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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

De volta - e quase 2012

Olá, galera amiga!

Dei uma sumida legal do meu blog. Mas foi por um ótimo motivo. Trabalho à beça. Alta produtividade!

Os três últimos meses tiveram um apelido: intensidade!

Saída de Emergência

Não parei um segundo sequer. O meu solo Saída de Emergência continuou a pleno vapor, dando-me muitas alegrias a cada apresentação. Dia 15/12 completamos 11 meses de muita história. E parece que foi ontem!

Uma pausa para uma foto após apresentação em SP

O ano de 2011 praticamente foi dedicado a esse solo. Eu o estruturei em dezembro de 2010. Fiz 4 apresentações no Méier – RJ para experimentar o material que eu ainda não havia testado.  E em janeiro estreamos em São Paulo, permanecendo em cartaz até setembro. E nesses últimos três meses eu estive em Macaé, Angra dos Reis, Teresópolis e no dia 23/12 teremos a última apresentação do Saída de Emergência em Rio das Ostras. Depois uma pausa merecida.

Depois de uma apresentação no Teatro Vanucci - RJ

Aí já começo a querer fazer meus planejamentos – afinal, estamos no fim do ano. Mas bem sei que o melhor é viver as coisas sem planejamento, surpreendendo-se a cada dia. Farei apenas pequenos traços que pretendo seguir. Sei que continuarei com o Saída, porque é um solo que posso fazer em qualquer lugar. Tanto que até participei das comemorações de um aniversário de 80 anos de uma senhora chamada Therezinha. E foi bem interessante: apresentei-me na sala da sua casa para a família que me recebeu muito bem. Uma “saída” realmente interessante (risos).

No aniversário de 80 anos de dona Therezinha

Mas já estou sonhando com o solo novo. Escrevi muitas coisas. Tenho anotações nos meus bloquinhos, algumas gravações de áudio, filmagens de alguma ideia, etc. A ansiedade já está tomando conta de mim. Sinto um desejo enorme de criar. É assim que descanso de alguns projetos: criando.  Só que esse solo novo será mais complicado, porque deve vir recheado de 99% de coisas novas.

Após uma apresentação em Teresópolis - RJ

O Saída acabou surgindo rapidamente, porque foi fruto de coisas que eu já vinha fazendo ao longo de alguns anos.  Ou seja, na verdade, meia hora eu já tinha testado. Algumas coisas eu reestruturei. E outras foram completamente novas, como o Clown Movies – que é um dos novos quadros que mais curto no momento.

No quadro Clown Movies - encerrando o show

Mas, se Deus quiser, vou fazer boas escolhas em 2012 e seguir, divertindo a todos, como sempre gosto de fazer.

Descansando em Búzios - RJ

Mais uma vez obrigado a todos que sempre estiveram do meu lado. Ao meu público que vem acompanhando o meu trabalho. E a você, principalmente, que está me lendo agora.

Abraços mil,
Raul Franco

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

FITA 2011 - Comentário sobre meu solo

Galera brasileira, sexta, dia 28/10, fiz apresentação do meu solo Saída de Emergência na FITA - Festa Internacional de Teatro de Angra dos Reis. Um evento belíssimo. E o mais maravilhoso é ver o palco da comédia. Tudo bem cuidado e uma plateia de 1500 pessoas que compareceu em peso, pronta para se divertir.
Fazer apresntação para um público assim é como um show de Beatles. Abaixo, o comentário sobre minha passagem pela FITA. (Já quero de novo - risos)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Artigo que vale a pena ler

Eduardo Sterblitch subverte tudo no show Minhas Sinceras Desculpas
Ou A morte do Freddie Mercury diante de uma plateia surpreendida - por Raul Franco


Sábado agora fui ver o show Minhas sinceras desculpas, de Eduardo Sterblitch, no Citibank Hall do Rio de Janeiro. Eu estava bem curioso para ver de perto esse show. Gosto muito do trabalho dele desde que o conheci como integrante do grupo Deznecessários (do meu amigo Paulinho Serra). Lembro a primeira vez que vi o quadro que ele faz de um ex-viciado em imitar o Sílvio Santos. Aquilo me deixava louco. Eu dizia: "Nossa, como isso é bom. Esse cara é genial". E me assustava mais ainda o fato de o Edu ser bem novo e ter calma no palco, segurança e dizer o texto com uma naturalidade e verdade assustadores. Isso é fantástico!

Depois de ver o show dele só concluí o que eu já sabia: "esse cara é mesmo genial". É genial, principalmente porque é louco (risos). E eu admiro pessoas loucas que nadam contra a corrente. E sinto inveja! Uma inveja criativa, como diz Ezequiel Neves. Não parei de pensar no espetáculo. De pensar em tudo. E principalmente, não parei de pensar em humor, nessa nova safra de comediantes. Ao ver o show, tive certeza de que tem alguém querendo ir além do que é óbvio demais fazer. Alguém querendo fugir do que esperam dele. E isso é instigante, pelo menos pra mim.

Em 2003/2004 cheguei a escrever um espetáculo que era muito novo, muito diferente do que eu estava acostumado a fazer. Ele parecia estranho porque ninguém estava fazendo aquilo no momento. Eu ia fazer com um amigo. E senti que aquilo tinha uma força avassaladora, porque quando escrevi a primeira parte foi quase como num surto. Chegamos a ensaiar. E eu dizia: "isso aqui não tem personagem, é quase como stand up comedy...". E o stand up não estava tão em alta como hoje em dia. E tinha um ar crítico, uma atmosfera diferente. Era um espetáculo que não se pretendia óbvio, muito menos babaca. E é legal quando pensamos em fazer coisas diferentes. Porque o igual já está sendo feito. E feito por muita gente igual. Imagine o que seria da arte se todos fizessem as mesmas coisas sempre! É muito bom quanto tem alguém que duela com isso, que acena com outra coisa.

Quando comecei com minha Cia Os Fanfarrões, estava numa época do auge do teatro de esquetes com personagens solos. Era a febre do momento. E muita gente correndo para fazer o seu, pra fazer sucesso e ganhar dinheiro como os outros. Só que os projetos devem ter alma. A gente tem que ser fiel ao que somos de verdade. Correr para imitar o que o outro está fazendo com o intuito de ser tão bem sucedido como ele é pobre! E nós, dos Fanfarrões, optamos por fazer o nosso trabalho da nossa maneira. O meu parceiro de Cia, Mineirinho de Maceió, já tinha um trabalho formidável de clown, de teatro-show, de mímica e de dança. Isso foi determinante em nosso direcionamento. Como aquilo era novo pra mim, eu procurei estudar mil possibilidade de fazer um trabalho que mantivesse a linguagem do que estávamos buscando. E fui atrás. Lembro quando eu cheguei com o quadro em que eu brincava com a canção Fico assim sem você, na voz da Adriana Calcanhoto. Comecei a ensaiá-lo. À princípio tinha dado ao quadro o nome de Dança interpretativa. E eu mesmo havia dito: "se esse quadro não der certo, a gente bota outro no lugar". Porque eu não tinha visto ninguém fazer no Brasil. Lá fora, já tinha visto alguns americanos fazerem. E o trabalho desses "one man show" é bastante diferente e diversificado. O cara faz stand up, clown, mímica, etc. Pois bem, montei o quadro. No ensaio geral, um amigo disse que tinha achado interessante, mas que preferia outros quadros. E quando estreei o quadro, pra minha surpresa, o público foi ao delírio e o quadro virou um sucesso. Postamos no youtube com o nome de Pantomima do Bochecha. E depois os internautas apelidaram de karaokê para surdo e mudo. Hoje já faz 4 anos que faço o quadro. É sempre um sucesso. Por isso, acho que a grande subversão agora seria parar de fazer (risos).

Comecei a falar isso, como se não tivesse nada a ver com o show Minhas sinceras desculpas. E tem tudo a ver sim. Porque o show me instigou de tal modo que repensei um monte de coisa e pensei muito no cenário cômico atual do Brasil. Hoje, diferentemente da época em que nasceu Os Fanfarrões, a febre do momento é o stand up comedy. Todo mundo faz. Eu estou fazendo. Lembro quando pensei em fazer o meu segundo solo, pensei muito em subverter esse gênero. Queria dar o nome ao show de Anti-Stand up. Mas tive a certeza de que a maioria não entenderia minha proposta. E como estava duro, pensei: "não vou querer ser original agora, porque vão me olhar como um merda. Vou ganhar o meu dinheiro primeiro". E foi o que fiz (risos). Porque hoje a quantidade de grupos de stand up comedy é enorme. Isso prolifera como Gremlins. Todo mundo faz. Um jovem de 20, 21 anos faz e ganha dinheiro com isso. Acho que quando rolava o teatro de esquetes de personagens solo algumas pessoas olhavam, achavam genial, mas viam que não sabiam fazer aquilo. Quando viram um jovem de cara limpa com um microfone na mão, dizendo seu próprio texto e fazendo a plateia delirar, isso encorajou uma galera, principalmente aquele jovem nerd que ficava comendo a sua batata ruffles em frente ao computador. Foi o grande insight da molecada. Só que, como todo e qualquer gênero, existem os bons e os medianos. Existem os geniais e os "pela saco". Isso em qualquer gênero.

Mais uma vez volto ao show do Edu. Eu estava tão antenado com o show dele, que quando deu o terceiro sinal eu brinquei com minha namorada, dizendo: "Eu sempre penso que nessa hora podia ter um aviso dizendo que não vai ter show". Mais tarde o Edu comenta isso. E outra vez pergunto: o que o show do Edu tem a ver com o que venho dizendo até, então? Tudo! Por que o que a galera que lotou o Citibank nesse dia e no anterior, esperava? Ver o "palhaço" do Pânico. Ver o Freddie Mercury prateado. As pessoas quando vão assistir aquele ator que está na Tv, elas já vão predispostas a rir, a gargalhar. A pessoa pode não abrir a boca que o público já está rindo. E isso acontece com o Edu. Mas o cara é tão genial que comenta isso: "Vocês vieram aqui porque eu faço o Pânico, porque eu fiz o programa do Jô". Ele aponta a backing vocal da sua banda, diz o nome dela e diz que ela canta no Altas Horas. Mas se ela fizesse um show colocando o nome dela no cartaz, ninguém iria. Ninguém iria mesmo! Isso é uma realidade. É triste ver o quando nos rendemos a ditadura do parentêsis. O que é isso? É você estar no teatro e ser obrigado a pôr entre parentêsis o que você fez na TV. E, às vezes, a pessoa coloca algo tão sem relevância entre os parentêsis que dá pena. E eu pergunto ironicamente: a pessoa acredita mesmo que isso vai ajudar a lotar o teatro? A gente vive essa mediocridade há muito tempo. Aí vem um grupo que põe a foto do diretor que é famoso em tamanho igual ao do próprio grupo. E no bastidor a gente sabe que o diretor mal compareceu aos ensaios, mas recebeu uma grana para deixar que creditassem a direção a sua pessoa. E o grupo acredita que esse é o caminho. E o filho de alguém famoso faz uma peça, mas a evidência fica no nome do pai. E por aí vai! Isso é o Brasil da revista Caras, da Quem, é o Brasil do Tv Fama, do Ego.

Pode parecer uma grande loucura minha, mas o show de Edu me suscitou tudo isso, porque ele teve a coragem de fazer algo diferente. Foi audacioso. Para muitos o show pode parecer pequeno. Mas há coisas sutis nas entrelinhas do que é dito. Muitos reclamaram de ser xingados de babacas pelo próprio Edu durante o show. Mas muitos também são babacas nas atitudes. Porque o que vemos aí é sempre mais do mesmo. Vemos artistas da música que fazem suceso com um disco e no próximo ele faz exatamente igual. Ele se acomoda. Ele se repete com apenas 2 anos de carreira. Deixa pra se repetir com 10, 15 anos. Artistas orientais mudam de nome, como forma de estarem sempre começando. Não se agarram a uma consagração momentânea. Por isso não canso de dizer que Edu foi grandioso. Frustrar a expectativa da plateia não é pra qualquer um. Se ele fizesse os personagens do Pânico que todos realmente estavam esperando, as coisas seriam normais. O público daria suas gargalhadas óbvias e voltaria pra casa feliz com o investimento no show. "Assistimos aquele cara da Tv, ótimo, né?". É como o camarote VIP de mega-shows como o Rock in Rio. A parada vira uma farra, e o principal do evento, fica em segundo plano. O que eu vejo de imbecilidades sendo ditas não tá no gibi. E isso é normal? "Ah, é diversão!", alguns diriam. Outros diriam: "Isso é rock, bebê!". Se fôssemos um país sério, onde a cultura fosse realmente levada a sério, o público compraria um jornal, acessaria a Internet e buscaria a sua programação, procurando ler a sinopse da peça e escolhendo pelo conteúdo que a peça se propõe. Mas o que acontece? O público escolhe a peça, procurando ver o cara que ele já vê na TV. Então, a dupla teen que fez par romântico em um folhetim teen da Tv vai para o teatro repetir aquilo que faz na Tv e que o público já está acostumado a ver. Ou seja, mais do mesmo. Aí o público se ofende quando Edu o chama de babaca? Sinceramente! Quer dizer que não é babaquice se consumir aquilo que é tão óbvio? Ah, tá! "Senta lá, Cláudia".

Acho que a riqueza de Edu, por ser um cara de teatro, está nos comentários acerca daquilo que está fazendo, de mostrar a artificialidade da arte. Tudo é coerente no show. Ele diz que não tem um bom texto. Que falará apenas suas verdades. E é o que faz. Se o público não gostou, o título da peça serve para apaziguar as coisas: "Minhas sinceras desculpas".

Graças a Deus, Edu não foi por um caminho óbvio. Ele poderia fazer o que todo mundo faz. O que tem de ator que está em humorísticos da TV fazendo no teatro os mesmos personagens, também não está no gibi. E não tem nada de mal nisso. São escolhas. Edu escolheu surpreender. E é tão bom quando tem alguém que faz isso. Eu não vejo a hora de ver alguém fazer algo completamente diferente e lançar uma nova tendência. Porque stand up todo mundo já faz, acreditando que é um gênero fácil, assim como tem gente que acha fácil fazer poesia. E não é!

Por isso, Edu, saí do Citibank completamente maravilhado com tudo. Porque a arte, em sua essência, tem essa missão de ser desconfortável. E o teu show tem esse espírito. É incômodo. Eu sinto uma inveja de você que você não imagina o quanto. Tem uma frase que vi uma vez o Gerald Thomaz dizer sobre o teatro que tem tudo a ver com shows assim. Ele diz: "O teatro deve ser uma arma apontada para o espectador". Essa frase resume tudo. O teatro deve ser instigante. Se o espectador se acomoda, o teatro perde sua força. O palco italiano já promove isso. Tanto que, sabiamente, você cita, logo no começo do show, o Grotowski que foi justamente um cara que pensou o espaço cênico de outra forma, com o intuito de tornar mais visceral a participação do espectador. Agora fico sem palavras, com um semblante semelhante a um cara que você gosta muito: Buster Keaton. O que seria de nós sem as referências, né? Hoje, você é uma referência minha.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Despedindo-se da temporada em São Paulo


 
Dia 24/09 encerrei minha temporada no teatro Ruth Escobar, em São Paulo.

E foi uma temporada de 1 ano e 2 meses em cartaz. Muita história.

Comecei lá com o espetáculo Fanfarrões, a peça. O meu parceiro, Mineirinho de Maceió, foi o grande incentivador da minha ida para São Paulo. Eu tinha um certo receio de como seria. Mas meti a cara e fui.

Cheguei em sampa no dia da derrota do Brasil para Holanda na Copa do Mundo. Dia 2/07/2010. Aquela tristeza toda no ar e eu me preparando para iniciar uma temporada em São Paulo.

Estreei Os Fanfarrões no dia 4/09/2010. E foi legal que, apesar de pouco público (não temos do que reclamar, afinal, tivemos 10 dias para divulgar), a galera que estava lá sabia da gente, já conhecia da Internet e tal. Isso foi o maior incentivo.

A gente começou fazendo espetáculo às 19h do sábado. O primeiro mês foi difícil. Depois resolvemos mudar para 22h30. E deu muito certo. Começamos a lotar a sala de 100 lugares. Passamos para a sala maior, mudando o horário, dessa vez 23h59. E deu mais certo ainda. Ficamos muito felizes de ver o resultado. Foram momentos muito especiais.

O investimento foi alto. Mas o bacana que, ao fim de tudo, fico feliz e orgulhoso de ter ousado assim. De ter apostado em uma temporada em terras paulistas. E fazendo o primeiro espetáculo dos Fanfarrões. Comemoramos 4 anos de existência lá. Nunca imaginei que estaríamos tanto tempo juntos, fazendo os personagens que tanto gostamos de fazer.

E nessa nossa viagem fanfarrônica, o Mineirinho de Maceió também fazia o seu espetáculo solo Trem do Riso. A maratona estava intensa!

Seguimos direto com OS FANFARRÕES até dezembro de 2010. Demos uma pausa básica de fim de ano, para depois retomarmos em janeiro de 2011. Dessa vez, resolvi montar meu segundo solo, Saída de Emergência. Estrearia também no Ruth Escobar.

2011 começou com nossa intensa atividade. Dessa vez, estaríamos com 3 espetáculos com a chancela dos Fanfarrões: Trem do Riso, Saída de Emergência e Fanfarrões, a peça.

Estreei meu solo no dia 15/01/2011 – com muita expectativa, porque seria um formato de show completamente novo pra mim. Um espetáculo mais voltado para o stand up comedy. Ou seja, eu, ali no palco, sem personagens, conversando com a plateia, contando histórias do cotidiano, etc. Foi uma experiência maravilhosa e continua sendo especial, porque, a cada apresentação, o show vai se moldando. É um exercício diário.  

E eu segui com os dois espetáculos: FANFARRÕES, A PEÇA e SAÍDA DE EMERGÊNCIA. Mineirinho disse que seguiríamos com os Fanfarrões até o Saída começar a decolar. Como ele estava em uma batida louca de trabalho, o cansaço já estava grande. Fora o nosso cansaço de viagem todo fim de semana.

Então, seguimos com FANFARRÕES, A PEÇA até abril. E teve uma vez que vi o Mineirinho terminar o seu solo e em 5 minutos ele já estava pronto para fazer Fanfarrões. Ou seja, isso já estava uma loucura mesmo. (risos). A pausa seria necessária.

Demos a pausa nos Fanfarrões, a peça e seguimos com nossos solos. E o Saída começou a decolar a partir de abril mesmo. Muita coisa boa aconteceu. E eu também comecei a fazer eventos com o show novo. Novas viagens aconteceram.

Mas chega um momento que devemos refletir sobre as coisas e dar a pausa para olharmos de fora o que aconteceu até o instante. E quando o prazer já não é tão grande, é preciso ver novas saídas (trocadilho imprescindível). Quando falo de não ter prazer, é que chega uma hora que viajar todo final de semana dá uma cansada. Algumas vezes eu dizia: “Pô, já tem viagem amanhã!”. Quando comecei a dizer isso é que vi que nova pausa seria necessária. Afinal, também já estava 1 ano e 2 meses em cartaz no mesmo teatro. Eu já quero um novo desafio, um novo vôo.

Tive momentos muito especiais em sampa. Tive nove meses para ver onde chegaria o meu solo Saída de Emergência. É muito louco ver a evolução do show. A primeira vez que filmei o show completo, quando fui ver, fiquei trabalhando junto, dizendo: tem que melhorar essa piada, tirar esse excesso, ajustar a movimentação em cena... Ou seja, foi quando eu realmente dirigi o show. Quando vejo a última filmagem, já me divirto junto. E adoro quando ocorre alguma coisa inusitada.

Em suma, agora ficarei mais no RJ. Estou fazendo show em Macaé  dia 28/10 estarei em Angra dos Reis, participando do FITA (Festival Internacional de Angra dos Reis).

Mais informações no meu site: www.raulfranco.com.br

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

De volta!!!

Nooooossa! Completamente sumido desse lugar aqui que atende pelo nome de blog!

Mas podem ter certeza de que sempre que eu sumo é por um bom motivo! (a não ser que eu tenha morrido, né?).

Eu tentei voltar algumas vezes a escrever no blog, mas ficava vendo o tempo que já havia passado e me envergonhava de tê-lo abandonado assim, sem ao menos uma satisfação. É como aquela pessoa com quem você se desentendeu. Você fica adiando o momento de encontrá-la, porque acha que não está preparado para vê-la frente a frente. E quanto mais você adia, mais o tempo passa. Quando você se dar conta, já se passaram décadas.

Mas não vou exagerar, potencializar essa ausência. Na verdade, comecei falando dela, para ter assunto (risos). E pus algumas frases de efeito pra dar um charme a esse texto da volta.

No mais, a minha grande felicidade do momento é que finalmente meu site está com o nome do meu domínio.

Clique aqui e veja: www.raulfranco.com.br

Agora sou ponto com ponto br, tá, meu amor?

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Continuo fazendo show direto com o Saída de Emergência. Ainda estou em cartaz em São Paulo, aos sábados, 19h, no teatro Ruth Escobar (Rua dos Ingleses, 209 - Bela Vista).

Em outubro, devo dar uma pausa na temporada de São Paulo, para me dedicar a outras coisas no RJ. Em breve, escrevo as novidades.

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Momento Fotos


Fotinha do quarto de hotel em Goiânia

 Despedindo-me do público em SP

Nos bastidores do SBT

Fazendo show no Méier - RJ

Banner anunciando o meu show na Michelin (Campo Grande - RJ)


Um dos palcos do show em Goiânia

Manolo Passos - nos bastidores do SBT

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VÍDEO 

E pra vocês, a participação de Manolo Passos no programa Qual é o seu talento?




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Prometo não me ausentar tanto agora. Em breve, notícias fresquinhas!

Abraços,

Raul Franco

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Alô, Goiânia!!!

Amanhã começa a temporada em Goiânia!!! Todos lá!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Hello, rapeize!

Galera amiga,
dei uma sumida básica! Pra variar, em função de trabalho - o que é uma coisa boa!
Mas agora estou de volta, deixando algumas imagens pra vocês e a lembrança de que final de maio estou em Goiânia para 4 shows!

Logo mais apareço com novidades! Super-abraços!

Raul Franco



FOTOS SAÍDA DE EMERGÊNCIA








terça-feira, 3 de maio de 2011

O computador dispersa


O computador dispersa – de Raul Franco

Quando fui morar no Rio de Janeiro, em 1997, fiquei praticamente um ano sem computador. E, talvez, esse aparelho não fosse um mal tão necessário até então. O meu computador só chegou de Belém em 1998. E era um humilde 486 da IBM que vinha me acompanhando desde 1994. Totalmente cúmplice de minhas histórias.

Eu usava meu computador praticamente para escrever. No máximo, brincava de criar alguma imagem no paint. Quando queria ler algo, pegava algum livro na estante. Recorria a alguma enciclopédia ao alcance das mãos para ter a certeza de algum dado. Pra ouvir música, procurava algum CD e colocava no meu Cd Player. Às vezes, curtia algum vinil que ainda não havia sido lançado em CD. Se eu quisesse alguma música que não tinha, eu teria que esperar o nascer do sol (porque quase sempre ouço música de madrugada) para ir em alguma loja garimpar CD’s. Pra curtir fotos, eu pegava um álbum de fotografia. Pra falar com alguém, eu ligava do telefone de casa – porque nem celular eu tinha na época. Meus amigos ainda me mandavam cartas e cartões de aniversário, via correio.

Hoje muita coisa mudou. A Internet nos dá a ligeira sensação de que precisamos estar conectados o tempo todo. Você liga o computador, entra no e-mail ou em alguma rede social e já tem gente te chamando, nem que seja apenas para dizer: “oi, miguxo!”. Todo mundo te acha em algum lugar na Internet.

Se você se prepara para escrever algo, quando liga o computador, isso já vai para segundo plano, pois logo você se depara com alguma coisa que não necessariamente você precisa fazer mas que te fisga e te afasta do teu propósito inicial.

Você navega antes por diversos sites. Lê um jornal on line. Vê a atualização de fotos de algum parente ou amigo no facebook. Twitta algo desnecessário e posta fotos que você tirou em alguma festa e que estavam no cartão de memória há mais de uma semana.

As horas passam depressa em frente ao computador. Se você tinha cinco horas para escrever, agora só resta uma. E você escreve rápido para ver quem está on line no MSN. Ou seja, o computador parece uma ferramenta indispensável, mas que muitas vezes te dispersa e você mente pra si mesmo que precisa tanto daquilo.

Tenho saudade de quando havia coisas além do computador. Se antes a TV era tudo em um lar, hoje o computador ocupa essa função. Famílias inteiras já nem conversam pessoalmente. No máximo, curtem o que você disse no facebook. Ou retwittam algo interessante que você escreveu no twitter.

O computador, então, se torna esse mal necessário. Não apenas o computador, mas a obsessão de estar conectado o tempo todo. Hoje, os próprios celulares permitem isso. Sua vida é contada 24 horas. Coitados dos fabricantes de diários antigos, feitos de folhas de papel.

Sorte de quem consegue vencer esse vício e corre para apreciar a vida, ver um pôr do sol, caminhar na praia, encontrar amigos para um bate papo no fim de tarde. Sorte do homem puro que ainda não foi contaminado pela excessiva vontade de estar on line.

Eu sou um viciado completo, confesso. Antes eu era mais. Hoje procuro maneirar ou usar o computador para realmente fazer algo útil. Se antes eu escrevia cartas de próprio punho, agora eu disparo e-mails. Já nem sei onde estão meus velhos CD’s. Mas ontem consegui pegar um livro e lê-lo todo. Coisa boa de se fazer. Também vi na estante um grande álbum de fotografias da minha família. Meio empoeirado, mas bastante vivo e que pode ser manuseado na hora que se desejar. E agora escrevo esse texto à mão, deixando no papel do caderno minhas impressões digitais. É claro que logo mais esse texto vai parar no meu blog e vou divulgar o link. Mas existem saudades que o tempo não apaga. E o bom é quando a gente consegue se reinventar. Porque o computador existe para ser usado e não para usar-nos. E hoje eu tirei um dia de folga dele. Ufa, eu consegui!

Não sei se antes eu era mais inteligente e feliz. Mas hoje tive essa sensação, afinal, me peguei parodiando uma canção do Titãs: “o computador me deixou burro, muito burro demais / agora todas as coisas que eu penso me parecem iguais”. Ao fim da canção, meu desejo era ter a sorte de ficar temporariamente off line. 

terça-feira, 19 de abril de 2011

Ligeiras anotações sobre humor - por Raul Franco

Esse texto eu comecei esboçá-lo em 2003, acho. Quando eu estava num processo dolorido de montagem de um espetáculo meu - que era uma comédia. Mas a coisa estava bem difícil, já que muitos atores estavam conduzindo o texto de uma maneira desastrosa (risos). Como nada é em vão, eu comecei a pensar, no silêncio do meu quarto, o que eu realmente queria e defendo como comédia. Nunca postei esse texto ou publiquei. Ele ficou guardado esse tempo todo. E hoje acabei o encontrando no meu computador. E resolvi separar os esboços em tópicos. Muitos parágrafos eu os reescrevi, porque estavam mal escritos mesmo. Agora divido com vocês, que fazem comédia ou, simplesmente, apreciam. Façam bom proveito!


Ligeiras anotações sobre o humor –
Afinal, o que é isso que nos faz rir?

Ou

Pequena tese sobre comédia, segundo Raul Franco

        TÓPICO 1 - Vamos levar o humor a sério

Eu penso o humor como algo extremamente sério. Pode parecer brincadeira, mas o humor, pra mim, deve ser encarado assim. Seriedade, no sentido da missão que você tem. E, principalmente, pensar no humor como uma ferramenta necessária para desencadear a válvula de escape das pessoas. Então, posso dizer que o riso nasce dessa libertação do estresse. Se ele foi embora, logo você pode dar aquela gargalhada que te relaxa.

Detesto o humor que se pauta no histrionismo, onde os atores gritam, fazem gestos grosseiros, tentando, em um ato desesperado, extrair uma graça. O tentar fazer graça é sempre um precipício do qual devemos fugir como o diabo foge da cruz. O ator que entra em cena, pensando: “Vou fazer todo mundo rir”, está fadado ao fracasso, pois humor que é humor, surge espontaneamente, sem se forçar.

         TÓPICO 2 - Atores cômicos

Existem atores que são extremamente engraçados fora de cena, mas quando estão em cena não funcionam muito. Porque, muitas vezes, ele já vai pensando em fazer humor, o que mata a sua graça. Por outro lado, existem atores mais reservados, tímidos até, que se revelam em cena, fazendo a plateia gargalhar com a sua atuação, não porque ela foi medíocre, mas porque foi espetacular. Esse ator leva o humor a sério. Não é uma vedete qualquer que faz do seu rebolado a tentativa desesperada de seduzir pelo grotesco.

       TÓPICO 3 – a) Como em qualquer gênero, o ator cômico deve se aprimorar


 Se eu uso o termo “sério” é porque acredito mesmo nessa ideia de se encarar o humor com seriedade, não no sentido de superestimar o humor, mas no sentido de usar pesquisas necessárias, como em qualquer outro gênero, para conseguir o resultado em cena, ou seja, fazer rir. Atores da commedia del’arte faziam isso. Interpretavam a vida inteira o mesmo personagem. Exercitavam diariamente o corpo e a voz com o intuito de obter uma performance satisfatória. Para isso, faziam anotações diárias nos seus caderninhos, conhecidos como zibaldones, e se empenhavam arduamente na pesquisa das características dos personagens que estavam interpretando. Isso sem falar na capacidade de improviso que eles desenvolviam, porque, em sua maioria, as comédias eram improvisadas. Dava-se um tema e os atores improvisavam em cima, uma ou outra cena era escrita.
  
       TÓPICO 3 – b) Charles Chaplin e a criação do seu Carlitos

Por falar em interpretar um personagem a vida inteira, não podemos esquecer Charles Chaplin e seu eterno Carlitos. O nome do personagem surgiu a primeira vez em um filme chamado Carlitos Repórter, de 1914 – o primeiro filme feito para a companhia Keystone Comedy Film. Mas o Carlitos que ele representou neste filme, que era mau-caráter e canastrão, é completamente diferente do Carlitos que se tornou conhecido mundialmente. O mais interessante foi como Chaplin o concebeu. Pensando em criar um tipo bem diferente e original, ele começou a pensar em alguns ingleses, observados por ele na infância, que andavam pelo subúrbio londrino. Eram baixos, tinham bigodinhos pretos, usavam roupas bem justas e tinham sempre à mão uma bengalinha feita de bambu. Daí nasceu a chave para se criar tal personagem. Para tanto, ele resolveu, ao compor o “novo” Carlitos, utilizar elementos contraditórios que desencadeassem o humor. Então, usou calças largas com um casaquinho apertado e sapatos maiores que os seus pés e, é claro, a famosa bengalinha. Estava pronto um personagem engraçadíssimo que influenciou e influencia até hoje diversos comediantes. A ideia do vagabundo com a alma de aristocrata é encantadora e atravessou os tempos. O humorista Renato Aragão, por exemplo, fez uso dessa imagem em seus filmes e programas de TV.

         TÓPICO 4 – Fazer humor é como acenar com o falso óbvio

Dentro dessa viagem do humor, eu o defino com uma ideia que tenho na cabeça o tempo todo de que fazer humor é acenar com o falso óbvio. Ou seja, você pensa que o personagem vai fazer uma coisa e ele faz outra. É o drible que serve como um “tapa” que faz rir. É esse falso óbvio que proporciona o riso. Por isso, você ri do cara que cai na rua. Porque ninguém espera que, de repente, alguém caia, andando normalmente. O riso nasce do susto.




        TÓPICO 5 – O desfecho da piada

Outra questão importante que penso e que aprendi com Chico Anysio, é que o importante numa cena de humor é o desfecho, assim como uma piada. O desfecho tem uma importância crucial. Então, levando em conta essa ideia, passei a pensar as minhas cenas curtas, esquetes de humor, começando pelo final. Primeiro eu tentava saber como acabaria uma determinada cena. Depois, ao criar um final que fosse realmente interessante, eu ia pro início. E isso acabou se tornando um exercício maravilhoso para mim.

TÓPICO 6 – O ator não precisa ser engraçado 24 horas!

Retomando uma questão inicial, presente nesse texto, e mais voltada para a interpretação dos atores, é necessário dizer que nem sempre aquele ator que não é engraçado no cotidiano está impedido de fazer rir. Muitos conseguem ter bons resultados em cena. Outros, não. E se o ator não é muito engraçado, podemos apelar para um humor técnico, calcado na repetição de movimentos, gestos e entonações vocais. Porque humor também não é só o ator estar em cena, esbanjando espontaneidade. Ele pode ter a técnica que consiga desencadear o humor. O que é interessante muitas vezes.

          TÓPICO 7 – Humor absurdo

Também acho extremamente interessante a ideia de se fazer humor de forma séria, sem tentar fazer graça, conforme falei no começo. Nesse caso, divirto-me muito com os filmes de humor absurdo, realizados por Jerry Zucker, Jim Abrahams e David Zucker. Filmes como Apertem os cintos... o piloto sumiu (1980, dirigido pelos três), Top Secret (1984, dirigido pelos três), a série Esquadrão de polícia que originou o filme Corra que a polícia vem aí (1991, dirigido por Zucker) e suas hilárias continuações Corra que a polícia vem aí 2/2 e Corra que a polícia vem aí 33 1/3. Isso sem falar em Top Gang – Ases muito loucos (1991, dirigido por Abrahams). Gosto muito da utilização da meta-linguagem presente nas sátiras de outros filmes. E, principalmente, o modo como as interpretações são conduzidas – os atores, muitas vezes, falam o texto de modo muito sério, sendo que o que estão dizendo é a maior bobagem do mundo. Aí, percebemos algo que também já foi suscitado nesse texto, como a utilização de elementos contraditórios, ou seja, o sério e a bobagem, como desencadeadores do humor, porque o formato, a embalagem transformam aquilo que está sendo dito em algo extremamente engraçado.

Outra questão muito presente nos filmes e que também tem a ver com os elementos contraditórios, é o fato de esses filmes usarem constantemente a ideia de figura e fundo, isto é, temos uma imagem na frente, tida como a principal, e outra que se encontra lá no fundo. E, às vezes, a imagem do fundo acaba contradizendo tudo aquilo que está sendo dito pela imagem principal. O que também proporciona o humor.


        TÓPICO 7 – A comédia na TV (coisas que me influenciaram)

Falando de humor, não posso deixar de citar duas figuras importantíssimas da televisão brasileira, responsáveis por programas inovadores, como TV Pirata e Comédia da Vida Privada. Estou falando, é claro, de Guel Arraes e João Falcão. TV Pirata, por exemplo, satirizava comerciais e programas de TV, fazendo uso também de metalinguagem o tempo todo. Inclusive, foi acusado por muitos críticos na época de estarem fazendo um humor elitizado demais. Por outro lado, o Comédia, partindo dos textos de Luís Fernando Veríssimo – um mestre do humor brasileiro -, conseguiu radiografar um pouco da classe média brasileira ao apresentar a sua intimidade. Dois programas que traziam atores excelentes e textos inteligentes. Duas combinações bombásticas para se fazer humor.  

       TÓPICO 8 – O mau ator engana no drama. Mas na comédia não

Já que falei de atores excelentes, vale dizer que um mau ator pode enganar, fazendo um drama, agora jamais engana, fazendo comédia, porque para fazer drama, basta pôr uma canção triste ao fundo, baixar um pouco a luz, fazer com que o ator fale mais pausado e pronto, logo se faz chorar. Ou seja, fica fácil se maquiar uma cena dramática. Agora a comédia bate em uma questão muito importante: o timming. Poucos atores têm timming de comédia. E para se fazer rir, é preciso muito timming. A piada tem um tempo, seja na forma como você diz o texto, seja na forma como você silencia, dá a pausa. É preciso uma atenção redobrada para dizer o texto na “batida” certa. Se você não disser o texto no tempo certo, perdeu a piada. Por isso, em muitas vezes, não se consegue repetir uma piada em todos os dias de execução de uma peça teatral. Um dia, você consegue, no outro dia, não. Então, cabe se exercitar diariamente, atentar para a forma como aquilo deve ser dito para gerar o riso.


      TÓPICO 9 – O texto do humor como uma partitura

O texto de humor, como qualquer outro texto, deve ser entendido como uma partitura. Assim, como um grande pianista pega uma partitura musical e vai tocar de forma surpreendente, com swing, um músico medíocre pode pegar a mesma música e destruí-la por completo, tocando de forma quadrada. Assim se dá com as interpretações. Um grande ator pode não perder nenhuma piada do texto e, melhor ainda, descobrir outras que passavam despercebidas. Ele sabe o tempo certo de pausar, de dar o texto. E, mais importante ainda, ele sabe o tempo que deve esperar pelo riso da plateia. Porque também é extremamente importante dar um tempo para a plateia rir. E ouvindo uma vez o Jô Soares falar sobre isso, aprendi uma coisa preciosa: não se deve falar no meio do riso da plateia. Nem esperar pelo fim do riso. O riso é explosivo e depois tem uma curva descendente. Então, é necessário que esperemos o momento em que o riso entra nessa curva descendente para dar prosseguimento ao texto, gerando, quem sabe, uma nova piada.

       TÓPICO 10 - Comédia x Drama

A plateia pode ser enganada em um drama, ou melhor dizendo, ao fazer um drama não podemos saber de imediato se a plateia gostou ou não. Já na comédia, a resposta vem imediatamente: se o público rir, é porque está gostando; se não rir, a comédia tem problemas. Se bem que acredito que existem comédias que fazem um humor mais cerebral (como os filmes de Woody Allen que eu adoro). A plateia pode estar gostando muito, assistindo a tudo com um sorriso nos lábios e poucas gargalhadas. Mas para o ator de comédia, a gargalhada é sempre muito importante. É um termômetro do trabalho.


        TÓPICO 11 - A Explosão do Riso

O riso é uma reação física. É como o corpo reage ao que é ouvido ou visto. A gargalhada vem como uma explosão física mais intensa. Acho muito interessante quando vejo pessoas na plateia que não se seguram ao verem algo engraçado e acabam não controlando o riso, o que é muito bom para os atores que estão fazendo o espetáculo, pois percebem que estão provocando reações inesperadas. Aí o termômetro está respondendo melhor. Está medindo perfeitamente o tempo da piada.

Isso é bem similar ao processo de querer dançar uma canção. Primeiro você recebe aquela canção. Se ela te toca de alguma forma, você se joga nela e sai fazendo passos, demonstrando o prazer que aquela canção te dá. Tanto que, na pista de dança, quando se coloca uma canção que não agrada muito, o público se retira. Deixa a pista vazia. Assim acontece quando a piada não agrada. Se ninguém rir, isso é um sinal para abandonar a piada. E o mesmo acontece com o aplauso. O que é o aplauso? É a necessidade de demonstração de que aquilo que você viu ou ouviu te tocou de tal maneira que você tem que dizer isso, da forma como o público responde ao que gosta, aplaudindo.  

       TÓPICO FINAL - Conclusão

Na verdade, a ideia desse texto veio da necessidade de explanar sobre o que penso disso que é meu ofício: a comédia. Foram tópicos que estavam há um tempo no computador e que habitam minha cabeça no tempo em que estou criando e exercitando, seja como autor, diretor ou ator. E acredito que trocar dois dedos de prosa sobre isso é sempre algo benéfico no sentido de estamos construindo um pensamento sobre nossa comédia brasileira. E como hoje a comédia está em alta, esse texto serve bem ao momento em que vivemos, já que muitos atores estão descambando para esse lado. E, com o advento do stand up comedy, não-atores também estão criando seus próprios textos e os levando para os palcos da vida, com o único intuito de fazer rir. Muitos conseguem com maestria.

Então, vamos aplaudir esse momento e pegar o que escrevi como trampolins para novas ideias de humor.

Estamos aí na atividade! 

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Questões sobre Teatro



Mexendo em um cd velho, com arquivos meus, deparo-me com umas questões sobre teatro. E lendo a pequena  entrevista, tento me recordar quando respondi a essas questões. E recordo que foi o ano de 2006. Uma amiga minha, Mariana, pediu-me para responder a algumas questões para um trabalho seu na faculdade de artes cênicas. E como achei bem legal rever isso, disponibilizo aqui para vocês, porque mesmo tendo passado alguns anos, muito do que está respondido aqui, tem a ver com o meu pensamento sobre as artes cênicas.

Segue, na íntegra, as perguntas e respostas:


  1. Fale um pouco da sua trajetória no teatro e sobre o que você está fazendo agora
- Eu comecei a fazer teatro bem novo, no colégio, com 9 anos, em Belém do Pará. Foi uma peça chamada Saci Pererê, no qual eu fazia o próprio. Não tinha fala. Tinha uma narração e eu entrava saltando com o cachimbo na boca. Gostei muito. Depois continuei a fazer peças no colégio até entrar para o grupo de teatro do próprio colégio, em 1985, quando eu estava com 11 anos. E fizemos uma peça chamada Circo de Brinquedos que foi uma ótima experiência, pois eu fazia um leão medroso e que em um certo momento eu dublava uma música dele. E tinha tudo a ver comigo, pois desde pequeno eu fazia dublagens de artistas que eu gostava. Até hoje lembro de muitos detalhes do processo. Inesquecível, pois foi um primeiro contato com todas as etapas de uma produção de um espetáculo teatral. E depois disso não parei mais. Continuei fazendo teatro direto. Espetáculos diversos e também encenação de poemas. Em 1997 eu vim para o Rio de Janeiro e passei a me dedicar direto ao teatro, fazendo espetáculos infantis e outras coisas. Em 1999 entrei para a Uni-Rio, onde fiz artes cênicas - interpretação. Dentre as peças que fiz estão obras como Inspetor Geral, de Gogol; Capitães de Areia, de Jorge Amado; Cafute e Pena de Prata, de Raquel de Queiroz; Nossa Cidade, de Thorton Wilder; O visitante, de Hilda Hilst; O último Carro, de João das Neves; Don Juan, de Molière e outras. Além de ator, eu também escrevo e dirijo. Acabei de dirigir agora um espetáculo de humor chamado Co-média Pão com Manteiga. E também voltarei em cartaz em agosto com a peça Fama Zero escrita e dirigida por mim. Estou em cartaz como ator na peça Tubo de Ensaio, no Candido Mendes.      


2. Até agora qual trabalho você mais gostou de fazer? Porque?
- Muitos trabalhos são especiais. Têm a sua importância. Amei fazer Don Juan, por exemplo, porque era o personagem que eu mais queria fazer na vida: Sganarelo, criado de Don Juan. Por ter esse desejo, acho que tornei a experiência marcante. Na Cama com Tarantino foi outro trabalho muito especial porque brincava com a estética pop do diretor Quentin Tarantino. E eu fazia um personagem chamado White que era um assaltante de banco. Esses dois trabalhos foram extremamente interessantes para a minha carreira. 

3. E o mais inusitado?
- Acho que entre os mais inusitados estão aqueles esquisitos, tipo animação de festa infantil. Não são bem trabalhos teatrais, mas são formas de descolar um troco. Teve uma festa na Barra que eu fiz o Tarzan. Aí o organizador da festa perguntou se eu poderia escalar o muro da casa para ter uma entrada triunfal. Eu topei. Ralei todo o braço, mas foi divertido. Fiquei de tanga a festa inteira, mas todos gostaram. E eu voltei pra casa com dinheiro na mão, rindo de tudo. Que coisas fazemos nessa vida, né???!!!

4. O que você mais admira em um ator?
- Admiro muito o ator versátil. A capacidade de criação. De aprimoramento. De olhar atento para a alma humana e conseguir extrair percepções para serem usadas na hora de se criar um personagem.

5. Em quais atores de teatro você se espelha?
- No começo de carreira eu me espelhava muito no Diogo Vilela. Ele tinha uma interpretação visceral que me fascinava. Algo meio nervoso e tal. Mas isso muito em função da TV Pirata que eu assistia. No teatro o vi em “Solidão, a comédia” e fiquei maravilhado. Era um monólogo fantástico. E antes disso, muito me chamava atenção o Ney Latorraca, por causa das suas interpretações nas minisséries Memórias de um gigolô, Rabo de Saia e na novela Um Sonho a Mais. Hoje curto muito o Marco Nanini. 

6. O que você mais gosta de fazer, atuar, dirigir ou escrever?
- Pergunta crucial! Se eu só pudesse ficar com uma coisa, eu ficaria escrevendo. Se pudesse fazer duas coisas, eu escreveria e dirigiria. Por último, atuar, por incrível que pareça.

7. Você possui uma linha de trabalho ou procura diversificar
- Acho o meu trabalho muito específico. Os trabalhos que escrevi e dirigi tem muito a minha cara, ligada a comédia. Mas já fiz coisas bem autorais ligadas ao drama, a uma coisa mais profunda e dolorosa que eu também adorava fazer. Atualmente tenho estado ligado a comédias, a espetáculos de esquetes e tal. Mas estou com vontade de fazer outras coisas mais performáticas, com outras linguagens.

 
8. A maioria dos atores de teatro fazem algum trabalho paralelo a arte para poderem se sustentar,  você acha que talvez falte incentivo ao artista brasileiro?
- Muito. Falta um monte de coisa. O artista brasileiro não tem muita formação. Ou melhor dizendo, a formação é muito precária. A gente aprende muitas coisas, às vezes, na prática. Ou fazendo ou olhando os outros fazendo. Por isso que gostaria de sugerir uma lei que permitisse também que o ator pagasse meia entrada no cinema. Porque o cinema também serve como forma de estudo para nós. O que o artista brasileiro deve fazer é correr mais atrás, se preparar da melhor forma possível. Porque no Brasil as coisas são muito precárias em diversas áreas, ainda mais no plano artístico.
 
9. O que é fundamental para um ator?
Observação acima de tudo.  Buscar informação sempre. Cultura geral nunca é demais. Por isso é importante ampliar o leque de estudo porque nunca se sabe o personagem que irá se encontrar pela frente. 

10. Como vc vê o teatro na educação brasileira?
- Tem uma importância fundamental. Eu quando estudava Ciências Sociais, desenvolvi um projeto chamado O teatro e a antropologia – uma perspectiva de educação, que visava tratar de temáticas antropológicas através do teatro. Foi uma experiência muito interessante que teve um efeito positivo. Porque abre o foco de observação. Você consegue apreender mais coisas porque sai um pouco da sala de aula. Assim como projetos teatrais dentro da escola são importantes, porque trabalha a formação da platéia que é muito importante.   

11. Você ja fez algum tipo de projeto social? Como foi?
- Já trabalhei com projetos ligados a prefeitura do Rio de Janeiro, onde fiz alguns espetáculos encomendados com o intuito de festejar datas comemorativas. Foi o caso do espetáculo Assim Descobriram o Paraíso que era um espetáculo que falava, com muito bom humor, da chegada dos portugueses aos Rio de Janeiro. Esse espetáculo foi apresentado no Complexo do Alemão, Rocinha e outros lugares. A experiência foi boa porque eram comunidades carentes que responderam muito bem ao espetáculo. O meu outro espetáculo, chamado O mundo mágico dos livros também fez o circuito de bibliotecas populares. E foi interessante porque é um espetáculo que incentiva a leitura. E, ao final, sempre distribuíamos livros.

12. Diga pontos positivos e negativos de se fazer teatro no Brasil?
- Antes de mais nada, acho que todo mundo deveria fazer teatro, não só para virar ator, mas para desenvolver o espírito de grupo, de realizar jogos de criação e tudo. É uma boa terapia que nos permite aprender mais sobre nós mesmos. Isso é um ponto positivo, independente de ser no Brasil ou qualquer outro país. Fazer teatro também é bom porque nos coloca em contato com os mais diversos tipos de pessoas e não temos o problema de rotina, porque em cada grupo o processo é diferente. Agora o negativo é a velha coisa: é muito difícil sobreviver da profissão. Se não formos um ator da Globo, passaremos fome. Ser ator só de teatro no Brasil é muito complicado. Não dá pra sobreviver.


13. Você estava com uma peça de Nelson Rodrigues, fale um pouco da peça e de como foi montar Nelson
- Todo ator brasileiro deveria por obrigação fazer um Nelson. Eu confesso que nunca pensei em fazer um Nelson Rodrigues. Sempre amei ler os seus textos, as crônicas para os jornais e tudo. Mas nunca pensei em encena-lo, até porque tinha visto poucas coisas interessantes em termos de montagem. Sempre achava tudo muito gritado. Mas quando fui convidado para fazer Bonitinha Mas Ordinária não pensei duas vezes. Aceitei. E foi o máximo, porque Nelson é sempre intrigante. E nossa encenação brincava com ritmos da fala e optava por não fazer uso de nenhum cenário, só o ator em si, vivo em cena. Isso me motivou mais ainda. E vi o quanto ficou engraçada a peça. O quanto Nelson tem um humor surpreendente. E como eu estava em crise como ator, no sentido de questionamentos da profissão e outras dúvidas, acredito que fazer essa peça me deixou forte e ciente de que montar bons textos é fundamental.   


14. O que você diria para alguém que está iniciando a carreira de ator?
- Desista. E se a pessoa vier me perguntar de novo, eu direi: desista. E, se mesmo assim, a pessoa, correr muito atrás e não ligar por que eu digo, aí sim verei que ela tem vocação. Afinal, eu mesmo já ouvi de diversas pessoas isso: DESISTA!!! 


15. Você um dia me perguntou o que é ser ator. Para você o que é?
- Todo o dia quando acordo me pergunto: o que é ser ator? E tento responder todos os dias. Pra mim, ser ator é muita coisa. Além de decorar, é estudar o personagem. É brincar de ser Deus: porque criamos novas vidas. É emprestar a uma idéia de um personagem, nosso corpo e voz. É poder surtar diante de todos e ainda ser aplaudido. É poder ser louco em cena e receber o aval do público. É ser um apaixonado, um poeta da cena. Um Don Quixote eterno. É algo muito sério e fascinante. E concluo, dizendo que não é pra qualquer um, por mais que a cada dia muitos se arvorem a seguir essa profissão. 


terça-feira, 29 de março de 2011

VERÍSSIMO


                                        
                           Veríssimo - por Raul Franco

Dia desses fui ver uma montagem teatral que utilizava textos do escritor gaúcho Luís Fernando Veríssimo (não vou citar o nome do espetáculo, por questões éticas). E fui muito curioso, afinal, sou um fã ardoroso desse escritor que muito me influenciou a escrever comédias.
O começo do espetáculo era bem interessante, tinha uma certa dinâmica, com os atores distribuídos pela plateia, relacionando-se com o que estava sendo dito por um certo “palestrante” no meio do palco.
Abrindo um parêntesis aqui, vale dizer que tenho uma coisa sagrada com Veríssimo. Assim como Nelson Rodrigues. E há comédia, tanto em um como em outro. E já vi milhares de coisas no teatro e TV, envolvendo a obra desses dois escritores. É claro, coisas maravilhosas e outras nem tanto. E uma coisa curiosa: em montagens de cursos de teatro, acho que os dois ganham disparados em relação a outros autores. São bastante montados por alunos.
Mas, voltando ao nosso foco em questão, quero dizer que sempre achei o Veríssimo genial. Muitos brincam, dizendo que ele trouxe à tona e colocou no centro da literatura as questões da classe média. Eu concordo. E uma vez, assistindo a uma entrevista sua, eu o ouvi dizer algo bem interessante e que, talvez, seja primordial em sua obra. Ele dizia que o seu texto tinha aquele ritmo, o jogo com as palavras, talvez, por causa da sua alfabetização em inglês. E se pegarmos mesmo a questão do humor em Veríssimo, notamos que a sua comédia tem mesmo essa ligação íntima com as palavras. Muitos dos diálogos tem esse jogo com o texto, a brincadeira com a forma da frase e o modo como ela é dita. E isso torna-se uma característica forte da sua obra.
Pois bem, voltemos agora a peça que eu assisti. O mais bacana foi entrar em contato com Veríssimo novamente. Na peça, muitos textos eu já conhecia, afinal devorei quase tudo que vi de Veríssimo ao longo da minha vida. E tem muito de Veríssimo no meu primeiro espetáculo autoral feito no Rio de Janeiro, Casal Consumo, que encenei ao lado do ator Wendell Bendelack.
Um dos fatores que achei mais grave na peça é o seguinte: os atores fazem também os personagens femininos. Até aí tudo bem. Mas o problema quando um ator faz um personagem feminino, é ele ceder a brincadeira gratuita de estar representando uma mulher. É ele se deixar seduzir pela voz que irá fazer, muitas vezes carregadas de falsetes exagerados. Aí a brincadeira ficará centrada nisso, perdendo a essência do texto – o que no caso de Veríssimo, é um crime.
Em várias cenas acontece isso. Os atores acabam se perdendo no fato de estarem fazendo personagens femininos e na graça pela graça que isso provoca. Alguns textos que eu conhecia, perderam-se em função disso. Afinal, o ator mergulhava na “gracinha” de estar sendo uma mulher naquele instante.
Acredito que quando um ator estiver fazendo mulher em cena, ele tem que ser tão neutro a ponto de que possamos esquecer que ali há um ator fazendo uma mulher. Claro que isso exige um exercício de abstração enorme da nossa parte. Mas o que quero dizer é que o fato de se estar fazendo uma mulher, sendo homem, isso não pode se tornar maior que a história que se está contando. Porque a partir do momento que você tem um texto rico nas mãos, você deve se deter na história e não na graça pela graça.
Ao me deparar com um dos textos encenados na peça, logo me veio à cabeça a imagem dele nas mãos de excelentes atores no programa Comédia da Vida Privada. Eu via na peça o ator fazendo a mulher, cheio de gagues desnecessárias, e eu só conseguia pensar na limpeza de movimentos e o desconserto da mulher casada que trai o marido na interpretação de Débora Bloch. Aliás, Débora Bloch é uma atriz que sempre me instigou. Quando eu comecei a escrever comédia, muitas vezes cenas de casal, no momento da criação dos personagens femininos, não havia outra atriz que eu pensasse que não fosse a Débora Bloch. Isso desde quando eu era telespectador assíduo da TV Pirata. E depois ficou mais forte com o Comédia da Vida Privada e mais tarde ainda quando eu a vi numa peça ao lado de Luís Fernando Guimarães, Fica Comigo Essa Noite, de Flávio de Souza, a minha predileção por ela se exacerbou.  
Mas o ator, mesmo não sendo Débora Bloch (risos), poderia ter se detido basicamente na história que ele estava contando. E é um esquete maravilhoso que mostra uma mulher na sua casa, aos beijos com seu amante, porque o marido está viajando. Mas, surpreendentemente, o marido resolve antecipar a sua volta e ela se vê em apuros, tendo que esconder o amante às pressas no guarda-roupa. E o amante, assustado, acaba deixando os sapatos no meio do quarto. E o resto é a genialidade de Veríssimo construindo uma cena rica de situações e diálogos. Mas, como eu disse, tudo se perde na brincadeira gratuita com o fato de um ator estar fazendo a personagem feminina. Não sei se foi um problema de direção ou excessos do ator mesmo – que, diga-se de passagem, em outras cenas se saia muito bem. O que sei é que aquilo me incomodou e logo me lembrou uma frase da crítica Bárbara Heliodora que disse: “o principal no teatro é você contar a história, se deter nela”. Parece tão fácil, não é? E muitas vezes o que vemos é o ator ir em movimento completamente contrário a isso, afinal, está detido em coisas desnecessárias que se tornam muletas onde o principal da cena é deixado de lado.
Depois dessa cena que me cansou, eu acabei não terminando de ver a peça. Tive que sair. Eu até assistiria até o final, mas o meu compromisso foi maior. É claro que acho desagradável sair no meio de uma peça. Mas, acreditem, foi inevitável. Vale dizer que eu assisti a uma hora de peça. Um tempo relevante.
O que foi mais bacana é que na semana anterior, eu assisti no Canal Viva a um episódio do Comédia da Vida Privada. E delirei novamente com o programa. Porque coisa boa não tem prazo de validade. E era um episódio com Nanini e Andréa Beltrão, dois atores que admiro bastante. E matei a saudade dos diálogos precisos de Veríssimo. E o Comédia era um programa que tinha uma direção maravilhosa. Tudo era muito bem cuidado. E com atores impecáveis também.
Escrevendo esse texto agora, me deu uma enorme saudade da época que ensaiava com os amigos textos de Veríssimo. Como já disse, o meu próprio espetáculo Casal Consumo é parente próximo da obra de Veríssimo, afinal, eu e Wendell Bendelack somos profundo admiradores dos seus textos. Tanto que nos reuníamos na casa do Wendell e ficávamos assistindo aos episódios do Comédia da Vida Privada e repetindo, junto com os atores, as suas falas, num exercício obsessivo de criação e ritmo (risos).
Vale ressaltar uma coisa muito importante: eu não sou contra homens fazendo mulheres no teatro ou mesmo na TV. Mas é um trabalho que exige muito da direção para não cair em bobas armadilhas. E nem posso ser contra, afinal, no próprio Casal Consumo, o Wendell fazia a esposa, Maria Antônia. Mas no trabalho do Wendeel, tem uma coisa preciosa: como ele é um ator inteligente, ele se detém na história que está sendo contada, na pulsação da cena. Então, representar uma mulher fica sendo mero detalhe. E isso é um dado precioso: quando se faz uma mulher em cena, sendo homem, devemos nos deter na sensibilidade feminina e não no olhar de fora do que é ser mulher. Porque é outra coisa que acontece: quando o homem está fazendo uma mulher, ele a interpreta com uma visão que ele tem disso e muitas vezes acaba na crítica da própria personagem, o que é um ato ainda mais deplorável.
E por fim, quero dizer que quando a gente tem um bom texto nas mãos isso deve ser levado em conta. Já temos a pérola nas mãos. Então, é só colocar a luz adequada que ela brilhará por si só. Agora vou ali ler um pouco de Veríssimo porque deu mesmo uma saudade. A todos vocês, um forte abraço e nos vemos em breve!