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terça-feira, 24 de novembro de 2009

O poeta não morreu! - por Raul Franco

"O poeta está vivo / Com seus moinhos de vento / A impulsionar
A grande roda da história..." (Frejat / Dulce Quental)



Hoje foi um dia bem louco!

Diria: inesquecível!

Simplesmente por eu ter sido acordado ao meio dia pelo meu sobrinho assustado, com sua mãe ao telefone, dizendo que o meu pai havia morrido.

Quer maneira mais doce para ser acordado?

Curiosidade: eu havia sonhado com meu pai a noite toda.


Levantei e tentei falar com minha irmã que já não estava na linha.

Fui ligar o computador para saber notícias. Eu, sinceramente, não havia processado a mensagem. E é difícil se crer rápido nas coisas quando o assunto é morte. Até hoje o povo não acredita que Elvis, Michael Jackson e Jim Morrison estão vivos, porque eu não acreditaria que meu pai também não estaria?


O que sei é que minha agonia durou uns 5, 10 minutos. Logo depois minha irmã me ligou, dizendo que tudo não passava de um mal entendido. Foi apenas outra pessoa do mesmo nome que meu pai que havia falecido – Ronaldo Silva Franco, de 50 anos (abaixo segue uma matéria). Detalhe: o cara ainda morava – acho – no mesmo prédio do meu pai. Ufa, que alívio por não ser o meu pai. E uma pena por ter sido esse rapaz de 50 anos que, ao que tudo indica, matou-se.


Sei que isso tudo parece uma piada. Mas não é. Essa história seria digna de um folhetim das 8, porém, foi algo bem real. Minha irmã ficou aos prantos no trabalho. Eu tive pouco tempo para me desesperar. Logo me aliviei ao saber que meu pai está bem vivo. E o mais louco foi que as pessoas postaram e repostaram essa notícia no Twitter. Ainda bem que não li isso na hora em que deram a notícia. Acho que ficaria bem assustado.


Uma das minhas preocupações é justamente com a saúde dos meus pais e das pessoas da minha família. Meus avós tem passado por dificuldades e sei que se essa notícia de hoje fosse realmente verdade seria um baque enorme no meu dia e, obviamente, na minha vida. Só posso dizer mais uma vez: Obrigado, meu Deus, por me poupar dessa dor por agora. Os ombros estão pequenos para aguentar mais uma cruz desse tamanho.


E viva Ronaldo Franco! O poeta que não morreu! O meu pai!


Esclarecimento da não-morte de Ronaldo Franco:


http://bitacora.pedrox.com.br/?p=1051




quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Sexta, dia 30/10, estreou FUZUÊ

FUZUÊ é o mais novo show de humor dos Fanfarrões, Cia surgida no cenário carioca em agosto de 2007. Nesse show, a dupla de comediantes Raul Franco e Bia Guedes – também responsável pelo texto e direção - desfila os seus tipos cômicos, como a Afrânia, feminista que se volta contra os homens que fazem da mulher uma verdadeira escrava e Manolo Passos, o coreógrafo das estrelas que lança o seu mais novo curso de dança para casais. Além de brincar também com o universo dos super-heróis, já que no show aparece a Mulher Maravilha, reclamando dos seus ex-amores e Robin em carreira solo, querendo sair da sombra de Batman. O show ainda contará com dublagens engraçadas e cenas de platéia. E busca mais uma vez imprimir a marca da Cia que tem um trabalho voltado para o mais puro entretenimento, com dança, música, mímicas e pantomimas.

Serviço: Sesc Tijuca - Rua Barão de Mesquita, 539 - TIJUCA. Sexta, 20h30.



terça-feira, 1 de setembro de 2009

O ARTISTA

Todo dia penso: QUAL A MISSÃO DE UM ARTISTA?

Porque artista não é simplesmente ser ator. Artista é o envolvimento desse ator por completo com a arte. O artista reflete o seu tempo, lança novas possibilidades, novos paradigmas. Infelizmente, nos tempos atuais a figura do artista está se perdendo, cedendo luar ao "arteiro", pessoas como as que saem dos realities shows para os palcos da vida, que pouco ou na tem a oferecer em termos de arte, mas se consideram artistas e, no fundo, acabam refletindo o vazio da arte, aproveitando os seus 15 minutos de fama, preconizados por Andy Warhol!

Mas eu continuo na batalha, como um exército de um homem só, às vezes, encontrando alguém que me entenda no meio do caminho. Encontrando novos amigos, apreciadores do que eu faço. E insistindo, levando adiante as coisas nas quais eu acredito. Fazendo o que de melhor sei fazer. E sempre apostando em tudo com o coração e a disciplina que me faz ser o artista que sou.

E como hoje temos a facilidade de fazer com que as pessoas que admiram o nosso trabalho entrem em contato, coisas interessantes costumam acontecer, como um e-mail que eu recebi recentemente (dia 31/08/2009). E são mensagens assim que me fazem perceber que não estou só.

Abaixo divido com vocês esse carinho que muitas vezes me dá mais vontade de prossegir.

"Neste momento não se completam dez minutos desde que eu vi seu trabalho (diga-se de passagem, quase que todo seu repertório) exposto no Youtube.

Como você falou, em certo vídeo, graças a Deus temos a Internet! =D

Fiquei maravilhada com o trabalho artístico do senhor e o achei muito interessante. Como gosto de valorizar os pequenos agrados que recebo nesta vida, não pude ignorar seu e-mail ilustrado no início de um dos vídeos que vi, tendo que então, por meio deste, que lhes submeter a uma sessão de elogios e agradecimentos. Não que isto seja ruim, certo? Afinal esta é uma das poucas vezes que eu sinto necessidade de prestigiar um artista.

O senhor realmente é um rapaz de talento que, com toda certeza, merece muito sucesso, pois a diversão não se encontra em apenas um ato de teatro, e sim no artista que o faz; e como a boa divulgadora que sou (apesar do meu restrito ciclo) pude também alegrar a todos que se interessaram a ver o vídeo. Ouso falar que me surpreendi com uma criaturinha que já havia prestigiado o seu trabalho, e que também teceu elogios a sua pessoa (haha). Porém ele não fora o único, de todos os contatos ouvi expressões entusiasmada de “muito bom”, “me mijei de rir”, dentre outros clichês que se soltam quando a pessoa não consegue se conter, apenas ri. Muitos destes perguntaram-me se o senhor ainda se encontrava em cartaz no Teatro Carlos Gomes (sic), depois de uma curta busca descobrimos que não, contudo se possível sentiria-me feliz se em uma súbita resposta, pudesse me dizer aonde se encontra, ou quando comparecerá novamente ao Rio (se for o caso), pois há mais um pequeno público afim de prestigiá-lo.

Agradeço pelo divertido início de noite, e mais uma vez tenho de parabenizá-lo pelo excelente trabalho, agradou muito a nós jovens com idades entre 19 e 25 anos.

Boa noite, ou bom dia, tarde.. Seja lá qual for o horário em que o e-mail for lido.


Um beijo e boa sorte na carreira e na vida".

Luiza Ferreira.

O que eu posso dizer sobre isso? Só agradecer profundamente!

Eu digo SIM


Uma vez estava em São Paulo para me apresentar num programa de TV.
E já que se tratava de um momento importante eu me vi na maior adrenalina. E são nesses momentos que vemos a nossa vida toda passar como num flash em nossa cabeça. Ainda no hotel, pensei na minha trajetória como artista e logo peguei um papel - daqueles que vem no bloco com a logo do hotel - e rabisquei alguma coisa. E como é de costume: sempre penso em tudo com uma certa positividade, por isso achei que poderia dar o nome a esse texto de SIM. Porque é muito bom quando ouvimos a palavra sim, simbolizando a permissão, a porta aberta para que avancemos com nossos sonhos. Então, divido com vocês esse poema... Afinal, como diz uma canção do Charlie Brown JR: "A vida já me derrubou / a vida já me deu abrigo".


SIM - Raul Franco

Saí do Norte

Tentando a sorte

De levar minh’arte

Pra qualquer parte

Do Brasil


Aterrissei no Rio de Janeiro

Sem dinheiro

Mas com vontade

De tudo conquistar


Fazendo uma figuração ali

E uma peça acolá

Vendendo o meu livro

De bar em bar

Recitando versos dispersos

Na noite da boemia

Com as pernas cansadas

E a barriga vazia

Mas sem tempo de desistir

Ou voltar atrás

Transformando em sopro

Toda tempestade sagaz


Sou artista brasileiro

Com a proteção do Cristo Redentor

Assim me fiz ator

Brilhando no palco

Correndo pro abraço

Depois do salto

Sem rede de proteção

Sentindo no coração

O peso da sobrevivência


De vez em quando fiquei triste

A cada porta fechada

Mas minha mão é dura

E se fecha também

Pra socar o vazio

Tecendo a vontade de ir além

Remando nesse Rio

Que não pertence a ninguém

Nem a mim, nem a ti


Então, parto de Copa

A São João de Meriti

E traço a minha rota

Com a necessidade de existir


E existo

Com a bênção da minha mãe

Que sempre torceu por mim

Porque ela sabia que um dia

O meu martírio chegaria ao fim

Pois pra cada 38 nãos

Tem que vir um SIM

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

REFLEXÕES TEATRAIS



Há muito venho querendo escrever um texto para o blog como forma de refletir um pouco sobre o movimento teatral no Rio de Janeiro. Principalmente com o advento e consolidação do Stand Up Comedy. É claro que pretendo fazer um apanhado geral afim de levantar coisas interessantes dessa, digamos assim, “nova onda teatral”.

Curiosamente, nessa semana, li uns três blogs que falavam especificamente sobre o gênero Stand Up Comedy, que, cada vez mais, tem proliferado como Gremlins. A cada mês surgem 2 ou 3 grupos de pessoas montando shows de humor, fazendo uso apenas do microfone. E esse gênero conseguiu um feito raro: tem levado muitos jovens aos teatros ou, principalmente, a bares e restaurantes, isto é, locais onde ocorrem tais shows.

O legal desses três blogs que li é que eles levantavam, com ironia e sagacidade, questões interessantes do gênero, inclusive, debochando do mesmo. E isso só me estimulou a produzir um texto – não tão irônico ou sagaz – como forma de entender alguns pontos da “nova onda teatral”, tendo eu, acompanhado de perto isso.

Então, comecemos: como já se sabe, o Stand Up virou o boom do momento, a galinha dos ovos de ouro, a elegância, a comédia cult, etc e tal. E o mais engraçado é que, dando um passeio pelo youtube, site que ajudou a proliferar o gênero e a consagrá-lo, podemos encontrar o mestre Chico Anísio lá pelo ano de 1968, fazendo... Stand Up. Apesar da distância entre os tempos, com poucas mudanças, o que o Chico fazia lá atrás é quase igual ao que se faz hoje. Pelo menos no quesito “de cara limpa” e com um microfone na mão.


Lembro que uma vez, acho que 2003, eu escrevi um texto para fazer com o ator Marcos Veras. E quando terminei de escrever, eu mostrei para ele as características daquilo que eu estava afim de fazer naquele momento. E era algo que se assemelhava ao Stand Up Comedy. Eu, na época, apresentei ao Marcos coisas que serviriam de inspiração. E o diferencial desse trabalho que pretendíamos fazer era que os textos seriam ditos de forma frenética, sem ter personagens, quer dizer, nós estaríamos lá, falando de coisas relacionadas a vida do artista brasileiro, de cara limpa. Seria uma forma de reflexão sobre nossas carreiras. Mas, a primeira vista, aquilo parecia muito novo pra gente. Depois de pouco tempo é que vimos surgir pessoas geniais, fazendo coisas simples, apenas com um bom texto e o sempre presente microfone. Só que já havíamos abandonado esse projeto para fazer outros.



Quando vi o Diogo Portugal a primeira vez no youtube, fazendo Stand Up, curti muito. Depois assisti, no mesmo youtube, Rafinha Bastos, e delirei mais ainda. Comecei a achar aquilo interessante. Aí conheci o Comédia em Pé (considerado o primeiro clube de comédia Stand Up do Brasil), com Fernando Caruso, Cláudio Torres Gonzaga, Fábio Porchat e Paulo Carvalho. E vi que a coisa estava decolando, ganhando corpo e fazendo com que o público se interessasse. O mais curioso é que no começo, quando a galera do Stand Up Comedy ia fazer os shows, antes, sempre tinha a explicação do que vinha a ser o gênero. Hoje ainda tem, mas não tanto como no começo. É a prova de que o gênero já foi digerido pela grande maioria.

Dando um salto para os tempos atuais, agora com o gênero já consagrado, eu sempre brinco, analisando esse movimento do Stand Up, dizendo que é como o movimento do rock dos anos 80. Lembram? Como a moda no Brasil naquela década era fazer rock tupiniquim, muitos queriam ter bandas bem sucedidas como a Legião Urbana, Titãs e Paralamas do Sucesso. Muitos não conseguiam, porque faltava talento, espontaneidade e originalidade. Tanto que naquela época o Capital Inicial era uma banda da segundona, porque era difícil competir com essas bandas tão geniais. O mesmo acontece com o Stand Up. E como, na maioria das vezes, é só preciso ter cara de pau e determinação pra subir no palco para fazer, muitos se arvoram. E nem precisa ser ator. Quer dizer, às vezes é até melhor não ser, para não tentar interpretar demais a história. Tem muito publicitário fazendo Stand Up. Muito jornalista (com diploma ainda – rsrs). Até matemático, como um amigo que admiro muito, Marcos Castro. Mas como tudo já está carnavalizado demais, vi que até o Sérgio Malandro e a Nany People estão fazendo Stand Up. rsrs Isso é demais pra mim!!!!!!

Uma vez, há tempos, quando fui ver uma apresentação de alguém – que não lembro quem – eu achei interessante, mas teve um amigo meu que disse: “Ah, mas não é o Stand Up puro! Porque o puro não pode ter personagem, não pode ter música...” Essa colocação desse meu amigo pareceu também aquelas colocações de puristas que falam do Reggae Raiz que é diferente do Reggae Roots e tal. Achei incrível essa colocação! O que sei é que acredito em dois gêneros de comédia: aquela que funciona e aquela que não funciona. Porque, sinceramente, para o público que pagou o ingresso para ver uma comédia, ele só quer saber de rir. Análises e críticas profundas são para quem trabalha com isso, ou seja, os próprios críticos dos cadernos culturais. Porém, uma coisa é certa: o público é quem consagra a peça ou o show. Os críticos servem só para atrapalhar o meio do campo (com algumas raras exceções).

Eu, de vez em quando flerto com o Stand Up. Já estou começando a montar o meu novo show, experimentando características desse gênero. Mas acredito que a minha palavra de ordem sempre foi subverter. Então, contrariando o meu amigo, não vou optar pelo Stand Up puro. Gosto de mesclar as coisas. Por que já pensou se fôssemos defender a pureza de tudo? (rsrsrs) O cara tocaria rock da mesma maneira que a humanidade ouvia há 50 anos. E não haveria Benjor para propor o Samba Rock. Pra mim, esse é o segredo do jogo, poder subverter e mixar gêneros, pelo menos no trabalho em que eu venho me propondo.

Continuo admirando muito o trabalho de muita gente que faz Stand Up. Até porque faço participações em alguns shows de amigos meus. E fico admirado ao ver uma galera cada vez maior comparecer aos shows. Por exemplo, fui ao Canecão assistir a gravação do DVD do Comédia em Pé. E estava muito cheio. E eu pensei: “Caramba, os caras estão nesse palco enorme apenas com um painel de fundo, uma luz e o tal microfone. E a platéia se acabando de rir”. Ou seja, o que importa é que funciona. E é legal ver caras bons fazerem Stand Up. Outra coisa mais louca: devido a economia de parafernálias para realizar um show de Stand Up, o Comédia em Pé chegou ao cúmulo de estar em cartaz em 3 lugares diferentes do Rio de Janeiro, no mesmo período. Realmente é uma coisa extraordinária.

Isso é a prova de que muitos adereços, cenários, figurinos não garantem a diversão do público. Já vi peças mega-produzidas que eu quis sair no meio. E já fiquei boquiaberto ao ver a atriz e mímica Denise Stoklos ficar gigante no palco ao fazer uso de seu corpo e de sua voz. O que importa, como já disse, é se funciona.



Enfim, isso é apenas um lado desse movimento todo do teatro no Rio de Janeiro. Mas não é o todo. E como falamos do Stand Up, vale dizer também que é imperativo o grande número de comédias em cartaz no Rio de Janeiro. Aqui, em sua maioria, ou você faz comédia ou não terá tanto público. O grande barato é ver quando outros gêneros fazem sucesso, quando não estão fazendo o feijão com arroz da comédia carioca. É a prova também de que o trabalho é bom. Porque o excesso de comédias não quer dizer que o riso acompanhe isso proporcionalmente. Tem muita coisa ruim também, muita gente querendo pegar o filão do que está dando certo. Isso devo falar mais tarde em outro post.

Para terminar, gostaria de escrever o seguinte: assim como comentei de modo geral sobre o Stand Up, eu também gostaria muito que tivesse um grande movimento em prol do teatro mesmo. Porque minha formação é teatral. Eu estudei pra isso (apesar de muita gente achar que não precisa estudar tanto para ser ator). A minha relação com a comédia nesse sentido de solos, de performances individuais, é recente. Iniciou-se mesmo na comédia Tubo de Ensaio, em 2005, onde tinha solos de personagens. Com os Fanfarrões isso se consolidou em mim. E por causa da constância de eventos e novas temporadas dos Fanfarrões, eu passei a ter uma produção voltada para os esquetes de humor com novos personagens cômicos. Mas já estou com saudade de espetáculos teatrais, que podem ser comédia, algo como um Molière que tanto gosto, ou um drama, como Tchekov, Nelson Rodrigues, e outros. Como falei de movimento e dessa minha saudade, por sorte fui parar num projeto bem bacana que está acontecendo no teatro Gláucio Gil: o Drama EnCena (já tem um post aqui que falo desse projeto) que, resumidamente, é uma reunião de autores novos (alguns até premiados) e uma geração de atores bons, levantando as cenas produzidas por esses autores em uma semana. Um exercício fantástico e muito peculiar para todos nós. E o que é bom é que estamos buscando a essência teatral e levando questões contemporâneas para o palco, com criatividade e empenho. Isso é muito bom também. Porque, por exemplo, uma vez vi uma entrevista com a Bibi Ferreira e ela falava que essa nova geração está muito mal acostumada, fazendo espetáculos teatrais somente com o uso do microfone, até em lugares que nem necessitaria desse recurso. Eu pensei muito sobre isso. E como falei de Stand Up, uso do microfone e tal, isso tem tudo a ver. É claro que nesse gênero, isso é de extrema importância. Mas é grandioso você ter um palco com uma acústica maravilhosa e poder fazer uso daquela voz que você, como ator, trabalhou. Se começarmos mesmo a querer usar microfone em todo espaço, estaremos perdendo também essa exigência vocal, tão defendida nas escolas teatrais.

No próximo post, sigo nas minhas reflexões teatrais.

E nesse movimento todo, sempre torço para que sobrevivam os melhores!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Comédia a La Carte

Semana passada participei do show de Felipe Absalão: Comédia a La Carte, no teatro Miguel Falabela - Norte Shopping (terça e quarta, 20h)

Abaixo, algumas fotos:

Adorei esse registro!


Andréia, Felipe e eu


Eu, Smigol, Felipe e Nigel


O QUARTETO!

Momento "coração"


o que já virou minha marca!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Estou bem, graças a Deus!!!


Lembro, quando eu era mais novo, de ser irônico com o fato de muitas pessoas responderem a pergunta se estão bem com a frase: “Estou bem, graças a Deus”. Eu dizia, meio que corrigindo: “Estamos bem graças a nós mesmos”. Enquanto uma frase rebelde, de efeito, podia ter até algum sentido. Mas hoje quando me perguntam: “E aí, Raul, tudo bem?”, com urgência respondo: “Estou bem, graças a Deus”. E acredito que Deus é o ‘antes de tudo’. É mesmo alguma força maior que muitas vezes não conseguimos descrever com palavras. Sinto-me bem, porque entendo que tem algo maior que me guia, me fortalece nos momentos mais difíceis. E não acho nada piegas falar disso. Afinal, nada como o tempo e a maturidade para reconhecermos algumas coisas.


Tanto que me arrisco a dizer, sem vacilar, que estou com Deus e não abro. E mais: sei que muita gente quando está em um momento bom diz com o maior entusiasmo: “Nossa, Deus está olhando por mim”. Mas nos momentos difíceis, diz, com pressa: “Poxa, Deus esqueceu de mim”. Como uma das minhas maiores características é a positividade, eu agradeço a Deus quando as coisas dão certo, ao mesmo tempo em que acredito que nos momentos ruins, quando as coisas não ocorrem como gostaríamos, Deus também está presente e deve estar querendo nos mostrar alguma coisa com isso. É como se nas dificuldades Ele estivesse nos testando, querendo que aprendamos com as situações complicadas.Afinal, nem tudo são flores. E devemos saber também dançar quando a música, talvez, não seja uma discoteca.


Faço disso o meu guia e sei que tudo é um bom sinal... de Deus, principalmente.

Voltando!


Eu pretendia escrever para o meu blog pelo menos uma vez por semana. Mas é que, às vezes, o tempo voa de tal forma que mal me sobra tempo para eu coçar as costas. Ou outra coisa que necessite também do gesto tão emblemático do ato de não estar fazendo nada.

Realmente minha vida estava a maior correria: fazendo apresentações por aí, participações em shows de amigos, ensaiando para o Drama EnCena, fazendo o Drama EnCena, editando novos vídeos, produzindo novos vídeos, viajando para São Paulo, Petrópolis, etc, etc, etc.

E agora, como hoje é segunda, é um bom dia para reorganizar a vida, até porque agosto começou e com ele um novo rol de promessas, ansiedades, dúvidas, esperanças e mandingas. Eis que o segundo semestre se inicia e eu espero que novos ares tomem conta do mundo – e que, principalmente, a crise mundial passe e nós, dos Fanfarrões, é claro, continuemos a fazer os nossos eventos com muita alegria e profissionalismo.

Abaixo aquela síntese dos acontecimentos, em imagens, que é muito mais interessante. E a palavra de ordem: VOLTEI! Agora recupero o fôlego para novas empreitadas. Obrigado a todos que passam por aqui! Abraços, Raul Franco.

Registrando o dia da minha participação na novela PARAÍSO

Participação no SHOW DO TOM

Participação no VEM PRA RIR!


Participação no ACEPIPES


Galera do Drama EnCena

Evento dos FANFARRÕES
(logo posto mais fotos desse evento)

Eu e meu amor em um momento de descontração em Petrópolis

Participando do show dos FULANOS no Rio das Ostras - RJ

Com os conterrâneos Igor Monteiro e Armando Moraes
(eles participando dos Fanfarrões)

Em SP: descansando um pouco e pesquisando coisas

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Poema-homenagem a Michael Jackson


Passos na Lua – de Raul Franco


me sinto só

agora e... talvez sempre

mas sempre é uma palavra

que devasta

e amedronta


- pela dimensão –


eternidade

saudade

solidão


o sempre é só uma palavra

que me assusta sempre


sempre essa surpresa

e agora a voz presa

na pressa de expressar

o que sei: foi de rara beleza


ele: distante

com seus passos na lua

literalmente

absurdamente leve


never more


nem black

nem white


alma na amplidão

de um gyga byte


a ele a minha saudação

e a certeza desesperada


mesmo querendo o contrário

esse sempre é o que enfraquece

por isso peço em prece

que ele dê um abraço em Gene Kelly

para dançar a saudade

no tempo de um suspiro...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Michael Jackson não morreu!!!


Parece que não é verdade!
Parece que estou sonhando!

Parece uma loucura sem pé nem cabeça!

Parece um absurdo inventado para perturbar o nosso dia!

Parece que é apenas um desses trotes da Internet!

Mas, infelizmente, é a mais pura verdade: o Rei do Pop não está mais entre nós.




Antes, uma coisa curiosa: ontem eu estava com minha namorada nas lojas Americanas do Rio-Sul (RJ) e tentei comprar um DVD do Michael Jackson. Tinha uma etiqueta em muitos DVD’s que acusavam o preço de R$ 14,99. Mas eu vi um que marcava R$ 9,99. Então, obviamente, optei por ele. E levei ao balcão para pagar. No computador estava o preço de R$ 14,99. Fiquei esperando o rapaz que teria que ver isso na máquina e corrigir. Esperei uns longos 10 minutos. Até que minha namorada disse: “Vamos!”. E ainda vi o cd Dangerours por R$ 9,99 também. Só que a irritação da espera já tinha tomado conta de mim. Minha namorada disse: “deixa isso pra depois”. Voltamos pra casa.


E hoje, após chegar do meu ensaio, entro no Twitter, por volta de 19h30 (horário de Brasília) e vejo pessoas escrevendo: Michael Jackson morreu”. Eu pensei que se tratava de uma brincadeira, como muita gente costuma fazer. Fiquei debochando, dizendo: “Ah tá, Michael Jackson morreu e Sílvio Santos também”. E fiquei twittando, ironizando a notícia. Procurei no Google e vi que Michael realmente tinha tido uma parada respiratória. Aí comecei a ficar apreensivo, mas pensava que se tratava apenas de uma coisa grave que se resolveria em dias. Liguei a TV. Passou um tempo, a apreensão aumentou, até que a repórter confirmou: “Michael Jackson está morto!” Simplesmente inacreditável!



Logo realizo um voo cego ao passado. E caio no tempo em que Michael reinava único. Era a época que o enigmático e potente álbum do astro estava em primeiro lugar em todas as paradas: Thriller (1982). E lembro de uma das coisas mais curiosas da minha infância. Acho que era o ano de 1983 ou 1984. Eu havia ido passar férias num lugar no Pará chamado Salinópolis (onde tem praia). Sempre viajava para lá em julho. E dessa vez eu fui com minha avó Nydia (mãe do meu pai). À noite íamos para um local onde todos iam passear – local este denominado de “pracinha”. E lá tinha uma porção de barraquinhas, vendendo coisas de surf, malhas, bijouterias. Uma barraquinha foi extremamente ousada: colocou o vídeo-clipe Thriller para passar lá. Aquilo pra mim foi algo inesquecível. Porque a gente se amontoava na apertada barraquinha para ver aquela coisa altamente moderna para a época: um clipe como um filme, onde tinha uma história e o cantor virava lobisomem, além de ter uma coreografia altamente surpreendente e impactante, e o que é melhor: feita com monstros assustadores. O mais engraçado era o fato de eu, por ser bem pequeno, mal conseguir passar pelas pessoas para chegar até um local onde pudesse conferir todo o clipe. Mas aí também estava o barato: todas as férias torcia para chegar à noite e eu ir para a “pracinha” pegar fragmentos dessa obra-prima de Michael. Ao fim das férias, já tinha visto o clipe inteiro. Porque o mundo ia para lá ver e depois comentar embasbacado. Essas férias foram marcadas por isso e também pelo fato de minha vó brigar de dar dinheiro para o meu lanche e eu gastar com buttons com a imagem de Michael Jackson.




Enfim, o que sei é que tenho várias histórias para contar sobre o astro pop. Mas foi essa que pegou de cara os meus olhos virgens para essa grande novidade. Olhos que brilharam profundamente e mal conseguiam piscar diante do novo Gene Kelly. Aquilo era muito novo.

É claro que desde cedo, ainda com os Jackson 5, Michael estava traçando uma trajetória brilhante que teve o auge na elaboração do Trhiller, seja o disco ou seja o clipe. Mesmo sendo criança, eu jamais esqueci o que aquilo me provocou. Ali estava o novo. E era o começo da década de 80. Muitas coisas ainda viriam pela frente. Mas essa avalanche moderna veio com ele, Michael, que, não à toa, fez jus ao título de Rei do Pop.


Agora, uma pausa, antes do sono, para ainda digerir essa triste notícia de hoje.


O dia 25 de julho será marcado para sempre por esse episódio.


E minha alma juvenil insiste na pueril afirmação, a mesma que se fez ao Elvis: MICHAEL JACKSON NÃO MORREU!!! (lágrimas!)


quinta-feira, 18 de junho de 2009

O que é um peido pra quem tá todo cagado?


Estava passeando por uma comunidade do orkut e li um tópico que se intitulava: “O silêncio cairia bem”. E no corpo do tópico alguém dizia: “que absurdo o que a Ivete Sangalo falou!”. E mandava o link de um site. Na hora, pensei: Nossa, qual bobagem a nossa cantora de axé falou?”. Pensei que ela, de repente, pudesse ter falado algo sobre política ou sobre outra coisa que demonstrasse a sua total ignorância a respeito de um assunto.


Ao chegar ao site (www.raciociniocritico.com) , eu me deparo com esse texto:


“Refiro-me, especificamente, à declaração lamentável da cantora Ivete Sangalo no programa Domingão do Faustão do último Domingo, dia 24. A mencionada jamais se destacou por palavras inteligentes e observações pertinentes - mesmo porque seu papel de pop star do axé não requer tais qualidades; pelo contrário, extroversão e certa pitada de vulgaridade costumam ser, infelizmente, características da maioria dos pop stars do axé.


Confesso que sequer me recordo qual foi a pergunta do apresentador do programa dominical, mas a resposta da supramencionada foi de uma baixeza e vulgaridade que conseguiram despertar a minha atenção: 'o que é o peido para quem está cagado' foi a declaração expelida pela cantora, que obteve o grande feito de constranger o anfitrião - para muitos uma pessoa 'inconstrangível'”.


Na hora, falei: “Cara, eu fui até o site para ler uma bobagem dessa!”. O melhor foi ver a construção do texto do autor: ele fala de uma indignação total com uma frase ouvida num programa dominical. E conduz o leitor até a descartável constatação do que a Ivete Sangalo falou. Gente, esse rapaz esperava o quê? Ele está assistindo a um programa extremamente popular com um apresentador famoso por sua interrupção dos entrevistados, e diz que ficou indignado com uma frase de uma cantora de axé, a mesma que cantou “quer andar de carro velho, amor, que venha / porque eu sei que andar a pé, amor, é lenha”. Ele ‘tá de brincadeira! Se for um texto humorístico, é de matar de rir. Olha, eu não sou nenhum fã da Ivete, mas nos últimos tempos tenho até visto muita coisa dela. E se ela disse isso no programa do Faustão, acho perfeitamente condizente com a sua conduta, afinal, ela sempre fez o caminho inverso da estrela. Quer dizer, Ivete sempre foi a anti-estrela no melhor sentido. Ela se mostra do povão, fazendo o seu trabalho e cantando para a massa (olha que termo mais apropriado!). E muita gente curte essa cantora por isso mesmo. Então, ela nada falou do que a língua do povo. Qual o mal nisso? Rs Eu ficaria indignado se visse a Ivete em um programa de domingo querendo falar sobre Física Quântica ou sobre Grotowski, por exemplo (leia esse blog que você vai entender sobre isso – rsrs). Aí sim eu iria ficar revoltado com a Ivete. Agora ela falando sobre peido, está tudo certo, tudo normal, o esperado.


E eu preocupado com o comentário da atriz Isís Valverde sobre um importante encenador teatral, Grotowski... Tanto que fiz um vídeo falando sobre isso e postei um polêmico texto aqui no meu blog. Vejo que tem gente mais preocupada com banalidades. E eu só tenho que achar graça. rsrs


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Só depois de escrever aqui é que vi que tinha um complemento do texto que citei do site www.raciociniocritico.com. Vai o complemento:


A cantora é a prova viva e irrefutável que dinheiro, fortuna e sucesso com o público nem sempre fazem com que a pessoa avalie sua postura e busque um mínimo de educação, discrição e bom senso em suas declarações. Pelo contrário: quem vê a supramencionada em cima de um trio elétrico com roupas extravagantes falando palavras de baixo calão sempre com conotações sexuais - independente da precocidade de seus fãs - não deve ter se assustado com as palavras da rainha do axé no programa dominical. Pior: o público que se escabela por Ivete Sangalo pode ter até gostado do que foi afirmado e selado a baboseira com um decidido: 'êta mulher retada'. A imaturidade do público e a predisposição verbal ímpar da artista realmente preocupam.

Esses fenômernos comuns no mundo do axé e do pagode criam distorções que devem ser acompanhados por pais e profissionais da área de saúde mental por alguns motivos importantes: primeiro, que na Bahia os jovens crescem - musicalmente falando - sob a égide desse tipo de música e, dessa forma, o alcance que tais posturas e compartamentos atingem é incrível; e segundo que, infelizmente, os jovens tendem a imitar o vocabulário e atitudes desses artistas - algo natural considerando a idade de boa parte do público. Perpetua-se, assim, o desejo de ser igual a Carla Perez, Ivete Sangalo e outras que com certeza virão.

Nada contra o estilo musical e a condição financeira que uma estrela desse estilo musical pode alcançar, mas acho profundamente lamentável uma criança baiana ter desde o nascimento o desejo de ser igual a Ivete Sangalo. Financeiramente, é a solução de muitas gerações. Entretanto, é preciso dizer aos jovens que nutrem esse sonho que além do talento e do trabalho é crucial ter respeito aos brasileiros em geral e não sair expelindo bobagens em cadeia nacional. Se o público dela aplaudiu, o que resta é lamentar a atrofia crítica dessas pessoas; porém, não somos obrigados a ouvir tamanha baboseira de uma artista que serve de exemplo para crianças inocentes.

Artur Salles Lisboa de Oliveira.

Então, agora já sei o nome do autor. E justiça seja feita: o texto está bem escrito e demonstra a sua posição sobre isso. Só que, inevitavelmente, afirmo que a sua visão quixotesca também é digna de gargalhadas. Mas prefiro ler alguém guerreando contra isso do que ver Kelly Key lançando CD novo. O senhor Artur Salles Lisboa de Oliveira foi sincero em sua colocação. Eu é que sou muito cético e cínico (eita combinação bombástica).

Bom dia! Agora deixa eu correr que eu ainda tenho ensaio!


terça-feira, 16 de junho de 2009

Sensações, posições e opiniões


Eu acredito que todo artista tem que trabalhar com a sua verdade. Jamais pensei em mentir, em mostrar ao meu público o que eu não sou. Sempre que me dedico a um trabalho, eu aposto na verdade. O público sabe detectar quando você é um farsante, um mentiroso. O bom mesmo é quando você é aclamado por sua verdade. E quando a conquista provém disso, temos mais é que comemorar e saber que estamos cumprindo uma missão! E minha missão é cumprida assim, com o que tenho de mais sincero. O palco me exige isso e eu dou com toda a satisfação de saber que ao voltar pra casa, dormirei, com a cabeça relaxada, sabendo que fui transparente e verdadeiro ao máximo.




No Big Apple o que os Fanfarrões fazem é produzir um entretenimento de primeira. Afinal, lá é um restaurante. Não tem o ambiente sagrado de um palco de teatro. O esquema é outro, é outro raciocínio. Estamos lá para distrairmos/entretermos o público. E se por um momento o público esquece de pedir o próximo chope é porque se perdeu (ou se achou) no meio de alguma das nossas cenas. Isso é a magia desse espaço. Temos que lidar com o que acontece na hora. Tem garçom passando, gente levantando para ir ao toalete, barulho de conversa, o som vindo lá de fora. É pura adrenalina! Lá estamos vivos no melhor sentido da palavra. E é bom poder realizar um trabalho como o nosso fora de um espaço teatral. Afinal, nos muitos eventos que fizemos, a maioria era em outros espaços. Já fizemos até na sala de uma cobertura em Ipanema. O bom é saber que o nosso trabalho cabe em qualquer espaço. Conseguimos essa vertente. E vamos que vamos! O importante é acreditar na magia do riso como forma de acariciar a alma!


FANFARRÕES toda sexta, 21h30, no Espaço Cultural Big Apple (Av. das Américas, 3555 - Barra / RJ - Shopping Barra Square).

Mal Acostumado


Sexta, dia 12/06, tivemos mais uma noite de diversão com Os Fanfarrões lá no Big Apple (shopping Barra Square). Foi uma noite ímpar, onde tivemos duas aniversariantes comemorando conosco e, é claro, também homenageamos o dia dos namorados com a estreia da Rádio Fanfarrônica, brincando com a ideia de um correio sentimental com muita troca de mensagens românticas e amorosas.


O espaço do Big Apple foi pequeno para tanta gente que, apesar de um dia frio depois de uma forte chuva à tarde, apareceu para se divertir. No palco representando Os Fanfarrões estavam Bia Guedes e Raul Franco. Como convidados, o grupo As Lucianas, apresentando o esquete A Falsa Magra, e Alexandre Paim. Depois do show de humor ainda teve muito flash back para todo mundo balançar o esqueleto.




Já no sábado, dia 13/06, fui participar do projeto de humor Vem Pra Rir, em São Gonçalo, no Teatro Carequinha. Eu e o Marcos Castro fomos os convidados da noite desse projeto que visa levar cultura e entretenimento para a população de lá, tão carente de uma programação como essa, que reúne diversos artistas mostrando o seu trabalho, que pode ser stand up, pantomima, mímica, improvisação, personagens, etc.


Para minha surpresa, ao chegar ao teatro já vi uma fila enorme. E o mais bacana foi ver uma produção preocupada com todos os detalhes, dando o melhor de si para alcançar um bom resultado.



A noite foi ótima. A platéia seguiu a risca mesmo o nome do projeto: FOI PARA RIR. E não parou de se divertir e de gargalhar um minuto sequer a cada cena apresentada. Nossa, assim vou ficar mal acostumado! rs

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A minha intuição, às vezes, falha!




Logo que vi a divulgação do filme A Mulher Invisível fiquei com um certo receio de assistir. Pensei que se tratava de mais uma comédia romântica dessas sem sal, repleta de obviedades. A la Avassaladoras (de Maura Mourão). Ou mesmo uma comédia igual a tantas que abomino, como “Trair e coçar é só começar” e coisas mais sem graça como A Casa da Mãe Joana. Mas, enfim, fui acompanhando a divulgação do filme. Comecei a ver as cenas. E, é claro, pensei: “Pô, é com o Selton Melo! Ele não vai fazer qualquer coisa”. O bom é quando um ator chega nesse patamar de passar credibilidade em tudo que faz. E não foi que ele não fez qualquer coisa?!

O filme A Mulher Invisível, de Cláudio Torres, é uma super-comédia. Dessas que valorizam o cérebro, com diálogos impagáveis e um ritmo altamente gostoso, onde sente-se que a história flui naturalmente sem breaks desagradáveis. Pra variar, Selton está ótimo. E a tal mulher invisível, Luana Piovani, também está no seu melhor papel, e o que é mais interessante: sem medo de ser bonita! A combinação da beleza de Luana e a sua simplicidade de atuação, ao mesmo tempo precisa, fez com que a química entre ela e Selton se desse da melhor forma. A atriz Maria Maoella também surpreende com a sua composição da mulher tímida apaixonada por seu vizinho.


Outra coisa bem forte do filme é a trilha. A dinâmica das transições são maravilhosas, sempre marcadas por canções pop, por vezes emblemáticas das situações e outras servindo perfeitamente aos climas propostos. E vamos seguindo o filme com a pressa de desvendar, cada vez mais, essa deliciosa história.


Eu fui acompanhando atentamente o filme e evidentemente fui me divertindo e rindo muito. E lá pelas tantas ainda pensei: “Nossa, o filme já está bom pra caramba, mas ainda vão ter as cenas em que Selton vai ‘atuar’ com a Mulher Invisível, ou seja, vai atuar com ninguém”. E esses momentos são absurdamente hilários e comoventemente enlouquecedores. Muito bom!



Selton Melo tem uma atuação brilhante, digna de Steve Martin em “Um espírito baixou em mim”. E mais: já quase para o final, quando Selton parece surtar de novo (a primeira vez que ele surta é quando o seu amigo, personagem interpretado por Vladimir Brichta, afirma que sua mulher não existe) e vai para seu apartamento encontrar a sua Mulher Invisível em uma banheira, quase posso ver em Selton uma atuação a la Jack Nicholson em Melhor Impossível. E não poderia também deixar de pensar em Jim Carey em O Mentiroso. Enfim, Selton é cinema puro, tanto que os mais atentos vão entender a homenagem que o ator faz ao ET quando o seu personagem está em repouso num quarto de hospital com um aparelinho no dedo. Mas tem que ter perspicácia! Coisa que o diretor Cláudio Torres teve de sobra.