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terça-feira, 17 de julho de 2012

Atreva-se a ler isso!





ATREVA-SE – por Raul Franco

A dica de um bom espetáculo para você assistir em São Paulo é Atreva-se.

Um espetáculo que prima pelo bom gosto. Uma produção muito bem cuidada. Um cenário funcional, que cumpre bem a proposta de representar a mansão onde se passa quase toda a ação da trama. E tudo em um clima de “cinema noir”. Tudo isso sob a batuta de Jô Soares, amparado pela dramaturgia de Mauricio Guilherme.

No elenco, jovens atores que executam muito bem a proposta da direção. Sem espaço para excessos. Tudo muito limpo e com uma trilha e iluminação impecáveis, que são quase como personagens à parte, marcando bem o tom cômico que o espetáculo se propõe.

Marcos Veras que vem de um espetáculo solo, Falando a Veras, e de um espetáculo em dupla, Não olhe para baixo, você vai querer pular ( juntamente com Júlia Rabelo que também integra o elenco) mostra maturidade e boas composições, já que faz mais de um personagem. Destaque para o personagem que “manca de uma perna”.

Júlia Rabelo mostra bom uso da voz e da expressão corporal para também dar vida às suas personagens. Como o tom de voz de Júlia é muito marcante, em alguns momentos ela poderia dosar melhor o histrionismo de seus personagens para mostras mais nuances.

Mariana Santos brilha em sua personagem que seria uma espécie de lanterninha do cinema. E é um personagem que joga praticamente com a plateia o tempo todo. Serve, inclusive, para situar a confusão da trama (proposital, diga-se de passagem). E compartilha indagações que podem ser do próprio público diante do que vê. E, de quebra, ainda faz uma policial muito bem composta com gagues de humor interessantes.

Carol Martin também marca presença com a sua governanta. Mesmo sem dizer nada no início, a personagem é imponente e se destaca com esse silêncio instigante. E mais a frente, mostra uma outra face dessa personagem, delicada e quase sem entender o que se passa na mansão – acentuando ainda mais o clima de farsa. Na sua outra personagem, a “tenista”, ela poderia ter feito uma composição mais rica. Falta peso e alguma força que fizesse com que o público embarcasse mais na personagem. E vale dizer que essa personagem está em uma das cenas mais divertidas da peça.



Para quem gosta de um espetáculo sofisticado no melhor sentido, brincando com o clima da farsa e do cinema noir, Atreva-se é uma grande pedida. Um espetáculo repleto de bons momentos e privilegiando em muitas situações o humor técnico, combinando o timing exato de luz, marcas cênicas e trilha sonora. Parabéns a todos envolvidos!

Serviço:

Atreva-se
Teatro das Artes - Av. Rebouças, 3.970 - 3º piso – Pinheiros - São Paulo
Qui a sáb, 21h30. Dom, 20h.

segunda-feira, 11 de junho de 2012


Olá, galera!
Mil desculpas pelo sumiço, mas, pra variar, encontrava-me imerso em trabalhos mil.
Como já havia anunciado aqui, eu estava em processo de gravação do Prêmio Multishow de Humor.
Foi bem legal e divertido.
O programa estreia dia 2/07/2012!
Fiquem ligados!

E compartilho com vocês imagens desse processo e o convívio com uma galera alto-astral e super-competente!

 Conferindo anotações de textos novos


 Com Ana Carolina Sauwen - uma fantástica parceira de cena


 Com Alexandre Scapini - o criador da Eneida (risos)


 Com Pedro Pan - o vigésimo quarto elemento (risos)


 Com ele, Gigante Léo


 Com Larissa Câmara


 Com o nosso roteirista Ulysses Mattos


 Com a temida Natália Klein (risos)


Com o queridíssimo Marcelo Médici 


Antes de entrar em cena

 Com a nossa figurinista, Juliana Paris


 Com a queridíssima Joana


 Com o diretor Pedro


Curtindo um pouco a festinha de confraternização da equipe


_________________________________

Durante uns 10 dias estive direto com essa galera toda.
Vai dar uma saudade!

Em breve, volto com mais notícias!


terça-feira, 8 de maio de 2012

Novíssimas

Olá, galera!

Sumo e reapareço! Eis a vantagem de estar vivo!
E o bom é que sempre volto com novidades! Boas novidades!

Hoje quero mostrar algumas imagens dos shows do mês de março, abril e comecinho de maio. É o Saída de Emergência em plena atividade. Mas já estou escrevendo e organizando as cenas e sequências de dois novos solos que quero estrear em julho ou agosto, talvez. Vamos ver!

Em maio agora também começam as gravações do Prêmio Multishow de Humor, onde sou um dos participantes. Acho que vai ser bem legal! Aguardem mais notícias.

Seguem as imagens!

 Ao fim de mais uma participação no Entre a Pizza e o Motel, em São Paulo


 Ao fim do Comédia Cômica, no teatro Ziembinski, na Tijuca - RJ


 Saída de Emergência no Patrono, em Nova Iguaçu


 Ao final da apresentação em Nova Iguaçu


 Ao fim de uma apresentação no Drink Café, no Humaitá (RJ)


 Minha namorada operando o som do Saída, no Sesc Tijuca (RJ)


Apresentação no Sesc Tijuca, dia 1º de maio


Com amigos ao final da apresentação no Sesc Tijuca

terça-feira, 17 de abril de 2012

Cabeça

Hoje me deparei com um rascunho. E é um poema pronto, que não precisou de retoques.
E denso, diga-se de passagem. Mas reflete um dos meus estados de espírito. Talvez, o mais criativo deles. (risos)

Divido agora com vocês.



Cabeça – Raul Franco

minha cabeça pesa
        séculos de dúvidas
       eternidades de culpas

minha cabeça é tão fértil
fecunda pensamentos profundos
história de mundos não vividos

minha cabeça:
       armário de gavetas emperradas
       fonte de loucuras inexploradas

minha cabeça tem pressa
conversa com a parede
mira o abismo inevitável
até espatifar-se
em poesia

quinta-feira, 22 de março de 2012

Um amor de poema

Um sábado desses chego em casa e me deparo com Maria Gadú no Altas Horas.

Quando a ouvi cantar Amor de Índio paralisei. É uma canção que amo e com Gadú ficou algo novo, mantendo a essência da canção e potencializando a sua beleza. Não me contive e acabei rabiscando coisas no papel - algo que fluiu instantaneamente. Como nos últimos tempos tô buscando esse algo que nasce espontaneamente e que soa quase como se fosse uma mensagem mediúnica, acho que devo dividir com vocês esse momento mágico.

Com vocês, meus retalhos de sábado.



Um blue

a gota cai no meio do mar
os círculos se fazem
é hora de expandir, meu amor

eu me vejo espelhado
nós dois espalhados
nesse mesmo cenário
peixes fora do aquário
livres na natureza em processo

eu te vejo em mim
nessa tarde sem fim
molhando e secando
o amor no varal da liberdade

e isso que sinto agora
é um sentimento sem idade
sem o tempo do vazio
sem remos e sem rio
na necessidade do existir

veja só, foi só uma gota
pra gerar toda essa intensidade
e desse mar faço casa
onde abrigo sementes
em tardes claras
em tardes quentes
eternamente seu
          no mar ou no céu
          no azul que se fez blue
          no verso do papel
          e no corpo nu



II  - [na tarde]

fontes e horizontes
parindo instantes
na tarde que arde
que reflete minha ânsia
como sorriso de criança
brincando com a borboleta
como o amor e sua seta
disparando em busca de corações

nossas emoções
gerando o ato
inventando a foto
pra depois comentar o fato
e alimentar o beijo

nesse março que se faz
em sóis de raios soberanos
derretendo a monotonia
dos tristes enganos

agora sol
nunca só
repousando a fantasia
na tarde que esteve longe de ser vazia

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Novos shows de março


Novos shows em março no Rio de janeiro. Dia 12 e 19/03 no Drink Café - Humaitá! Não deixem de comparecer! Espero vocês lá!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

novo texto no ar!


Breve comentário sobre o stand up comedy – por Raul franco

O stand up comedy há muito vem se tornando uma febre no Brasil. É um gênero mais do que consagrado. Basta ver as filas de jovens para assistir a esses shows em diversos espaços espalhados por aí. Todo mundo ávido por textos engraçados e performances cômicas que tornam as observações cotidianas extremamente hilárias.
Faz um tempo que tenho me dedicado a estudar o gênero. No youtube a cada dia milhares de vídeos são postados. Muitos comediantes que estão na mídia no momento, praticamente tornaram o seu trabalho conhecido do grande público via internet.  Há alguns anos me deparei com Danilo Gentili, Rafinha Bastos, Oscar Filho e outros. Achava curioso essa coisa de estar entretendo a plateia apenas com um microfone na mão e textos próprios.

É claro que, como em todo e qualquer gênero, existem pessoas geniais e pessoas medianas. Eu tenho os meus favoritos. E acho fascinante quando vejo um comediante segurar a plateia apenas com um bom texto. O cara está ali, parado, mandando seu texto e a cada momento, surgem gargalhadas. E o cara não está fazendo nada mais do que comentando, a partir do seu ponto de vista, situações pelos quais nos deparamos no dia a dia. Esse é o trunfo do stand up comedy. E justamente o que torna um comediante melhor do que o outro é a sua capacidade de ser original no modo como conta as suas histórias.

Recentemente vi um garoto no youtube, apresentando-se no programa Tudo é Possível, da Record. O nome dele é Daniel Ducan. E em 45 segundos de vídeo eu já tinha dado várias gargalhadas com o moleque. E o mais bacana é ver que ele é novo e que ainda vai crescer muito. Mas de cara, ele mostrou um texto enxuto, criativo e o modo como ele falava, mostrava domínio do que estava fazendo.
Acredito que a grande diferença do stand up comedy para a simples contação de piada, está mesmo na matemática do texto. No stand up a “cabeça” das histórias não são tão longas. Você apresenta o “setup” – o tema em si - e mais a frente você mata a piada, o que chamamos de “punchline”. O raciocínio é mais rápido. E a velocidade com que as piadas vão acontecendo também.

É bacana quando vemos alguém genial , com um texto igualmente genial, para ficarmos com aquela inveja criativa e tentar fazer um trabalho com a mesma força que determinado comediante mostrou.  E como o stand up comedy é um gênero que tem mais tradição entre os americanos, é claro que devemos observá-los também. Afinal, você não vai querer, de cara, ouvir uma bossa nova tocada por um japonês. Antes de mais nada, você vai querer ouvir um brasileiro. Óbvio, né? A parada foi criada aqui. O mesmo acontece com os gringos. Eu sempre procuro ver os americanos, até para ver a escolha dos temas, o modo como as histórias são conduzidas. Gosto de muitos. Aqui, por exemplo, não vou citar os óbvios, como Chris Rock, Eddie Murphy e Jerry Seinfield. Mas teve um cara que recentemente eu descobri e que gostei muito das performances dele, que é o Dane Cook. Vale muito a pena. É só dar uma pesquisada no youtube que tem alguns vídeos legendados. E tem um que eu acho samurai que é o George Carlin (falecido em 2008) que tem um texto de humor mais voltado para a crítica social. Se você ainda está naquela onda de textos sobre arroto, flatulências e outras escatologias, ao ver Carlin, você vai querer rasgar tudo que você escreveu até agora.  E tem também Ellen Degeneres, que tem coisas ótimas, como o seu set falando sobre Deus.
No Brasil temos os guerreiros que faziam isso de maneira espetacular, bem antes do chamado modismo do stand up, que é o caso do grande José Vasconcelos e o inigualável Chico Anysio. E Vasconcelos, acredito, foi o nosso primeiro “one man show”.  Tanto que ele foi incentivador do próprio Chico Anysio, para que ele fizesse também um show solo.

Em suma, as fontes estão aí. E há espaço para o exercício da comédia. Nunca antes no Brasil tivemos tantos espaços para fazer apresentações de humor. O humor está realmente em alta. Há muita coisa boa por aí. É só usar um “olhar de peneira” para conseguir extrair o que realmente é bacana.  Aí é o bom senso, a experiência e a ardileza de cada um.
E quando estamos começando, tem uma regra que é primordial, acredito eu, e está no livro do Dan Rosenberg “How Not To Suck As Emcee”, que é a seguinte: “suba no palco tanto quanto for possível” . Isso ajuda muito a termos uma noção do nosso material. Porque tem coisas que achamos que pode funcionar e na hora não acontece. E tem coisas que, a partir do contato com a plateia, passa a tomar outra forma e acaba, por assim dizer, sendo reescrita no próprio palco, a partir da experimentação.

No mais, é só trabalhar constantemente. Escrever diariamente qualquer coisinha que passar pela cabeça. Experimentar o timing, a maneira de dizer aquilo. Filmar as apresentações e trabalhar muito mais depois de vê-las. Afinal, as coisas ficaram mais fáceis e por isso mesmo acabam exigindo mais do comediante. Fácil não quer dizer que qualquer um sobreviva no meio. É preciso suor e o exercício diário da observação. Só depois disso é que vem o riso e o aplauso. Podem ter certeza!