Publicidade

quinta-feira, 3 de março de 2011

Bruna Surfistinha - Comentário sobre o filme



Ontem assisti Bruna Surfistinha. Confesso que fui mais pelas reações das pessoas em relação ao filme. E esperava não curtir tanto, porque acho que essas temáticas submundo, underground, geralmente, em termos de cinematografia brasileira, são tratadas de forma plástica, e, porque não dizer, inócua. Eu sou amante das estéticas mais sujas, mais cinema latino-americano, como Madame Satã, Bicho de Sete Cabeças e Baixio das Bestas. No Bicho, por exemplo, o lance da câmera nervosa que acompanha a cena, muitas vezes destacando coisas aparentemente secundárias, é algo grandioso.

Antes de mais nada, vale dizer que não li o livro de Bruna Surfistinha, O Doce Veneno do Escorpião, apesar de ter o livro virtual. Mas já sabia praticamente de toda a história. E lembro até de quando conheci o site de Bruna. Um amigo meu me falou há muito tempo que tinha descoberto um site de uma garota de programa. E me mostrou na minha casa. Eu vi os relatos e perguntei: “Mas essa mulher existe mesmo ou é ‘fake’”. Aí, ele: “Existe sim e é uma menina de classe média que faz programas”. No site tinham fotos mas não dava pra ver a cara dela – se não me engano. O que despertava uma curiosidade maior.

O que mais me deixava intrigado é o fato das pessoas reagirem de maneira tão pueril. Elas tem comentado que o filme é chocante, que as cenas são fortes, etc e tal. Mas vale dizer que quando as pessoas querem, elas se tornam excessivamente hipócritas, pudicas e reservadas. Afinal de contas, o que as pessoas esperam ver num filme sobre uma garota de programa? Um conto de fadas a lá Julia Roberts no filme Uma Linda Mulher? (Que pode passar, inclusive, na Sessão da Tarde).

Voltemos ao filme Bruna Surfistinha, do estreante em longas Marcus Baldini. Por ser um filme de um estreante, fiquei com mais receio ainda de assistir ao filme. Mas acho que o interesse pelo filme surge mesmo dessa ideia de que as pessoas serão chocadas com imagens fortes. Elas dizem: “Pois é, essa Bruna Surfistinha fez de tudo e transou com muitos homens”. O espanto delas com a vida de Bruna Surfistinha é quase como que ela tivesse inventado a prostituição. Não quero contrariar as pessoas, mas digo: há tanta gente por aí fazendo isso, de forma deliberada ou não. (risos). Bruna é apenas uma garota que tinha uma vida de classe média, com algumas condições e recursos, mas se sentia vazia. Isso é o que mostra o filme e, pelo que sei, também está no livro.

E o filme começa com Deborah Secco, na pele de Bruna, em frente ao computador, realizando uma dança sensual, ameaçando um streap tease. A batida da música dá o tom da cena. Mais óbvio, impossível. Mas segui no filme. E, assim como Cazuza (filme de Sandra Werneck), cansa-me um pouco a linearidade do filme. Venhamos e convenhamos, a história já se sabe qual é, então, já fica difícil surpreender. Mas eu esperava algo mais surpreendente. E segundo pesquisas sobre a história de Bruna, no livro ela fala sobre pequenos furtos que fazia, principalmente, dentro de casa, e que, por isso, a família que o adotara, começa a ignorá-la. O ápice da sua “compulsão” por roubos foi o lance de pegar um colar e brincos caros de sua mãe. E isso é mostrado, de forma bem sutil, quando a mãe pergunta sobre eles para a filha. Detalhe: a filha está no orkut – que no filme essa rede social tem outro nome - vendo uma foto que um colega do colégio postou, onde ela lhe faz um sexo oral – uma cena também meio que ‘an passant’. O mais risível é que a mãe entra no seu quarto repentinamente, a filha se assusta, mas fala com a mãe com a página aberta. Qualquer menina temeria o fato de a mãe ver uma cena dessas. Ela, não. Conversa com a mãe, dizendo que não sabe das jóias, com a página aberta – tudo bem que não dá para identificar tanto assim que é ela, afinal, vê-se apenas uma cabeça na direção do “dito cujo” do colega do colégio (mesmo assim, ela vai ser hostilizada pelos outros colegas).

Esse lance da “compulsão” por roubos nem é muito valorizado no filme. Apenas é representado nesse episódio das jóias da mãe ou quando ela está na casa do colega, depois de ter sido quase forçada a fazer sexo oral nele e sai, aborrecida, pegando um objeto da casa. Mas isso é apenas um detalhe no filme (que, por ser “an passant” demais, causa-nos apenas o riso). Mais tarde, Bruna vai virar o bicho, quando, na casa onde começou a fazer programas, percebe que roubaram suas coisas, inclusive, as jóias da mãe. E esse é um dos melhores momentos de Deborah Secco: quando ela entra no quarto e força a menina suspeita do roubo a lhe contar quem roubou suas coisas. E isso pode até representar o ritual de passagem da personagem “patricinha” para a garota descolada que faz sexo em troca de dinheiro, enfrentando de corpo e alma as intempéries da vida.

Como o diretor frisou diversas vezes, o filme não é uma biografia simplesmente, mas uma trajetória emocional. Então, ele pegou elementos importantes da vida de Raquel Pacheco (a Bruna Surfistinha) para desenvolver a sua história. Então, temos na tela uma visão ficcional de uma garota de programa. Deborah Secco realmente se doa para a personagem. Mas, com certeza, se fosse uma atriz desconhecida, acho que o impacto seria maior. Porque, queiramos ou não, Deborah é uma atriz que, digamos, já é meio “manjada” da mídia. O que não tira a força da sua entrega. E, talvez, a escolha dela seja também a busca por uma notoriedade maior para a película. O que já se está conseguindo.

Mas o filme tem um elenco afinado. A família da Bruna Surfistinha é composta por atores não “manjados” que dão conta do recado. As próprias amigas de “labuta” de Bruna também não são tão conhecidas assim. Com exceção de Fabíola Nascimento – que já tinha feito, inclusive, uma outra prostituta no maravilhoso filme Estômago, de Marcos Jorge. E vale dizer que Fabíola, mesmo já tendo feito outra prostituta, encanta, mesmo assim, na pele de Janine. Ela é uma atriz maravilhosa que dá contornos surpreendentes na personagem. É só conferir a cena em que ela e as amigas estão no salão de beleza. A cena está praticamente toda nas mãos de Fabíola que não desperdiça nenhum segundo da sua atuação. Começando com uma brincadeira de encenações de gemido até o ápice, onde ela, revoltada com a reação das clientes com aquilo tudo, sai com as amigas, esbravejando, e esfregando o seu cartão de visita pelo corpo. Mas uma bela atuação dessa jovem atriz.

Deborah Secco pode ter feito o seu melhor papel mesmo. Que tem ares de Beth, A Feia. Afinal, ela começa o filme como uma desengonçada menina, quase como o patinho feio do colégio, até chegar a sexy girl garota de programa Bruna Surfistinha. E vale também dizer que a Bruna teve muita sorte em sua vida. Porque ela não é assim uma das mais gostosas prostitutas que o Brasil já teve. Mas aproveitou a onda e, principalmente, teve a melhor estratégia de marketing ao criar um blog, narrando as suas histórias. Isso foi a sua tacada de mestre. E mais tarde, com o livro, a sua história começou a causar burburinho. Tanto que hoje virou filme. Sem ser da Brasileirinhas. (Risos)


Outro destaque é a atuação de Drica Moraes, brilhante no papel da cafetina. Sua atuação é marcante e delineia todo o início da trama do filme.

Não posso dizer que o filme de Bruna é ruim. Tem muita coisa interessante e humor também. O próprio Cássio Gabus Mendes, que geralmente é repetitivo em suas atuações, surpreende na pele do cliente. Tem uma atuação sóbria e convincente. O filme não tem uma plasticidade monótona. Chega a ser “sujo” em diversos momentos. E isso é uma qualidade. Mas até a sujeira do filme é “limpinha”. Não chega a ser como o maravilhoso Madame Satã, mas tem um princípio de proposta de linguagem. E uma das belas fotografias do filme é quando Deborah caminha com umas sacolas pela cidade, quando o blog já está fazendo sucesso, e temos frases projetadas nos prédios espelhados, quase como se fosse uma tela de computador. Uma rara beleza no filme.

No mais, é o dia a dia de uma garota de programa, contada de forma quase que excessivamente linear. Começa-se com Bruna como uma garota normal, tímida, até se metamorfosear em garota de programa e mais tarde a decadência dessa vida, alavancada pelo uso de cocaína. É isso, simplesmente. Sem surpresas. O grande burburinho do filme é o fato de ter muitas cenas de sexo. Quer dizer, o fato de as pessoas ficarem chocadas com isso. Mas o filme não é sobre uma garota de programa? Mais uma vez, pergunto: Elas esperavam o quê? Que a garota de programa estivesse jogando War, enquanto masturba os seus oponentes?

O fato mesmo é que o filme não é tão chocante assim, pelo amor de Deus! Quem diz isso, não viu os filmes de Almodóvar, bem mais surpreendentes, como A Lei do Desejo, onde o galã Antônio Banderas, em começo de carreira, protagoniza cenas mais ousadas de sexo. Sinceramente, chocar por chocar, fico com a Dama do Lotação, de Neville de Almeida. Surpreende-me muito mais.

  

7 comentários:

Lany disse...

adorei o filme,debora secco maios uma vez nota 1000 pra vc!!!

marcos disse...

po' esse filme foi bacana'.. mas eu nao gosteii uker ela fez.. tinha tudo pra ela ficar feliz.. e tudo .. mas ela jogo issu nuu lixoo'.. ''

mislenemoura1 disse...

como bem o ratinho falou em seu programa,pornografia pura esta na hora do brazil fazer algo q não vulgarize as muhlhers brasileiras assim

alex leal disse...

não gostei do filme,colocarão mt cena de sexo mt coisa fora da historia do filme,que deicho muito vugar pessimo filme,

Mayara disse...

Tbm não gostei do filme ... não sei mas não foi o qe esperava ... td bem q o filme é de uma protituta mas tem cenas de sexo nojentas

jucilene disse...

meu nome e jucilene eu creio que esse filme e uma completa porcaria desses que e privado pra garotos que estaõ na puberdade e precisa de um incentivo pra praticar suas orgias sexuais naõ tenho particularmente nada contra as meninas que fazem programas por dinheiro mais dai a incentivar outras jovens fazer o tal eu naõ concordo acho que esse fime deveria ser sensurado para maiores de 21anos pois as cenas de sexo explido saõ aparentes.naõ parece um filme brasileiro como muitos que por sinal e muito bom parece um filme onde uma gatota de programa ensina outras meninas a fazerem sexo por dinheiro e que o uso de drogas e muito bom elogio por sinal a atriz por ser uma otima profissional mais um papel de profissional do sexo e um pouco abaixo do nivel dela essa e minha opiniaõ .........

jucilene disse...

meu nome e jucilene eu creio que esse filme e uma completa porcaria desses que e privado pra garotos que estaõ na puberdade e precisa de um incentivo pra praticar suas orgias sexuais naõ tenho particularmente nada contra as meninas que fazem programas por dinheiro mais dai a incentivar outras jovens fazer o tal eu naõ concordo acho que esse fime deveria ser sensurado para maiores de 21anos pois as cenas de sexo explido saõ aparentes.naõ parece um filme brasileiro como muitos que por sinal e muito bom parece um filme onde uma gatota de programa ensina outras meninas a fazerem sexo por dinheiro e que o uso de drogas e muito bom elogio por sinal a atriz por ser uma otima profissional mais um papel de profissional do sexo e um pouco abaixo do nivel dela essa e minha opiniaõ .........