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terça-feira, 14 de abril de 2009

Todos aos pés da Internet


Todos aos pés da Internet

por Raul Franco


Quem me conhece sabe bem que sou fã de computador, em especial Internet. Amo mesmo. Já fui mais viciado, é lógico. No começo das minhas “navegações”, já cheguei a ficar 12 horas conectado. Loucura total! Hoje só fico 10 horas. Brincadeira! (rsrs). Mas acho incrível o alcance que podemos ter com a Internet e o quanto podemos nos beneficiar dela.

Posso falar de N coisas que fazem com que a Internet seja uma poderosa ferramenta nas mãos. Uma delas são as facilidades que ela proporciona. Tipo assim, você está fazendo um artigo e não lembra alguns dados de algum objeto de sua análise. Em outros momentos você teria que sair da sua mesa de trabalho, procurar algum livro, enciclopédia, ou mesmo ligar para alguém que tenha esse dado. Agora em questão de segundos você já tem acesso a essa informação. Digita no google, acessa dados no site Wikpedia (que é uma valioso banco de dados virtual). E pronto! Segue no seu artigo sem desperdiçar tempo.

É claro que facilitou muito. Mas o computador ainda não produz idéias. Graças a Deus! Pode, no máximo, com a Internet, possibilitar os plágios. Estudantes hoje em dia devem fazer os seus trabalhos facilmente, pois podem apenas ficar acessando informações sobre determinados assuntos da disciplina e executar o ctrl + c e ctrl + v. Pra quem não sabe o que é isso, simplifico: o cara fica copiando e colando, copiando e colando. Ele utiliza várias fontes e faz uma colagem e já tem o trabalho da escola. Tenho certeza de que rola isso.

No meu tempo eu tinha que ir consultar mil livros e escrever à mão. Mesmo na faculdade (eu entrei em 1993 e me formei em 1996 em Ciências Sociais), já que só passei a ter computador em 1994 e só depois de um tempo é que comecei a usar a Internet.

A Internet começou a entrar na minha vida mais intensamente a partir de 1999, quando ia a casa de um amigo e ficava pesquisando – afinal, não tinha Internet em casa. E só fui ter Internet em casa a partir de 2003. No início travei uma guerra com isso. Porque acessava coisas e os vírus começavam a destruir o computador. Eu não tinha anti-vírus tão potentes. E nem vou entrar nessa discussão de vírus porque aí a discussão vai ser longa. E isso é o lado ruim da Internet. Tem gente que produz ótimas coisas para o bem, gente que constrói blogs legais, sites de pesquisa e armazenamento de dados interessantes e gente que passa a vida criando vírus para destruir os computadores alheios ou tirar proveito disso para pegar senhas de banco, etc.

Mas vamos nos deter nas coisas boas. Eu, por exemplo, nem acesso mais os meus cds que estão empoeirados nas estantes. Se preciso de uma canção, em segundos já estou baixando na Internet. E isso tem o lado bom e o lado ruim também. Porque as músicas perdem um pouco da história. E eu sempre fui um cara viciado em ler encartes de discos. Eu sou um daqueles que lêem o que está entre parêntesis abaixo do título da canção – coisa que pouca gente faz. E é o lugar onde encontram-se o nome dos autores. Como sou autor, sempre tive essa preocupação. Afinal, as coisas são criadas. Não existem do nada. Mas nesse tempo de pessoas baixarem tudo que é tipo de canção, essas coisas perdem um pouco o sentido.

Lembro uma vez que fui viajar de carro para SP e uma amiga levou um cd que ela disse ser dos Tribalistas. Mas era um cd gravado. E perguntei como ela tinha conseguido e ela me disse que foi o primo dela quem gravou. Ok. Fomos escutando e lá pelas tantas eu ouvi uma canção que é do disco O Silêncio (o terceiro solo do Arnaldo Antunes). E é uma canção em que ele canta com a sua ex-mulher, Zaba Moreau. E eu afirmei: “Ei, isso não é Tribalhistas!”. Mas minha amiga afirmava que sim, porque o primo tinha baixado e dito que era. Ela disse, inclusive: “Olha, tem a voz da Marisa junto com o Arnaldo”. E eu ri, continuando afirmando: “Não, isso é a mulher do Arnaldo”. Ou seja, ela ia levar adiante a idéia de que o disco era dos Tribalistas, quando, na verdade, não era. Era uma junção de canções, umas, é claro, dos Tribalhistas, mas outras não. Essa, por exemplo, é de um dos caras dos Tribalistas, Arnaldo, mas não é Tribalhistas (rsrs).

Isso eu acho bem chato. Porque quando alguém grava um disco, ou faz um livro, também pensa na ordem das canções ou textos. Quando se joga na Internet, as músicas não tem época, nem história, nem ordem. São apenas músicas. Então, se um jovem hoje ouve uma canção do Geraldo Vandré, Pra não dizer que não falei das flores, vai analisar com a sua visão de hoje, como se a música fosse de hoje? Ela, assim, vai perder toda a sua carga histórica. Concordam?

Dessa maneira, é como, no passado, acontecia com os discos de coletânea que eu não gostava de comprar. Tipo disco com trilha de novela. Porque sempre gostei dos encartes, de saber quem eram os autores. E esses discos não tinham. No máximo para saber o autor, em alguns casos, eu tinha que ler no próprio vinil, naquela bola onde se encaixava o pino (nossa, um cara de 15 anos não vai saber o que é isso, não conseguirá visualizar... rsrsrs).

As músicas, postas assim, acessível a todos na rede, perdem esse sentido que, para quem cria, é primordial. O mesmo podem acontecer com textos. Já vi citações de textos atribuídos a determinados autores, quando, na verdade, são de outros. E está na rede. Quem vir isso, e não se aprofundar, pode passar adiante afirmações erradas. O que é uma pena! Mas toda coisa boa, e extremamente acessível, também traz em si elementos nocivos e catastróficos.

Mas vamos avançar nessa análise e ir para outro aspecto. Eu, por exemplo, devo muito a Internet. O meu trabalho, no caso artístico, e mesmo de autor de textos, ganharam uma dimensão interessante na Internet. Quando cheguei ao RJ, em 1997, e fazia peças, não tinha a facilidade de divulgação que hoje tenho. Fiz uma peça chamada Casal Consumo, dirigida e escrita por mim, com a colaboração de Wendell Bendelack, e era bem legal a receptividade da platéia. Porém, éramos muito novos e não tínhamos muita experiência em produção, mas metemos a cara e fomos adiante. E, vale ressaltar, não tínhamos essa facilidade Internética. Iniciamos temporadas da peça em 1998. E batalhamos muito. Sabíamos que a peça tinha potencial, mas nos faltava conhecimento para fazer com que as pessoas fossem nos assistir. Mesmo assim, fomos fazendo apresentações em bares, casas noturnas, etc. Até que em 2002 voltamos a fazer temporada da peça. E essa foi a primeira vez que usamos a Internet para divulgar. Eu ia a casa do Wendell, que não sabia muito mexer na Internet, e fuçava sites onde poderíamos divulgar a peça. Até que entrei num que falava sobre a programação do RJ e os internautas comentavam sobre os espetáculos que assistiam e divulgavam para as pessoas. Lá, acabamos sendo a quinta peça mais acessada do mês em que estávamos em cartaz.

Isso é apenas o começo do que eu quero falar aqui. Daí salto para o momento atual. Hoje tenho um trabalho com a minha Cia Os Fanfarrões e já somos fruto desse tempo. Começamos a formar essa cia em março de 2007. E iríamos estrear em agosto do mesmo ano. Aí eu já mexia bastante com a Internet, já era um internauta experiente (rsrs). E eu e o Mineirinho, meu parceiro, produzimos a peça (no que diz respeito a tudo: figurinos, textos, direção, etc). Mas faltava algo para atacarmos na divulgação (e sem dinheiro, fizemos uso da criatividade). E a ferramenta encontrada foi o youtube. Lembro que em 2006 eu fazia outra peça de comédia, Tubo de Ensaio. E chegamos a falar sobre youtube, que era um site ótimo e tal, bom para divulgar. Mas eu nem sabia o que era. Não tinha conta lá, nada. Fui fazer minha conta em abril de 2007, pensando na divulgação que poderíamos fazer no site. E lá mesmo no youtube fomos pesquisar vídeos engraçados, que serviram de inspiração para nossas criações. Antes, eu já tinha visto coisas no site, mas acho que não dei muita importância. As coisas não eram tão claras pra mim. Mas foi lá que conheci Diogo Portugal (um comediante curitibano dos bons que faz Stand Up. Acho, inclusive, que Diogo foi o primeiro Stand Up que vi na rede). Conheci também Danilo Gentili, Rafinha Bastos (ambos hoje no CQC), Michel Coutemanche (um mímico canadense excelente – essa foi a minha grande descoberta) e David Armand (mais conhecido como Johann Lippowitz – seu personagem – e que faz interpretações corporais de canções, como a famosa Torn, da Natália Imbruglia). É claro que este último tem influência direta no meu trabalho. E tudo isso só foi possível graças a Internet.

E acredito que o grande barato do youtube, por exemplo, é poder jogar o seu trabalho na rede e ver a receptividade dos internautas em relação a ele. Tem muitos vídeos que se tornam virais rapidamente. Outros estacionam nos acessos, pois logo o internauta perde interesse.

O interessante é que hoje o público que vai ao teatro ver uma comédia, muitas vezes é o mesmo que consome compulsivamente vídeos do mesmo gênero na Internet. E chegam ao teatro já conhecendo muitas coisas que o artista vai apresentar. E dão aquela piscadinha ou estaladinha de boca quando se deparam com aquilo que já lhes é familiar, por conta da Internet.

Outra coisa que está intimamente ligada a isso, é o fato de muita gente hoje ter câmeras filmadoras ou digitais que filmam ou mesmo celulares que captam imagens em movimento. Então, tornou-se extremamente fácil poder captar imagens. E principalmente postá-las. O próprio youtube, no começo, só aceitava vídeos para postar no formato wmv. Hoje ele aceita todos os formatos. E cada instrumento desse que filma, na maioria dos casos, é de um formato específico. Então, você tem os formatos mov, 3gp, mpeg e, vídeos da Internet, por exemplo, em flv. Mas todos já podem ser postados no youtube. O que tornou essa brincadeira mais fácil.

O interessante é que muita gente agora tem essa mania de filmar peças quando vão assisti-las. Então, se gostam da cena, já pegam algum aparelhinho para essa função e começam. Imagino quantos vídeos meus devem existir por aí sem que eu saiba!

Enfim, hoje essa propagação de vídeos é imensa. E foi o que nós dos Fanfarrões buscamos fazer: divulgar nossos vídeos via Internet. E começamos com uma coisa meio estranha (pensamos em fazer um vídeo tosco que atiçasse a curiosidade). E o primeirão foi o vídeo da chamada da peça que, na verdade, era uma boca de um palhaço chamando: peça, peça, peça!!! Lembro que teve gente que disse:”Gostei, mas vocês poderiam ter feito de forma melhor”. Ficamos frustrados. Pois o nosso objetivo era a busca do tosco (rsrsrs). Afinal, pesquisamos dezenas de vídeos e vimos a presença dessa estética (rsrsrs).

E seguimos postando trechos de cenas, ensaios. Usamos a criatividade para que passássemos a existir na REDE. E como começamos a postar os vídeos em abril e só fomos estrear em agosto, tinha gente que chegava conosco e dizia: “Pô, os Fanfarrões estão arrebentando, né?”. E nós nem havíamos estreado (rsrs).

Até que com o passar do tempo conseguimos o nosso vídeo “bombado”: A Pantomima do Bochecha! A primeira cena que postamos integralmente na rede. E foi postada em outubro de 2007. E se tornou um fenômeno, sendo apelidada pelos internautas de Karaokê para surdo e mudo. Trata-se da cena em que faço uma pantomima ao som da canção FICO ASSIM SEM VOCÊ, na voz de Adriana Calcanhoto.

O bom da história é que depois desse sucesso nossa agenda de show aumentou. E fui parar em programas de TV, podendo, assim, divulgar ainda mais o trabalho da Cia.

E cada vez mais me espantava com o aspecto viral desse vídeo. Teve gente que ou baixou do youtube ou mandou por e-mail o arquivo do vídeo ou postou em sites ou essas três coisas juntas. Quando fui fazer algumas divulgações do nosso show que estrearia em outros Estados, como Bahia, muita gente mostrava que tinha o vídeo salvo no celular. Surpreendente!

Um amigo meu, Paulinho Serra, também excelente ator e comediante, famoso na rede pelo seu Traficante Gay, disse algo bastante elucidativo. Ele falou que na Internet a coisa é bem menos efêmera que a TV. Porque ele havia feito uma novela e muita gente já havia esquecido, mas sabe do seu vídeo. E tem o vídeo salvo no computador, no celular, etc. Isso é realmente um fenômeno.

Afinal, tantas coisas provaram que esse é um caminho possível. Maria Alice Vergueiro, que é uma atriz de longa estrada no teatro, TV e cinema, ficou extremamente famosa pelo seu TAPA NA PANTERA. Para as novas gerações, Maria Alice Vergueiro é a “mulher” do Tapa na Pantera. Ironias da vida!

A atriz Cris Nicolloti e o seu vídeo onde canta a canção Vai Tomar no Cu também é um desses fenômenos da rede. Ela pode ter feito mil coisas, mas todos vão lembrar disso. E isso impulsionou o sucesso da peça que trazia essa canção.

Então, no nosso caso específico, a Internet é mesmo essa grande ferramenta. Eu mesmo digo: “Só preciso de um computador com Internet. Aí, conquisto o mundo!”. Sabendo usar, você pode mesmo divulgar o seu trabalho. E se ele for bom, depois caminhará sozinho, irá fazer a festa das famílias diante do computador. Porque, com certeza, hoje muitas famílias se reúnem diante do computador. Como antes faziam em frente a TV. Ou muitos ficam em frente dos computadores – já que em muitos lares, cada membro da família tem o seu PC – e comentam sobre as coisas que viram no intervalo de uma água na cozinha. Se são coisas legais, eles se encarregarão de propagá-las.

E fora mil coisas legais ainda: como o contato direto com as pessoas que admiram o nosso trabalho. Eu mesmo me encarrego de procurar responder a todos. E tem gente que se assusta de ser eu mesmo o cara do vídeo que elas, por ventura, tenham assistido.

Enfim, por hoje é só, já que esse texto ficou enooooooorme! E tem gente que morre de preguiça de ler textos em frente ao computador. Eu sou uma dessas pessoas! Se mandassem esse texto pra mim eu não leria. (rsrsrs) Mas, se você chegou até aqui, muito obrigado!!!



2 comentários:

Michele Malta disse...

EU LI!!!!
APESAR DA PREGUIÇA... rss...
Imagina, amo ler!!!!

E também me assustei quando você respondeu ao meu 1º contato com você: via INTERNET!!!! rss... DEPOIS ORKUT... e agora: BLOG... rss... nossa amizade é literalmente: VIRTUAL!!!!

***Devaneios de Trólóló*** disse...

Olá!

Tbm li o texto!!!! rsrsrsr
E me identifiquei muito! Internet é uma coisa que vicia.

Conheci o blog através dos vídeos no youtube sobre o filme "Cinderela Ba(h)iana"... adorei!
Dose garantida de gargalhadas... pelo filme, mas pelos comentários beeeeeeeem colocados também.

Muito sucesso pra vc!
e pd crer q vou acompanhar o blog!