudo. Ambos na Globo. 

Em 2002, de cara, vi sucesso naquela música Já sei namorar - coisa que realmente aconteceu: a música arrebentou e todo mundo sabia de cor e cantava ininterruptamente.

Lembro que o disco de estreia foi bastante criticado: uns diziam que era um golpe de marketing, outros diziam que o som deles estava engessado em um formato, como se fosse música pensada para fazer sucesso muito mais do que pensada com o coração, coisas assim. O certo é que o disco também foi um fenômeno e ninguém passou indiferente a ele. Uns, por outro lado, amavam e achavam as canções "gracinhas", "graciosas", "lindinhas". Eu, como fã do trio, gravei o especial de 2002 em um VHS (olha como faz tempo!) e ouvia um CD pirata que minha ex-namorada havia comprado. E mais tarde, cheguei a fazer uma pantomima da música Velha infância. 

Mas, 15 anos depois, o que os Tribalistas trazem de novo? Hum, bem difícil essa questão. Em tempo de pouco inventividade e ousadia na música popular brasileira (eu odeio este termo), os Tribalistas poderiam ser um sopro de esperança. No entanto, eu me senti em 2002, ouvindo mais do mesmo. Podem dizer: "Mas é o estilo deles". Só que se passaram 15 anos (!), um mundo de coisas aconteceu, transformações no mundo em todos os sentidos, evoluções tecnológicas e tal. E sei que eles podem mais. Ou podiam mais (será que a criatividade se esgotou?).

Definitivamente, os Tribalistas não são os salvadores da música popular brasileira - tem coisa ainda que soa bem mais interessante e com "tesão". Falo tesão, porque ao ouvir todas as faixas, senti um certo "gozar de pau mole", como fala Lobão. Nenhuma música me inebriou e me deu um certo regozijo essencial que me despertaria de algum sono profundo. Algumas achei interessante o som e a estrutura, como Diáspora (a melhor do disco). E a dos "peixinhos" achei bonitinha. 

Posso falar dos Tribalistas, ou melhor, sinto-me a vontade quanto a isso, porque sempre fui fã do Arnaldo Antunes, principalmente; de comprar os discos, ir a shows. Até o último CD, Já é, eu comprei (o que é algo bem estranho hoje em dia: comprar CD). E Marisa Monte sempre me encheu os ouvidos. O seu disco Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-rosa e Carvão é um disco incrivelmente belo. E o Carlinhos Brown sempre o respeitei como músico. Volta e meia, os 3 se encontravam em parceiras para outros artistas, inclusive. São responsáveis por grandes hits.

Mas, voltemos a noite de ontem. Ao ouvir tudo, pensei que as canções do novo trabalho caberiam tranquilamente no primeiro e único disco do grupo, apesar de serem menos criativas, na minha opinião. E a quantidade de músicas também é menor do que o disco de estreia - de repente eles suaram muito pra chegar a esse número de canções para compro um disco e um especial para a Globo. A coisa é tão "mais do mesmo" que em um dado momento Marisa Monte diz: "Falta inventar uma palavra. No primeiro inventamos algumas". Eles ficam criando e Arnalda manda: "Tribalivre". E eles fecham com a palavra! Ou seja, nem eles escondem que é repetir uma fórmula mesmo. É algo mercadológico mesmo. É pra soar igual mesmo. Talvez, não seja música feita com o coração, mas música feita para o cifrão (rsrs). 

O que sei é que os três já funcionaram muito melhor em suas carreiras individuais. E deve ser isso, chegou um momento da vida que eles pensaram: "Vamos fazer um barulhinho bom de novo (alusão a um disco de Marisa), o Brown bate umas coisas aí, a gente escreve, Arnaldo declama algo no meio e a gente fatura". 

Os tempos são outros. Mas os Tribalistas foram congelados, descongelaram este ano e eles fizeram um novo disco, igualzinho. 

Você acha que tá ruim? Pode ficar pior, hein? Pato Fu vem aí com Música de Brinquedo 2! Com certeza, repetindo a fórmula que já deu certo (?) no outro disco que fizeram. Nada de novo no front! 

domingo, 23 de julho de 2017


O ator e escritor paraense Raul Franco
lança o livro Enfim, separados!

O ator e escritor paraense Raul Franco, que mora no Rio de Janeiro há 20 anos, está lançando um novo livro de contos e crônicas, Enfim, separados!  
Ainda em Belém, lançou o livro de poemas Cicatrizes, em 1996. E depois de anos se dedicando ao teatro, não só como ator e diretor, mas também como dramaturgo, tendo escrito peças de sucesso, como Casal Consumo, Crônicas do Amor Mal Amado e Sexo Grátis, Amor a Combinar, só agora Raul decidiu criar uma nova obra que refletisse, inclusive, a sua produção literária das últimas duas décadas.
Assim nasceu Enfim, separados! Um livro que reúne uma produção intensa, com textos de 1994 até 2016. Todos eles voltados para o assunto que mais o fascina: o amor. Apesar do título, o livro não é uma tese ou exclusivamente um tratado sobre separação. Mas um passeio emocional, poético, sensível, por todas as etapas do amor, desde o encontro, a ausência, a expectativa, a celebração, até o momento da separação, e o ciclo amoroso voltando a se repetir novamente.
O livro se divide em três partes. Na primeira, Raul apresenta crônicas em primeira pessoa, narrando episódios da busca e vivência do amor. Na segunda, temos contos com histórias vividas por diversos casais, que enfrentam o cotidiano ou sucumbem a ele, mas sempre movidos pelo amor. E na terceira e última parte, textos que falam da nossa fase atual, repleta de aplicativos de relacionamentos e redes sociais. Raul faz, então, uma bem-humorada reflexão sobre como o amor pode sobreviver nesses tempos de excessivas dispersões internéticas.
Para lançar o livro, Raul escolheu um caminho diferente para ele e que, talvez, represente uma nova tendência do mercado editorial: através da plataforma da Amazon. Algo viável, seguindo a ideia de se auto-publicar e alcançar um enorme número de leitores através da Internet.
O livro inteiro foi concebido por ele, desde a capa/contracapa, passando pela diagramação do livro e escolha das fotos que o ilustram. E está disponível em dois formatos: o digital (e-book) e o físico. Sendo que, por conta da plataforma ainda ser recente no Brasil, pela Amazon brasileira só é possível encontrar o livro digital. O físico é encontrado em outras lojas virtuais da Amazon, como a dos EUA, França, Espanha, Itália e Japão. Basta acessar o site e fazer uma pesquisa pelo nome do livro ou nome do autor que se chegará a ele.
Em breve, para os demais interessados, o artista fará uma campanha de financiamento coletivo com o intuito de tornar muito mais viável a aquisição da obra. Será no estilo crowdfunding, onde o público contribuirá com uma quantia escolhida, entre as sugeridas, tendo direito a recompensas interessantes, como o livro sendo entregue diretamente em domicílio, agradecimentos especiais na página pessoal do artista e do livro, textos exclusivos por e-mail e muito mais. Não deixe de acompanhar. Maiores informações, acesse a página no facebook do Enfim, separados.

Para facilitar, acessem o link do livro digital:


segunda-feira, 1 de maio de 2017


Os bons nos deixam!

Preciso falar de Belchior.

Minha ligação com ele é bem intensa. Inexplicável. Desde quando eu o ouvia criança. Os seus versos sempre me chamavam atenção... Coisas como "Tava mais angustiado do que um goleiro na hora do gol", "Se você vier me perguntar por onde andei no tempo que você sonhava/ De olhos abertos, eu lhe direi: amigo, eu me desesperava" e "Você não sente e nem vê, mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo: que uma nova mudança em breve vai acontecer".

Por conta da canção Velha roupa colorida, quis ler Poe, que ele citava na letra. O grande Edgar Allan Poe e seu Corvo.

E lembro de uma peça que meu pai escreveu sobre juventude e tinha uma rubrica interessante: "ao som de Como nossos pais em 45 rpm". Eu sempre ficava imaginando esta música em ritmo acelerado como meu pai sugeria.

Pois bem, Belchior seguiu me acompanhando. Como Renato Russo disse uma vez que a relação dos fãs com as canções da Legião Urbana era como se elas fossem amigas, assim considero as canções do Belchior que sempre pareciam dialogar comigo, me acalentado.

Quando tomei uma grande decisão na vida, que foi morar no Rio de Janeiro, em 1997, coincidentemente os Engenheiros do Hawaii lançaram uma versão da canção Alucinação, do Belchior (cujo disco do mesmo título, lançado em 1976, meu padrasto tinha e que eu não me cansava de ouvir).

O que sei é que Alucinação seguiu me acompanhando naquele ano de 1997. Os versos da canção me disseram e me dizem muito, até hoje. "Eu não estou interessado em nenhuma teoria/ em nenhuma fantasia nem no algo mais (...) amar e mudar as coisas me interessam mais, muito mais".

Em 1998, eu estava no outro apartamento que eu morava em Copacabana, muito deprimido, longe da família que morava em Belém, sem dinheiro e com saudade de um grande amor... Acho que era uma tarde de julho, pelo frio que fazia. Resolvi colocar um CD do Belchior para tocar. Passei por canções como À palo seco, sentindo o coração transbordar... E pensava na minha condição de estrangeiro no Rio de Janeiro, de um cara do Norte que vem pra Cidade Grande... Aí toca Retrato 3 X 4, onde os versos me atingiram em cheio... Parecia que ele tava sendo o amigo que eu precisava naquele instante:

"Eu me lembro muito bem do dia em que eu cheguei
Jovem que desce do norte pra cidade grande (...)
Pois o que pesa no norte, pela lei da gravidade,
disso Newton já sabia! Cai no sul grande cidade (...)
Mesmo vivendo assim, não me esqueci de amar (...)
mas a mulher, a mulher que eu amei,
não pode me seguir ohh não (...)
A noite fria me ensinou a amar mais o meu dia
e pela dor eu descobri o poder da alegria
e a certeza de que tenho coisas novas
coisas novas pra dizer
a minha história é ... talvez
é talvez igual a tua, jovem que desceu do norte
que no sul viveu na rua
e que andou desnorteado, como é comum no seu tempo
e que ficou desapontado, como é comum no seu tempo
e que ficou apaixonado e violento como você
Eu sou como você. Eu sou como você. Eu sou como você
que me ouve agora. Eu sou como você. Como Você".

Não preciso nem dizer o quanto chorei naquele momento... O cara ali, dizendo as coisas que eu precisava ouvir. Batendo certeiro na minha dor!

Pois é, choro agora um pouco mais... Lembrando do artista Belchior, um cara que saiu do Ceará e dormiu nas ruas do sudeste, mesmo assim sonhou, acreditou e fez com que a sua poesia ecoasse e permanecesse viva até os dias atuais, inspirando outros novos jovens. "PRECISAMOS TODOS REJUVENESCER"

Valeu, Belchior, obrigado por tudo!